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Branca de neve - A estória se repete.

Por: Milena Mendes

Em um belo e tranqüilo vilarejo, morava uma família feliz
em uma confortável e enorme casa.George era um bem sucedido empresário, comandava uma rede de empresas, muito invejado e desejado; sua esposa Miranda era uma mulher jovem, bonita, seu único problema era a misteriosa doença que a deixava  fraca. Bia, 6 anos, era a única filha do casal, uma garotinha extremamente meiga e inteligente. Era uma família perfeita, tudo corria bem, e, melhorava a cada dia.

Para comemorar o aniversário de 7 anos da pequena Bia, promoveu-se uma gloriosa festa, digna de uma princesa, comentada por todos. Já no final da festa, Miranda retirou-se indo se trancar no quarto; sua ausência só foi percebida pelo  marido e pela aniversariante, até porque em meio a tantos amigos juntos, ficaria quase impossível encontrar alguém. George foi procurá-la, e logo a encontrou sentada na poltrona segurando um porta-retratos; ficou muito preocupado ao perceber que Miranda estava queimando em febre, colocou-a na cama e cobriu-a com um cobertor. Ligou imediatamente para o médico da família, o Doutor Walter, que não demorou muito pra chegar, já que também estava na festa de comemoração. Walter aconselhou George á voltar para a festa, para cumprimentar os convidados que já estavam partindo, ele cuidaria de Miranda até sua enfermeira chegar, com todos os remédios e material necessário para um bom atendimento.

Ao final da festa, após colocar a pequena Bia pra dormir e esquivar de todas as perguntas sobre a ausência da mãe, George volta ao quarto e não consegue esconder a tristeza ao ver que Miranda estava muito mal, mas encheu-se de esperança, ela ficaria bem como todas as outras vezes. Miranda foi acompanhada pelo médico e por seu tão atencioso marido até o hospital onde ficaria em observação. Mas, logo pela manhã a fatal notícia: Miranda morrera, pedindo que George cuidasse da doce Bia. A dor tomou conta do coração de George; o que faria sem a mulher que tanto amava; o que diria à filha ainda criança; como controlar o choro; como seria pai e mãe ao mesmo tempo? Um filme passava na sua cabeça.

George volta para casa e encontra sua filha no jardim brincando com o bob seu cachorrinho de estimação. Ao ver o pai, Bia  corre alegremente ao seu encontro; a pergunta que George tanto temia não pôde ser evitada: _ Papai, papai onde está a mamãe?. Gaguejando e prendendo o choro, tenta explicar com as palavras mais carinhosas que consegue encontrar. Sentiu-se perfurando por uma flecha afiada ao ver a revolta da filha, com o desespero que chorava e dizia que tudo era mentira, que a mãe iria voltar ; Bia num ato desesperado pega seu cachorro bob, e, tranca-se no quarto, dizendo que não queria ver ninguém, só sairia quando a mãe voltasse e não aceitou argumentações. Bia permaneceu trancada no quarto por duas semanas, abria a porta apenas para receber as refeições, que sua babá ou seu pai trazia, e voltava a trancar-se.
George passa a dividir seu tempo entre cuidar dos negócios, da filha e manter viva a memória de Miranda.George mantinha-se vivo para cuidar do fruto do amor entre os dois, precisava ser forte, para que Bia conseguisse superar a perda da mãe.
Bia acabou por perceber que seria apenas os dois, um precisava do outro mais que nunca, para tornarem se fortes.Os anos iam passando, e a cada ano Bia recusava-se a comemorar seu aniversário.

Para surpresa e alegria de George, Bia, anunciou que gostaria de comemorar o aniversário de 15 anos; faltava apenas uma semana, George teria que correr contra o tempo para organizar uma esplêndida festa para sua princesinha. Mas, Bia tinha um plano: queria que George apaixonasse por Helena; uma mulher bonita, meiga, inteligente, gentil; era o George estaria precisando.
O dia da festa era alegria total. Bia usava um vestido de princesa, na cor rosa claro, uma coroa dourada e não faltou seu “trono” ao lado do enorme bolo. Seu olhar percorre o salão, avistou seu pai com um enorme sorriso, correspondendo ao sorriso, sopra a vela e o pedido: _ Uma namorada pro papai!. Seu pedido como mágica é imediatamente atendido e naquela mesma noite, George e Helena passearam pela jardim sob a luz da lua. Da janela Bia pôde avistá-los e não escondia sua felicidade. George e Helena se encontraram no dia seguinte, e no outro, e no outro, até que se casaram. Numa cerimônia espetacular.

Eram mas uma vez uma família feliz. Helena se comportava como uma verdadeira mãe, uma dedicada esposa e logo engravidou de um lindo menino que recebeu o nome de Isac.

Os dias passavam, Bia ficava mais linda e inteligente, Isac crescia, George tornava-se mais sucedido e rico, Helena mais dedicada e ambiciosa.
Bia, contava com 17 anos quando recebeu do pai a indicação para assumir as empresas ao seu lado assim que completasse 18 anos, durante uma reunião familiar. Apesar de surpresa, Helena apoiou o marido num fingimento digno de Oscar, mas após o jantar, chamou o à atenção e começaram uma discussão, Helena queria que seu filho Isac por ser homem assumisse os negócios da família; George surpreso com a reação da esposa disse que nada mais que justo que sua filha assumisse os negócios que ele e sua falecida esposa haviam construído juntos, e que o Isac assumiria quando estivesse a idade certa a parte que lhe é de direito ao lado de sua irmã Bia. Apesar de indignada e cheia de ambição, Helena fingiu ter aceitado e entendido as explicações de seu marido.

Bia já estava percebendo que os cuidados de Helena para com ela não passavam de falsidade, e começava a se perguntar se realmente Helena amaria seu pai, se tudo não passava de armação, de um golpe. Sentia se culpada por ter dando tanto apoio ao relacionamento dos dois. Agora era tarde demais para se arrepender.

Dias depois, Bia acorda com uma enorme tristeza no coração e uma vontade incontrolável de chorar, sem saber o porque, sai do quarto, desce lentamente as escadas e vai até a cozinha afim de beber um copo de suco, acha um pouco estranho o fato de não ter ninguém na cozinha, mas ignora, bebe o suco e volta em direção o seu quarto. Minutos depois ouve varias vozes no jardim, espia pela janela e vê os empregados com a mão na boca, Helena sendo amparada pelo motorista e mais á direita dois policiais. Ainda de camisola, desce as escadas correndo e tropeçando, com os olhos lacrimejando e confusa, pergunta o que aconteceu, mas sua voz quase não é ouvida, até que a cozinheira Dolores, a abraça forte: Ah filha, que tragédia!. Tragédia, mas de que tragédia ela esta falando?; pensou. Mas não demorou muito para perceber que algo muito ruim tinha acontecido. Bia acordou com o cheiro forte de álcool, chorando muito achava que tinha sido um pesadelo, mas ao ver a expressão no rosto de Dolores, não pôde conter as lágrimas, não acreditava que seu pai estava morto. Quando ouviu a voz de Helena no corredor, levantou-se bruscamente da cama, empurrou Dolores que tentava segurá-la e pôs se a gritar e estapear Helena: _Foi você, foi você!; sentiu  o peso da mão de Helena em sua face, caída no chão não sentia forças para levantar, estava triste demais para tentar revidar. Amparada por Dolores, ouve impaciente o relato de como acontecera o acidente com seu pai, ainda não sabiam como tinha acontecido o acidente e talvez nunca saberiam devido as péssimas condições do carro. Bia encontrava-se em depressão total e mais uma vez não queria sair do quarto.

Helena colocou seus planos para funcionar, assumiu a diretoria da empresa, como mãe “dedicada” pediu ao juiz a guarda da enteada e pôs novas ordens na casa. Ao perceber o inferno que Helena transformava sua casa, Bia propôs se a impedi-la, mas não  podia fazer nada, além de contraria-la. Só poderia assumir os negócios da família quando ficasse maior de idade, e não tinha autoridade para colocar outras ordens na casa sendo legalmente Helena a esposa de George.

Bia passou a investigar sua madrasta, estava sempre atenta para os telefonemas recebidos por ela, cartas e tudo mais que envolvesse sua madrasta, até mesmo suas extravagantes compras desnecessárias.

Para felicidade da amargurada e sofrida Bia, conseguiram encontrar fortes provas, que poderiam levar ao responsável pelo acidente envolvendo George. O que foi avisado imediatamente à Helena, que recebeu a noticia pálida.

Uma semana depois, era o fim do martírio de Bia. Helena foi presa, por dois oficiais de justiça, com a confissão assinada por um dos envolvidos acusando-a por ser responsável pelo ato. Tudo estava esclarecido.

Finalmente livre da madrasta e de seus maus tratos, Bia sentia-se aliviada, mas não feliz, estava sozinha e órfã, o que faria?. Provavelmente ficaria com uma tia distante, ate completar 18 anos e assumir os negócios que seu pai tanto amava, ela não iria decepcioná-lo, mas o que aconteceria com seu irmão Isac, que era praticamente um bebê, afinal ele não tinha culpa da ambição da mãe.

Alguns meses depois, Bia volta á casa que crescera, que tinha sido feliz com seus pais e infeliz ao mesmo tempo. Bia tinha amadurecido, tinha tomado decisões importantes e voltara disposta a fazê-las. A primeira delas foi ao contrário que pensavam; Bia não desfez da casa, mandou reformá-la e tirar todas as lembranças de Helena; o segundo passo foi assumir de vez suas responsabilidades empresarias; o terceiro e mais importante foi trazer seu irmão pra casa, tendo apenas 3 anos de idade dispôs se a cuidá-lo e ajudar no que fosse necessário e acima de tudo dar todo amor que ele merecia.

Essa é a vida de Bia, que hoje é a mais jovem e bem sucedida empresária.
Milla Mendes
Enviado por Milla Mendes em 02/10/2006
Código do texto: T254793
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Sobre a autora
Milla Mendes
Lauro de Freitas - Bahia - Brasil, 28 anos
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