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Como tudo começou...

     Eu ainda me lembro de meu primeiro dia de aula. Lembro que meu nervosismo e expectativa eram tão grandes que acordei muito mais cedo que de costume e fiquei inquieto até que fosse hora de me arrumar.
     Vesti uma roupa nova, que nunca tinha usado e que foi comprada especialmente para “ir à escola.”
     Minha mãe tinha um belo sorriso na face e meu pai trazia os olhos marcados por uma expressão que eu nunca tinha visto (ou pelo menos nunca reparara), hoje com o distanciamento dos anos que passaram acho até que sei o que era, mas a época não saberia formular o conceito de orgulho naquele olhar.
     O caminho para o colégio viu passar naquele dia um íntimo em ebulição.
     Não digo que estava com medo. Eu estava era apavorado! Não tinha a menor idéia do que me esperava do outro lado daqueles portões que já vira tantas vezes, mas que agora iria finalmente atravessar...
     Acho que por a caminhada foi ao mesmo tempo longa e rápida.
     Longa porque eu ia assustado, angustiado, tremendo da cabeça aos pés, uma sensação esquisita no estômago...
     Rápida também, quando dei por mim estava parado na porta do colégio. “Agora não tem mais volta”, pensei.
     Entrei.
     Uma moça toda sorriso perguntou meu nome. Eu disse. Ela consultou demoradamente uma lista enorme (pelo menos assim me parecia na hora); enquanto ela me procurava no meio de todos aqueles outros, fui ficando mais tranqüilo, embora ainda tenso.
     Ela murmurava uma cantiga alegre e que eu já conhecia e cuja letra passei a lembrar mentalmente: “Que será-será, o tempo dirá-dirá, nós temos que esperar, o que for será...”. Que alívio, tinha algo a que me agarrar (e pelo sorriso que ela me dirigiu percebi que eu mesmo estava cantarolando em voz baixa, mas audível).
     Finalmente ela me encontrou. Aquele sorriso olhou pra mim e indicou minha sala de aula.
     Quando entrei percebi que havia chegado cedo, a sala ainda estava quase vazia; apenas alguns garotos conversavam animadamente. Senti inveja deles que pareciam tão calmos enquanto eu não conseguia controlar aquele maldito tremor nas pernas.
     Para me tranqüilizar sentei no fundo da sala e pus meu material na carteira, os garotos continuavam conversando, mas num tom de voz mais baixo, talvez pela minha chegada. Os outros alunos foram chegando e sentando, falavam alto, riam, enquanto eu continuava tenso. Ninguém parecia ter me notado.
     Foi aí que me levantei e fui andando entre as carteiras. A sala ficou subitamente silenciosa. Finalmente estava calmo. Trinta pares de olhos fitavam-me curiosos. Era nosso primeiro dia de aula.
     Não havia nenhum traço de tensão em minha voz quando parei diante daqueles adolescentes e falei:
     – Bom dia! Eu sou o Professor Glaucio.
     Era apenas o começo...
Glaucio Cardoso
Enviado por Glaucio Cardoso em 20/06/2006
Código do texto: T178773
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Sobre o autor
Glaucio Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Glaucio Cardoso