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De novo e mais uma vez

Um barulho invade seu sonho - 'pi, piiii, piiiiiiiii' - e ela abre os olhos. Quando olha ao redor não se move, apenas pensa 'só pode ser sonho. como é mesmo aquele negócio que eu sempre faço nos sonhos pra ter certeza que tô sonhando? ai...como é? meu deus, eu preciso lembrar antes de me mexer', mais uma vez o barulho, só que agora mais nítido, 'preciso levantar' ela pensa. Começa a se mexer, tenta não fazer movimentos bruscos.

- Bom dia. Quer tomar um banho? - ela escuta enquanto sente uma mão acariciando seu rosto
- Ah não, de novo não! - ela apenas pensa, mas fica em dúvida se havia dito - não sei, ainda tenho sono. - ela diz em voz alta.

Ele sai do quarto. Ela ainda fica deitada mais um pouco, pensa que aquilo não pode estar acontecendo 'sua vadia, duas semanas, duuuaaaas semanas de namoro e olha onde você está. o pior é que não é com ele que você namora, lembra?'. Resolve levantar. Vai pro banheiro.

Silêncio.

Os dois cruzam olhares, mas não dizem nada, nem uma palavra. 'Esse maldito silêncio, sempre foi assim, sempre. Como posso me sentir tão bem com esse silêncio? Eu não preciso falar, isso é estranho. Como eu não estou falando e posso estar me sentindo bem? Isso não é normal, eu deveria me afastar dele'. Os pensamentos dela não paravam um momentos sequer. No banho ela não conseguia entender como tudo tinha acontecido. Só queria saber o que tinha na cabeça pra deixar que aquele momento se repetisse. Saiu do banho, se trocou, tomaram café da manhã como se fossem marido e mulher, com direito a 'você quer gelo no seu suco de laranja?'. Desceram, ele pra garagem, ela pro "zero". O elevador parou, olharam-se, ele disse algo, ela não entendeu, se abraçaram, ele foi beijá-la, ela deu o rosto, ficou sem graça, virou a boca, foi um beijo desajeitado, mais um abraço, um sorriso, nenhuma palavra.

Chegou no trabalho e a única coisa que pôde fazer durante o dia foi se perguntar 'será assim pra sempre? será? cansei do silêncio que me faz bem, cansei'. Mas ai teve aquela ligação da hora do almoço e ela esqueceu todos os problemas daquela relação doentia.
Dona Lexotan
Enviado por Dona Lexotan em 04/08/2006
Código do texto: T208694
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Sobre a autora
Dona Lexotan
Santo André - São Paulo - Brasil
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