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Assim viveu e morreu o “Campeão”

Assim viveu e morreu o “Campeão”
Verídico


Existem pessoas que acham que as coisas na vida nunca vão mudar.
O sol sempre saíra, as flores serão sempre colhidas no tempo certo ou viverão para sempre.
Infelizmente, as coisas não são bem assim. Houve um tempo aqui na cidade de Santo André que estava em grande crescimento industrial que era muito fácil conseguir trabalho ou não precisava de muito esforço para ganhar dinheiro como simples serviço como o de pintor letreiro. Nesta época eu era um simples observador uma criança de uns dez anos. Quando chegava o final de semana domingo nos íamos à igreja e às vezes tinha as procissões e andávamos em grande numero de pessoas pelas ruas do bairro Príncipe de Gales. Quando a procissão passava em frente aos bares que estavam sempre lotados era pedido pelos fregueses que fechassem a porta pela metade, em sinal de respeito à procissão. Dentro dos bares onde muito trabalhadores ficavam bebendo estava sempre o “Campeão”. Homem forte na época e briguento junto com seus colegas de bar que: viravam e mexiam uma briga, mas, naquela época não é igual hoje, pouca brigas e muitas mortes. “Campeão” era pintor letrista prestava serviços àquela comunidade comercial era assim que vivia “Campeão” letrista. Separado da família por motivos de bebida alcoólica já naquela época viva sozinho. Bebia até altas horas da madrugada onde gastava todo o dinheiro na cachaça com os falsos amigos de copo. Quando acabava o dinheiro bebia a crédito, por fim ficava sempre devendo. O tempo passou eu já estava com aproximadamente vinte cinco anos quando fui enxergado com como gente pelo “Campeão”. Talvez porque nesta época eu também era consumidor de bebida alcoólica e criou-se uma amizade de bar entre eu e o “Campeão” embora que só de vista.
Freqüentávamos os mesmos bares e roda de amigos. Ali naqueles bares eu conheci muitas pessoas do bairro que haviam se entregado ao vicio da cachaça e viviam precariamente, apenas simbolizavam estar bem de saúde de felizes, mas a realidade era outra. A saúde não dura para sempre, principalmente para quem cuida mal, hoje reconheço.
“Campeão” Já com idade avançada já não conseguia bons serviços e sem família, doente se entregou ainda mais ao vicio. Alguns dos últimos amigos vendo que ele dormia nas praças ofereceram um cômodo para que ele ali vivesse. Porém já doente trabalhava muito pouco. Certa noite não me esqueço havia um comentário que se o “Campeão” bebesse morreria foi o médico que disse. “Campeão” ainda nos bares triste por não poder beber, e ali permanecia quieto. Muitos colegas de bar ofereciam bebida ele negava com pouca resistência. Certo dia, não sei qual, mas, lembro-me passei no bar bebi uma cachaça senti pena do “Campeão” por sua solidão e fui embora. Ele ainda ficou até que o bar fechasse, quando o bar fechou o “Campeão” não consegui ir embora para sua casa e ali ficou, segundo fui informado.
No outro dia quando acordei por volta das dez horas, fui buscar o pão e passei, estranhei ao vê-lo em pé encostado na parede da cobertura do bar, comprimentei-o, não respondeu, segui em frente, quando retornei para levar o pão para casa disseram-me que ele estava morto “Campeão” morreu em pé. Acredito que por estar muito frio ele morreu e seus nervos endureceram. Assim morreu o “Campeão”.

http://www.clesio.net/midis/sugestoes/domingo.mid
http://www.paralerepensar.com.br/carlosdonizeti.htm

 
Comendador Carlos Donizeti
Enviado por Comendador Carlos Donizeti em 05/08/2006
Reeditado em 06/08/2006
Código do texto: T209511
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Sobre o autor
Comendador Carlos Donizeti
Hortolândia - São Paulo - Brasil, 58 anos
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