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" Ser macho"...

Acordou.Olhou de um lado pro outro.Madrugada ainda. resmungou pra si qualquer coisa sobre uma mariposa que voava ali perto, mas não voltou a dormir...
Não por que tinha insônia, por que tinha medo ou qualquer coisa assim. Até por que essas doeças cheias de frescuras não era pra ele. Era home macho, não tinha frescuras. Nem estresse. Nunca se estressava, a vida era bela como pão com mortadela.
'Que artista eu sou, até faço rima de madrugada', pensou.
Bem tinha talento pra ser poeta, sempre soube, faltava apenas a consumação, acordar de madrugada e como ninguém fazer versos...
Mas uma idéia atravessou-lhe, não podia ser poeta! Esse negócio de poetar não era coisa pra homem macho, assim que nem ele. Isso era coisa de maricas na terra e na cabeça dele.
Que ser poeta que nada, devia mesmo era ser matador, sem piedade, sem escrúlo (palavra nova que tinha visto no jornal da tv). Mataria mesmo, seria conhecido, mais até que artista, porque naquela terra só matador era conhecido.
Mais um momento de reflexão: ' mas será que Padim Cícero ia achar feio aquela história de ser matador?'. Ajoelhou rápido e pediu perdão. 'Ah, minha Virgem doCéu, quero ir pro inferno não, cruzes de encontrar Belzebu'... sinal da cruz, bate três vezes na madeira ruim da cama e deita de novo.
Se bem que esse negócio de religião não era lá muito coisa pra homem, pra macho mesmo que nem ele... é, seria matador.
Levantou, como macho que era, disposto a matar, o sangue correndo rápido na veia.`Pegou a primeira arma que encontrou pela frente e pá! ...
Grande homem que era!
Acertara a velha chinela na mariposa, era muito macho, mesmo, podia sentir cheiro de morte, o que não fazia muito bem pra seu estômago, mas era macho, não tinha frescura!
Se sentindo muito homem deitou, agora podia dormir, tinha provado pro mundo seu poder de matador. Encolheu-se na cama, puxou o corbertor fininho, ajeitou o travesseiro: 'grande macho que sou'!
Pegou no sono cansado, esse negócio de ser matador era bem cansativo... mas ele aguentava, era homem macho mesmo!
Taynná Monteiro Gripp
Enviado por Taynná Monteiro Gripp em 11/10/2006
Código do texto: T261863
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Sobre a autora
Taynná Monteiro Gripp
Alto Jequitibá - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
94 textos (11256 leituras)
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Taynná Monteiro Gripp