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UMA EXPERIÊNCIA SINGULAR

Nos dias feriados da “semana santa” desenvolvemos uma viagem-passeio programada por meu irmão mais velho.
No dia anterior fomos pra casa dele, onde deveríamos pernoitar, pois sairíamos no outro dia bem cedo.
Saímos então do Sítio Paraíso, município de Nova Veneza-Goiás, por volta de 06 horas, com destino à cidade de Nova-Xavantina-MT, onde residem familiares nossos. Em nossa trajetória tivemos o privilégio de conhecer algumas cidades até então desconhecidas nessa grande viagem de nossa existência.
Numa delas tivemos que parar para comprar “aquele remedinho” próprio para quem já está no outono da vida, e que por um lapso de memória, meu irmão e eu, havíamos esquecido de colocar na bolsa-de-viagem. Meu irmão como líder da viagem, logo determinara que não deveríamos estar fazendo paradas.
Para não atrasar a viagem, tiramos o jejum ali mesmo dentro do carro, saboreando os saborosos quitutes preparados pela minha cunhada. Fora de casa, e com fome, tudo se torna muito mais gostoso.
Prosseguíamos.
Nos momentos sem cochilos contemplávamos as belezas desse nosso rincão brasileiro! A flora bem diversificada nos encantava com seu verde exuberante entremeado de vez em quando com lindas flores silvestres que alegram o ambiente e também enchiam os nossos olhos. A fauna despertava a nossa curiosidade diante daqueles seres não muito conhecidos e outros que há muitos anos não víamos, em face de nossos hábitos mais estritamente urbanos. Tudo isso constituía motivos para enaltecermos o Soberano Criador, que além de ter criado, tem o controle de tudo em Suas mãos!
Além da fauna e flora, não podemos esquecer a beleza dos rios, que nada os impede de seguir seus desafios.
Uma coisa, contudo nos entristecia. A estrada, que coisa impressionante! Mas logo lembramos e até comentamos: Elas, para estarem em boas condições, dependem do poder decisório dos governantes, mas eles não estão preocupados, pois na maioria, não as conhecem, já que não andam, só voam.
Chegamos à linda Barra do Garças, às 13 horas. Misturando a fome com a vontade de comer, saímos procurando um restaurante, e logo encontramos “O Panelão”, onde reunimos para nossa primeira e oficial refeição do dia. Éramos quatro: meu irmão, Inocêncio; Carmosina, sua esposa; Ismael, o motorista, e esta, que este escreve.
Ali, enquanto almoçávamos, foi comunicado à Ruth, em Nova Xavantina, que chegaríamos até o final da tarde, pois em face da situação da estrada, não se podia agilizar muito a viagem.
Um fato curioso que observamos no Estado de Mato Grosso é a quantidade excessiva de “quebra molas” existentes. E o pior, na sua maioria, nem sempre sinalizados! Dos 18 Estados brasileiros que conhecemos, e quase sempre viajando por terra, este realmente ganha com essa prática de bloquear a velocidade dos veículos.
Depois de rodar mais 150 Km (que na minha percepção pareciam ser muito mais), chegamos ao nosso destino – Nova Xavantina! Foi uma alegria, pois além de termos chegado bem, podíamos rever a turminha que nos aguardava: Manolo, Ruth, Manolinho e a dócil Melissa, filhos e netos do casal Inocêncio e Carmosina, e, consequentemente, meus sobrinhos.
A chegada do casal ali gera sempre uma atraente expectativa, pois além de matar a saudade, levam muita alegria e uma rica provisão para a filha, genro e netos.
Ali passamos dias gostosos de convívio familiar, passeios, compras e o famoso entretenimento do Jogo de Damas, ora ganhando, ora perdendo. Aliás, perdendo era a situação mais freqüente, apesar de que perdendo nem sempre é um termo que expressa perda, porque também, através dele, se alcança algum aprendizado.
Tudo era motivo de festa, somando ao prazer da gastronomia da Ruth! Quando ela vai para a cozinha, podem-se esperar novidades que faz qualquer um fugir da balança...
Entre os passeios, dois foram marcantes: o do Hotel Fazenda, pela beleza do lugar às margens do Rio das Mortes e por sua famosa galinhada Uruguaiana, em face o sabor e o preço. O outro passeio foi no Balneário Ilha Bela. E é aqui que está o ponto central de nossa experiência. Chegamos ali e vibramos igualmente com a beleza do lugar! Local bem sombreado com lindas árvores! Muitos carros estacionados denotavam a presença de muitos turistas por ali. A Ilha Bela, que bem corresponde ao nome, é formada por dois braços do Rio das Mortes. Tem uma área de 20 Km. É de propriedade do Sr. Valmor Berté.
Para chegar até a ilha é preciso, naturalmente, atravessar um dos braços do rio. Tudo normal, se não fosse necessário enfrentar uma ponte panorâmica ou pêncil. Ela é suspensa por cabos de aço e seu assoalho construído de tábuas numa largura não superior a 02 metros. As laterais possuíam, de cada lado, mais dois cabos de aço para se segurar. A largura do rio nesta posição geográfica é de 86 metros. A essas alturas, nem é preciso dizer que essa ponte balança com o tráfego dos transeuntes, deixando-os assustados. Aliás, no meu caso, estava mesmo assustadíssima porque:
– Nossa turminha atravessara logo na frente entusiasmaticamente;
– Eu ficara para traz relutando diante do desafio. Além de sofrer de acrofobia (medo de altura), eu me via por cima daquela quantidade de água tendo sob os meus pés aquelas tábuas, firmadas não sei em quê. Eu começava aquela aparente pequena jornada, mas que no meu emocional parecia muito longa. Não podia ficar sozinha à margem do rio. Todos que ali chegavam estavam atravessando para a ilha.
Assim, eu não tinha outra opção.
Entrei na ponte entre meu irmão e o nosso motorista, recebendo ora ânimo, ora pressão! Neste interregno, lembrei-me da experiência do apóstolo Pedro. Ele reparara na força do vento. Eu particularmente, não podia reparar na altura, na quantidade de água e nem na imaginária insegurança. Exercitei a minha fé nAquele que sustenta todas as coisas. Logicamente Ele estava ali me sustentando também.
Aleluia!
Chegamos em terra firme. E naquele pedaço de chão pudemos ver muitas coisas interessantes!
Conversamos com o proprietário e ele nos forneceu algumas informações sobre aquela sua propriedade. Me mostrou um lindo Jatobá (madeira de lei), centenário, que fica bem em frente ao seu restaurante. Ele tem 30 metros de altura. E desta espécie e neste porte, existem dentro da ilha 18 exemplares desta árvore. É uma linda reserva ecológica!
Tivemos o privilégio de caminhar por esse espaço tão natural, sentindo aquele cheiro característico de mato e ar sem poluição, identificando vegetação e plantas que recordaram nossa infância.
Vale ressaltar que nesta ilha, o Sr. Valmor Berté oferece hospedagem para número reduzido de turistas, para poucos dias de permanência. Ali também, ele e sua esposa fornecem refeições, cedem espaço para se fazer churrascos e piqueniques, saboreando deliciosa água de cocos, sem esquecer ainda o fundo musical proporcionado pelos gorgeios dos pássaros.
Ainda conversando com o Sr. Valmor, me senti à vontade para lhe sugerir uma proteção maior nas laterais da ponte. Ele me disse já ter colocado e as enchentes terem levado. Mas que eu não precisava preocupar, porque a estatística de morte naquele lugar era apenas de quatro pessoas por ano e que neste 2006, já tinha ocorrido três. Então, não era em vão minha preocupação!
Já no final do dia, regressamos e nos alegramos em face a nossa singular experiência. De volta, foi mais fácil enfrentarmos a travessia do rio pela temível ponte, já que estávamos felizes por tudo de interessante que havíamos visto e aprendido naquele espaço geográfico tão natural. O nosso emocional estava mais equilibrado.
Na casa da Ruth, após um gostoso banho de ducha, fomos todos saborear o gostoso lanche, que estava à nossa espera, preparado pela Valdinéia, sua eficiente auxiliar.
No dia seguinte, domingo, fomos todos à Escola Bíblica Dominical, na Igreja Presbiteriana. O estudo foi muito interessante, e versava sobre a Família. Em seguida, fomos à Feira Aberta Local para algumas compras.
À noite, novamente fomos à Igreja para assistir o Culto de Louvor e Adoração a Deus. Foi gratificante para nós, pois além de sermos apresentados como visitantes, o Pastor da Igreja falou também a respeito do livro “A Beleza e o Valor da Mulher Cristã”, de nossa autoria, enaltecendo o seu conteúdo.
Após o culto, fomos para Sorveteria, para fazer uma despedida, patrocinada pela Loussa já que no outro dia bem cedo estaríamos retornando a Goiânia e queríamos fechar com chave de ouro o relacionamento desses dias e também porque crianças sempre gostam de sorvetes.
No retorno, como dizem sempre, na volta para casa o caminho é mais perto. O Ismael que o diga. Parece que ele voou por cima dos “quebra molas”, fazendo o mesmo percurso em tempo recorde, adivinhando e querendo aliviar a “fossa” do Cencinho ao separar-se dos netos.
Graças a Deus, chegamos bem e contentes.
Cencinho, valeu!
Maria Loussa
Enviado por Maria Loussa em 24/06/2006
Código do texto: T181711

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Maria Loussa
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