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ENCONTRO... EM FIM DE TARDE...

Chove!
Os passos caminham apressados...
Chove!
A alma chora gotas de chuva quente...

Ainda é cedo, mas o céu se fechou e Copacabana corre apressada para se proteger da chuva, que apesar de ser inverno, é quente e suave. Não fustiga, não agride, refresca um pouco o calor da estação fria, no Rio de Janeiro.
Há, no meio da multidão, um homem que se destaca, pelo seu porte ainda atlético, cabelos grisalhos, olhos suaves e ternos, mas firmes...
A gente vai apressada e ele olha, uma... duas vezes... buscando algo ou alguém... Cumprimenta a mulher solitária, que segue na calçada, e, com o olhar, ele volta a procurar, no meio da multidão, alguém... Como não avista quem procura, entra na pastelaria da Avenida de Copacabana, se senta em uma mesa, pede algo para beber: um café! E continua aguardando... seus olhos percorrem, avidamente, cada rosto que passa apressado...
Há medida que o tempo passa, seus olhos vão ficando mais ansiosos. Seu olhar perde um pouco da serenidade que tinha há momentos atrás... Quem será que ele está esperando?
A esposa atrasada? Uma namorada? Um caso? Um desencontro? Um desencanto?... Chama novamente o "garçon", pede um "Romeu & Julieta"... 'goiabada com queijo'... esclarece com um ar brincalhão, como que envergonhado...
Uma mulher ainda jovem, de boa aparência, deve rondar os 50 anos, mas é elegante, de fino trato... Olha para ele com um olhar cúmplice e diz:
- Eu também adoro "Romeu & Julieta"! Não só a sobremesa, mas também a história de Sheakspeare... É muito triste, mas faz sonhar com o Amor e mal de nós quando deixarmos de pensar no Amor... o senhor não acha?
- É... concordo! A gente tem que ter sempre o Amor no coração. Pelo menos devemos estar abertos para o amor!
- Me desculpe a pergunta, o senhor vem sempre aqui?
- Não. Só hoje. Marquei de me encontrar com uma pessoa, mas acho que ela não vem... Faz mais de uma hora que estou esperando. E a senhora, vem sempre aqui? Me perdoe, não quero parecer abusado.
- Mas de jeito nenhum! Aliás quem falou primeiro fui eu, e não tive intenção de ser abusada.
- Claro, nem eu quis dizer semelhante coisa.
- Eu venho aqui quase todos os dias, escrevo... sou escritora... gosto de ver os rostos e as expressões das pessoas que entram aqui e que passam na rua. Serve-me de terapia e de inspiração...
- A senhora é escritora? E escreve sobre o quê?
- Sobre várias coisas: Crônicas, contos, poemas...
- Ah, também escreve poemas? Deve ser romântica e sensível...
- Por vezes... Sou sensível sempre, e romântica através dos meus personagens... Há muito tempo, que não tenho com quem ser romântica... Sou separada!
- Eu também...
- Também é separado ou também é romântico?
- As duas coisas. Sou romântico, daqueles que ainda enviam flores... e sou separado, porque a minha mulher me deixou. Vim até aqui com a intenção duma nova chance, mas ela não apareceu. Disse que não viria, eu não acreditei e... eis-me aqui sozinho, há quase duas horas. Esperei em vão, para tentar concertar o que não consegui durante todo o relacionamento. Não tenho filhos, estou sozinho e a solidão dói. Gostava de saber escrever como a senhora, para poder desabafar no papel, tudo o que sinto neste momento...
Mas me desculpe, estou sendo chato e nós não nos conhecemos...
- Não precisa se desculpar... e não está sendo chato não, fico feliz por poder merecer ouvir as suas confidências. Pode falar à vontade, eu não me sinto solitária quando escrevo, mas começo a sentir a falta de alguém para dividir confidências comigo... Há muito tempo que não me sentia assim... Ah, e quanto a não nos conhecermos isso não é problema grave, meu nome é Juliana. Muito prazer! E o seu, qual é?
- Meu nome é Carlos Felipe e o prazer é todo meu! pode-me tratar por Kafi, como os amigos me chamam...
A propósito, posso convidá-la para jantar comigo hoje... Juliana? Ou já tem algum compromisso?
- Claro... Kafi! Estou completamente livre e aceito com muito prazer!...
Eles se levantam, saiem para a rua, se olham... e se dispersam no meio da multidão...
 
                                                 F  I  M

By@
Anna D'Castro
(D.A.Reservados)
da Coletânea do Concurso Literário do SEERJ-Sindicato dos Escritores do Estado do Rio de Janeiro

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Anna DCastro
Enviado por Anna DCastro em 06/07/2006
Reeditado em 18/07/2013
Código do texto: T188996
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Anna DCastro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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