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MATEI O CIGARRO DENTRO DE MIM

Eu, como muitos, achava que pudesse parar de fumar quando quisesse.
Primeiro fiz uma tentativa em uma pescaria em que ficamos por vinte dias na beira do rio, longe de tudo e sem carro. Conclusão: no terceiro dia, caminhei a pé (20 km) ao povoado mais próximo pra comprar cigarros. Aí foi que percebi o tanto que o vício havia me possuído. Era servo fiel e submisso do bastonete de nicotina.
A partir deste fato, fiquei muito preocupado. Tentei várias vezes, porém sem sucesso.
Sabia que era preciso fazer alguma coisa. Elaborei um plano de metas para vencer o vício: Eu que fumava um maço ou mais por dia estabeleci: Nos próximos vinte dias fumaria apenas dez cigarros por dia. Consegui. Depois nos próximos outros vinte dias apenas cinco cigarros. Consegui.
Minha vida, no entanto girava em torno da hora de fumar. Fazia daquela hora uma verdadeira celebração, mas consegui vencer essa primeira etapa. Prorroguei por mais vinte dias e novamente consegui. Minha teoria funcionou. Forcei o meu organismo a se contentar com a cota que eu lhe impunha. Pela primeira vez o vício estava encontrado um concorrente: minha vontade.
Aliado ao plano de metas estabeleci também um programa de exercícios físicos: caminhava uns cinco km. por dia, mais uma hora de natação. Era preciso acostumar novamente os pulmões com o oxigênio.
Minha vitória sobre o vício proporcionou expansão em minha auto-estima. Agora era eu que controlava! Isso me deu enorme sensação de força.
Depois o mais difícil: Parar definitivamente.
Primeiro diminuí pra três unidades durante uma semana. Funcionou. Os três cigarros, no entanto, eram mais esperados que um filho distante! Passava as vinte e quatro horas do dia em torno de tão esperados momentos... E quando fumava, fazi-o como se estivesse fumando um charuto de Havana. Permaneci nessa regra por cerca de um mês, mas fui fiel.
Finalmente, decidi dar o golpe de misericórdia. Decidi acabar definitivamente com o vício num domingo. Neste dia fiquei totalmente perturbado e minha mente me dizia o tempo todo: "Que são três cigarros?" "Não seja tão cruel com você mesmo!"
Resisti.
A noite passei em claro. Nas outras três seguintes também. Na quinta noite, perdi a cabeça e levantei de madrugada e fui procurar por cigarros. Andei como louco pelas ruas, e somente depois de duas horas achei o bar. (estava fora do país).
Voltei para o hotel e abri o maço. Minha mente estava dividida entre o "fume apenas um" e o "você não vai fraquejar agora?" Foi um dilema. Era a hora do tudo ou nada.
Resolvi fazer o seguinte: Abri o maço, acendi um por um, e aceso o jogava no chão, pisando-o, dizendo em alta voz: "Eu sou mais forte que você" e outras frases congêneres... Fiz isso até que o maço ficasse vasio.
Neste dia matei o cigarro dentro de mim.
Este fato já têm vinte anos e aconteceu numa temporada que estive nos E.U.A.
Parece novela, mas foi verdade.
Hoje não tenho a menor vontade de fumar e nem me sinto incomodado com os que fumam. Pelo contrário quando vejo alguém fumando, sinto enorme sensação de vitória dentro de mim.
Hoje digo com convicção: Mais do que se deliciar com os prazeres do cigarro é ter a sua vontade forte e plena em seu favor, o que faz sua auto-estima reluzente.
Abraços! E parem de fumar!

Tião Luz
Enviado por Tião Luz em 20/04/2006
Reeditado em 12/11/2012
Código do texto: T142167
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tião Luz
Poços de Caldas - Minas Gerais - Brasil
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Tião Luz