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SÉRIE: MULHERES DO BRASIL – A SIMPLES

- Moço! Moço!

Andava apressado pela calçada e ia entrando portão à dentro, quando ouço uma voz inquieta me chamando. Sinto, então, toques suaves de dedos femininos em meus ombros:

- Moço, o senhor me compra estes biscoitos de polvilho?

Olhei para a menina que interceptava minha caminhada apressada e, repousando uma das mãos no portão de madeira que dava acesso aos jardins de minha casa, ganhei um pouco de tempo para respiração e para poder me concentrar na dona de voz tão cativante.

Era uma menina novinha, começando a entrar na pubescência. Corpo franzino, jeito matreiro, andar de matuta, saia comprida. Cesta de bambu trançado nas mãos, repleta de saquinhos de biscoitos de fécula de batata, feitos com carinho por sua avó. Parecia uma camponesa saída dos livros de Charlotte Bronte.

- Mas aqui em...

- Ah, moço, compra! É pra me ajudar...

A menina interrompeu-me com uma argumentação lamuriosa. Sua voz era doce e suave. Ela deveria ter seus doze anos recém-completados, mas tinha um corpinho já bem desenvolvido, onde despontavam lindos seios que pontuavam sob a blusinha de tecido fino. A cesta de biscoitinhos e o sorriso matreiro emprestavam um ar campestre à menina, o que me encantou.

Ela vestia uma saia florida que lhe descia à canela, mas sua graciosidade não se encontrava essencialmente no corpo, pois este ainda estava em formação, mas no rostinho delicado e simplório que esbanjava doçura para meus tantos anos de vida cansada.

- Está bem! Espera um bocadinho que vou buscar o dinheiro lá dentro.

Entrei apressado pelo quintal sem ao menos indagar o preço dos biscoitinhos. Não estava interessado neles, mas a menina me cativara com seu encanto e simplicidade. Peguei uma nota de dez reais e retornei ao portão. Nesta altura ela já estava nos degraus que davam acesso ao jardim. Ela me recebeu com um sorriso encantador; alguma coisa de outro mundo. Percebia-se que estava feliz com a possibilidade de me vender seus biscoitos. Foi quando perguntei quanto custava o saquinho.

- Um real apenas moço. Somente um...

Peguei o pacotinho que ela me apresentava e dei-lhe a nota dizendo que era para ficar com o troco. A reação da menina foi tão impressionante que caímos nós dois sobre as plantas do jardim da casa. Quem nos visse naquele estado, poderia concluir que estávamos fazendo coisa feia nos gramados da residência.

É que de tanta alegria ela pulou no meu pescoço e perspegou-me um beijo gostoso que me pegou desprevenido. Não houve como segurar. Desabei sobre as plantas e ela veio junto comigo, pois estava dependurada em mim.

Levantei-me apressado, tentando evitar que fosse pego naquela situação. Despedi-me ligeiro da menina:

- Vai, vai! Sua avó está te esperando!

E entrei rápido em casa, ao mesmo tempo em que a via correr pela calçada, saltitante e alegre, balançando sua sainha de tecido fino floral e sua cestinha de biscoitinhos.

Só quando me vi em frente ao espelho do banheiro de casa, para tomar um banho, que percebi o batom no rosto. Era uma menina simples, mas tinha graça e aquilo me encantou. Deixou-me marcas. Mas tomei um banho em seguida.
Alex Guima
Enviado por Alex Guima em 15/05/2006
Reeditado em 30/05/2006
Código do texto: T156460
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Sobre o autor
Alex Guima
Eunápolis - Bahia - Brasil, 43 anos
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Alex Guima