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Lábios de Capuccino (www.pingandopalavras.zip.net)

Rapidamente abri a porta e entrei depressa, fugindo da chuva forte que caía lá fora. Ao entrar e olhar dentro do Caffé D'itállia, percebi que o ar estava diferente dos outros dias. O ambiente estava completamente opaco, onde se misturava a fumaça exalada dos cigarros junto com o calor úmido desprendido das pessoas que conversavam animadas, dando um ar de típico café italiano dos velhos tempos. Também, não era de se estranhar pois hoje estava lotado ao extremo, e todas as janelas e portas fechadas devido ao forte temporal do lado de fora. Girei os olhos rapidamente a procura de uma mesa livre e constatei que até o balcão estava totalmente tomado de pessoas, mas para minha alegria ainda tinha uma mesinha perto da "juke box", ao lado da porta de entrada principal. Sentei-me e pedi capuccino com croissant, abri o jornal e comecei a ler as notícias do dia (apesar de ser fim de tarde, era a hora que gostava de ler o meu jornal ali no café). Mas não conseguindo me concentrar na leitura, sempre olhava sobre o jornal pra ver como estava bonito e diferente o Caffé. Aquele temporal no fim do expediente trouxe muitas pessoas pra dentro, coisa que nunca tinha visto até então. Voltei a vista pras notícias e senti o jornal quase vir ao meu rosto devido a rajada de vento que veio da porta, ao ser aberta, juntamente com borrifos da chuva, que estava muito fria por sinal... Ao enxugar o rosto com o lenço, olhei de relance pra porta e vi aquela mulher entrando imponente, de cabelos negros e brilhantes, seu rosto molhado e sua pasta pingando, e ela tentando inutilmente se enxugar com as mãos, em igual estado. Passou a mão pelas pernas morenas, tirando o excesso de água, balançou os cabelos, e olhando em volta, localizou o banheiro feminino atrás da minha mesa, porém, o semblante mostrou desapontamento ao ver que não tinha sequer uma mesa livre. Mas vindo em direção ao banheiro, e tirando o paletó de seu tailleur, deixando a blusa branca ensopada mostrar toda a beleza de seus seios quase a mostra, pediu-me pra deixar o paletó na cadeira ao lado, enquanto se enxugava no banheiro... Nisso chegou meu capuccino, juntamente com ela, já com rosto e pernas secas, e o cabelo molhado. Pediu pra sentar-se, o que atendi rapidamente, puxando sua cadeira. O brilho dos seus olhos negros refletia descontentamento ao olhar sua pasta com documentos toda enxarcada ali em cima da mesa. Levantei as sobrancelhas e cerrei o cenho como se dissesse: "fazer o que? Esperar a chuva..." e perguntei se não queria um café. Com um sorriso amarelo ele acenou que sim, perguntei qual, ela disse o mesmo. Quando chegou o capuccino, ela me explicava que ia embora, normal pra aquela hora, hora de fim de expediente, e praguejou contra a chuva, sorriu pelos seus cabelos, de seu estado, mostrando a blusa molhada, que insistia em mostrar seu belo corpo... as pernas arrepiadas pelo frio... ela ria, e praguejava, num misto que me fazia alucinar com tal beleza. Conversamos sobre trabalho, ela sobre trabalho, eu hipnotizado pelo seus olhos. Ao ver as pessoas saindo, do bar, automaticamente ela se levantou, dizendo que tinha de ir. Mas, e o café, você nem tocou - disse eu - ela sorriu. Agadeceu-me com uma meiguice sem tamanho, pegou o paletó, vestindo-se, levantou a chícara de capuccino já frio, molhando os lábios com a espuma cremosa. Seus lábios ficaram com aquele creme em volta, creme de capuccino que se misturava as minhas mais profundas fantasias. Lindos, pedindo um beijo pra limpá-los, e virando, ela se foi, restando pra mim, que fiquei sem saber seu nome, uma rajada de vento e mais um borrifo de água fria na cara...
Alexandre Andrade
Enviado por Alexandre Andrade em 13/09/2006
Código do texto: T239539
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Sobre o autor
Alexandre Andrade
Estados Unidos, 40 anos
2 textos (52 leituras)
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Alexandre Andrade