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FIO SOLTO

Fio solto


       Antes mesmo de acontecer alguma coisa, Sandro se arrumou para ir comprar o refrigerante para acompanhar a pizza que Samanta preparava para os seus pais e sua irmã.
       _ Samanta vou ao mercado comprar o refrigerante!
       _ Tudo bem Sandro, mas não demora. Quero comer a pizza com o refrigerante.
       _ Não vou demorar, ok! Sandro respondeu com um tanto de ódio em sua fala.
       Toda vez que Samanta esta com a sua família, ela dá um jeito de ser uma pessoa imperativa, com toda a sua autoridade de senhora dona de casa.
        _ Queridinho! Não esqueça também de trazer o ketchup e a mostarda, papai e mamãe adoram pizza com estes acompanhamentos.
        _ Ok! Ok, querida, não esquecerei.
        Sandro saiu em busca de suas iguarias, ketchup, mostarda e refrigerante. Em seus pensamentos tudo ia se desenrolando. ”Sem eles, meu queridinho a pizza não fica boa e papai e mamãe no gosta de comer sem ketchup, mostarda e refrigerante. Vá comprar pois eu estou mandando”.
         Os pensamentos de Sandro cada vez mais confusos, sentimentos de total inferioridade avassalam o seu ser. A verdade é que Sandro era dominado por Samanta, um domínio psicológico, e um tanto físico também, mas apesar de tudo, Sandro era um homem calmo, só teve a infelicidade de casar com uma mulher mandona. Em sua mente Sandro tinha certeza que tudo isso um dia iria acabar, não sabia como, mas algo lhe dizia que o momento estava perto.
          Certa vez tendo uma conversa com um amigo sobre loucura foi lançada uma idéia. Basta um dia ruim, um surto, um fio solto para uma pessoa normal passar para a loucura. Sandro duvidou, era muito cético, mas o assunto ficou martelando em sua mente.
           _ Será que é assim? Fiquei louco vivendo com esta mulher mandona? Não! Não estou louco, os meus fios estão todos em seus devidos lugares. Só estou indo comprar umas besteiras para acompanhar uma pizza.
            Mas em sua verdade, Sandro já estava louco, enrolado com a sua insanidade, não notou que estava perambulando pela cidade há três dias. Enquanto seus pensamentos iam e viam tal como um metro, já tinha cometido o seu ato de loucura instantânea.
            Passando em frente de uma banca de jornal, algo lhe chamou a atenção, era uma noticia estampada na primeira pagina de um jornal loca.
             “ Quatro pessoas de uma mesma família foram encontradas mortas na manha de hoje em uma casa de subúrbio, com as investigações preliminares conclui-se que se tratava de um homicídio. As vitimas foram encontradas mortas por envenenamento, concluíram os policiais. O mais bizarro desta historia, é que o homicida também matou o cachorro da família. Os familiares eram pai e mãe e duas irmãs, sendo a mais velha casada. O esposo e o principal suspeito, vizinhos mais próximos afirmaram que o conjugue se debandou da casa dois dias atrás. Os nomes das vitimas eram: Samanta reis, Luiza Reis, as duas irmãs e Soraia dos Reis e Paulo dos Reis, pais das duas moças.”
             Sandro ficou um bom tempo olhando o jornal, em seus pensamentos ele concluiu. _ O cara que fez isso com esta família é um demente, matou até o cachorro. Mas espera aí... Samanta... Hum! Samanta é um belo nome.
        _ Nossa! Eu tinha que fazer alguma coisa, parece que era comprar algo... Mas eu nem sei o meu nome... onde estou?
         Para Sandro bastou um dia ruim para sua vida ficar de ponta cabeça. Matou toda a família e saiu para comprar ketchup, mostarda e refrigerante e se perder na sua insanidade.


Ate onde pode ir à loucura?

EDGE Nogueira
EDGE NOGUEIRA
Enviado por EDGE NOGUEIRA em 18/06/2005
Código do texto: T25632
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Sobre o autor
EDGE NOGUEIRA
Brazlândia - Distrito Federal - Brasil, 42 anos
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