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Romance Virtual

ROMANCE VIRTUAL


Lembro bem o dia em que entrei naquela empresa, bem vestida para tentar uma vaga como telefonista, ou qualquer outra, já que estava desempregada.A pessoa que me atendeu disse que tinha sim uma vaga e que era para trabalhar no escritório como secretaria, fez-me algumas perguntas, tipo os cursos que eu possuía, onde havia trabalhado antes, quanto tempo etc, até me falar que a vaga que estava surgindo, precisaria fazer alguns treinamentos, pois a matriz ficava em outro estado

Caso eu fosse a escolhida, teria que viajar para outra cidade onde ficava a matriz e fazer estes treinamentos.Na hora, até me alegrei, pois nunca havia viajado antes para tão longe.Fiquei com o telefone de contato e aguardei ser chamada.

Meu marido não gostou muito dessa parte, em que eu teria que viajar, mas se eu fosse a escolhida, ah com certeza não perderia essa oportunidade.
Passaram se algumas semanas e muita expectativa, mas nada de ninguém ligar. A grana tava curta, então resolvi cancelar o telefone para diminuir as despesas, e assim fiquei sem contato.
Por ironia do destino, eu tive que deslocar até o centro da cidade, próximo dessa empresa, então resolvi passar lá e quando procurei pelo Sr. Carlos na hora ele se lembrou de mim, disse que naquela mesma tarde estava tentando contato com todas as candidatas a vaga e não conseguira contato com nenhuma delas, e como eu estava ali, ele fez me a proposta de começar no dia seguinte e eu aceitei é claro.

O treinamento foi feito ali mesmo,não foi preciso viajar. Vieram vários palestrantes para dar o treinamento para mim e mais três rapazes que iriam ocupar a vaga de propaganda e telemarketing.

 Uma semana de treinamento e já estávamos capacitados para nossos cargos, fiquei um pouco triste porque não precisamos viajar, mas é claro a alegria foi bem maior por estar novamente empregada.

Meses, depois habituada ao trabalho, acostumada com a rotina e muito alegre por ter conquistado aquela vaga, comecei a conhecer muitos funcionários que normalmente falávamos mais por telefone e pelo MSN.
E num desses dias, acabei conhecendo o Genaro.
Ele era o encarregado pelas compras de cada filial.Todas as empresas filiais tinham que entrar em contato com ele para fazer a solicitação das compras que deveriam ser feitas para o estoque do mês.Sendo a ligação muito cara, costumávamos utilizar mais o MSN, sendo um recurso bem melhor para a empresa.Ficamos conhecendo um ao outro não só o lado profissional, mas também o lado pessoal e sentimental.

Genaro era solteiro, com 33 anos e muito conquistador, a sua experiência me fascinava, já que gostava de homens mais velhos do que eu, porém eu acabara me casando com um homem de idade igual a minha.Eu, no entanto só tinha 24 anos, casada há quatro a e já tinha uma filhinha.Precisava trabalhar não só para ajudar nas despesas, mas também porque queria me aperfeiçoar e continuar os estudos e Genaro sempre me incentivava.  Ele me dava conselho e animo que eu tanto precisava para suportar os períodos difíceis que eu passava.Um fardo muito grande que eu carregava.
Não era fácil ter que dar conta do serviço em casa, educar minha filha e ainda trabalhar fora.Mas era assim que eu tinha que levar a minha vida se eu quisesse realmente vencer, e não apenas ficar esperando que alguém o fizesse por mim.
Esperar que meu marido um dia tivesse as condições necessárias seria tolice, então teria eu que ir a luta junto com ele.

Mas Genaro estava me enfeitiçando.
Sempre bem humorado e extrovertido tínhamos facilidades para conversar e as horas passavam até mais rápido.E assim eu comecei a me apaixonar por ele.
Teclar com alguém que não conhecia era normal, mas se apaixonar, não eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo!!
Era casada, como poderia gostar de outro homem?
Tinha meus conceitos, era religiosa e não queria que aquilo acontecesse.

Eu já não conseguia tirar aquele homem de meus pensamentos, ia para casa pensando nele, final de semana imaginava o que ele estaria fazendo, cantava pelos cantos sozinha e ficava louca para chegar logo a segunda feira para nos falarmos novamente.

Ao mesmo tempo ficava incomodada, e com raiva de meu marido nunca perceber.Não perceber que eu estava diferente, que não estava mais a mesma.Talvez assim eu acordava para a realidade,mas ele nunca notava nada.Comprou um celular desses que estava na última moda e não parava de “fussar”.Dia e noite a atenção era toda para este celular, que ele estava aprendendo a mexer e esquecia de mim.Quando não era o celular , estava vendo "TV" como sempre os jogos de futebool.Não reparava  que estávamos ficando cada vez mais distantes....

Enquanto isso Genaro fazia-me cortejos engraçados, e eu me sentia uma adolescente nessa hora.Tinha-nos que dar conta de nosso serviço e ao mesmo tempo a atenção um ao outro, era como se fosse um vício.Tinha que ter o bom dia, a despedida para o almoço, o retorno da tarde e a despedida no final do expediente.
Isso era diário, as vazes ele inventava pretexto para ligar no escritório onde eu estava só para ouvir a minha voz, e eu me perguntava porque ele se arriscava tanto assim, será que gosta mesmo de mim?
E como isso aconteceu mais de uma vez e acabei ficando encabulada, porque no inicio era apenas uma amizade, e agora estava ficando mais sério, tanto eu quanto ele não conseguia mais controlar as emoções, poderíamos até ser mandado embora...
Cheguei a ter calafrio só de pensar nisso, pois eu precisava do emprego e ainda poderia ser pior se meu marido desconfiasse.
Passei a diminuir as conversas, tentava evitá-lo, mas o ele não queria de jeito nenhum parar. Até música ele escrevia para eu ler e começar a imaginar ele cantando no meu ouvido.
Ele era mesmo impressionante.
Escrevia me coisa que nunca meu marido havia falado para mim, era muito romântico, fazia eu imaginar nosso cenário, nós dois juntinhos, como se ele estivesse comigo...
Tudo que ele escrevia e pedia para eu imaginar, eu fazia e conseguia.
Às vezes ele dizia que não sabia onde estava com a cabeça, pois sempre respeitou suas colegas de trabalho, e eu ele não conseguia me tratar apenas como uma funcionária.

Na semana seguinte Genaro me ligou, eu nem acreditei na hora, meu coração acelerou comecei a tremer e não conseguia pronunciar as palavras direito.Tive que me conter.Queria poder abraçá-lo, lhe dar beijos, mas não podia estávamos muito longe.

Ele retornara de uma viagem rápida, e dessa vez ele voltou mais decidido, queria me encontrar.Eu só de imaginar nosso encontro, parecia que ia flutuar...
Imaginava a troca de olhares, o aperto de mão, o abraço e enfim o beijo.Seria um beijo muito bom, eu pensava, cheio de desejo e saudade.

Ao mesmo tempo, me perguntava como poderia  sentir saudade de alguém que nunca vi? Acreditava que poderia acabar o encanto quando resolvêssemos trocar fotos. Às vezes eu ficava a imaginar como ele seria, se era alto, magro e atlético, pois pela sua voz eu fazia essa descrição em minha mente e era difícil quando eu errava na descrição de uma pessoa que nunca tinha visto a não ser conversado apenas por telefone.

Um dia ele perguntou se eu queria viajar até onde ele estava, ele pagava a passagem do avião de ida e volta. Ah! Já imaginou eu viajando de avião?
Poderíamos nos encontrar em um hotel fazenda ,um shopping center ou coisa parecida um lugar onde ninguém nos conhecesse.
Inventaria qualquer pretexto em casa só para ir ao encontro.
Diria que era a serviço da empresa e pronto!
Passaríamos um final de semana juntinhos.
Puxa, a idéia era boa demais, a tentação era grande...Mas minha consciência não me permitia aquilo...Não! eu não podia permitir que aquilo acontecesse era pecado.
Permanecia casada e não queria me arriscar a uma aventura e depois voltar ao meu companheiro.Ele não sei, mas minha filhinha não merecia  isso.E por ela fiquei em dúvida.
Ao mesmo tempo em que queria, eu tentava fugir desses pensamentos que poderiam destruir minha vida tanto pessoal quanto profissional.
Não respondi aquela proposta mas guardei em minha mente o tempo todo, pois sabia dos riscos que corria...





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Clarice! Que nome bonito! E a voz dela então?!!
Morena! Devia ser morena, as mulheres do norte a grande maioria é morena...
Depois que comecei a conversar com essa garota, minha vida mudou...
Sim, mudou muito, e para ser sincero eu mudei...
Minha esposa que o diga...
Pode algo acontecer com dois seres que nunca se viram olhos nos olhos?
Na firma, eu sou o responsável pelas compras que as filiais fazem, então converso com vários funcionários em vários estados. Eles têm que passar os pedidos para mim, para ter o visto da compra...
E foi assim que a conheci, no começo timidamente, mas ela era muito simpática no telefone, voz juvenil, graciosa... 24 aninhos... eu com quase 34...
Então começamos a conversar diariamente pelo MSN, via Internet... Aos poucos ela foi se abrindo mais...
Não falei que eu fui mudando... pois é... Minha mulher notou...
Eu não prestava mais atenção ao que ela falava, ás reclamações cotidianas e rotineiras, ás vezes ia para uma lanchonete na esquina de casa tomar uma cerveja, sozinho, e ficava imaginando, como seria Clarice?
Ela havia me feito sua descrição física, inclusive colocou uma foto no MSN como se fosse ela, mas depois me confidenciou que não era ela... mas disse ser bem parecida...
Era uma tortura... De noite, ao dormir com minha esposa, eu cometia adultério... sim, pois no meu pensamento eu estava deitado com Clarice...
Precisava vê-la, os dias e os meses foram passando e essa agonia aumentando... passei a escrever poesias tolas, parecia que eu voltara á minha época de namoricos... mas eu tentava ganhá-la de todas as formas, me contou que era casada, eu não disse que era também... ao contrário, dizia que morava sozinho... e comecei a cantá-la da forma mais descarada...
Eu a queria... Precisava possuí-la... Seria legal... Meus amigos sempre falaram de aventuras extraconjugais, inclusive comecei a ler revistas onde se falava de troca de casais e outros assuntos sobre relacionamentos fora da esfera conjugal....
Quem sabe poderíamos nos ver uma vez por mês?
Eu poderia pagar uma viagem dela de avião para cá?.... Ela não acreditou... Sugeri um shopping center, em uma cidade neutra, onde nem ela nem eu conhecíamos ninguém...
Mas ela insistia em ser fiel a um homem que gostava mais de um celular e da tevê que dela...

No entanto não me dei por vencido... E continuei insistindo...
Agora nosso encontro está marcado... Ela aceitou ir até um shopping em uma cidade a meio caminho de nossas cidades... Disse ao marido que iria visitar uma tia que estava doente e ficaria fora o fim de semana...
Vou lá para ver o que dá... Espero que o corpo faça jus a tudo o que ela anunciou em sua voz aveludada que me fez imaginar loucuras...

Loucuras! Pois é, essa é uma das maiores que já fiz em minha vida!
Encontrar alguém e trair minha esposa...
E se minha esposa também estiver me traindo?
E se algum conhecido ficar sabendo?
E se eu beber demais algum dia e ela ficar sabendo?
Essa aventura valerá o risco?


Não sei, só sei que irei até o shopping, preciso vê-la... Ando angustiado esperando o final de semana... Terei que cortar algum gasto e guardar uma grana...
Meu lado machista está inflado de orgulho... Vou traçar uma mulher desconhecida, de outra cidade, vou colocar um chifre em algum outro homem...
Mas o lado marido está com medo... E se ela grudar em mim? Isso pode ser o início de um grande inferno... Ou quem sabe, de uma grande amizade colorida... Já pensou?

E se acaso eu realmente me apaixonar por essa garota? E se ela se apaixonar por mim? Sim, já vi isso acontecer antes... Começam a ligar para a casa, a incomodar a mulher da gente...
Mas, quem está na chuva é para se molhar...
Amanhã irei viajar para lá...
Aleluana
Enviado por Aleluana em 09/05/2006
Código do texto: T153209
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Sobre a autora
Aleluana
Cuiabá - Mato Grosso - Brasil, 34 anos
5 textos (642 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 04:27)
Aleluana