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IDADE DA LOUCURA ( Capitulo 2)

Mais uma noite, sozinho, cercado de solidão, num cubículo imundo, cheio de teias de aranha pelos cantos e no teto. Nas paredes sem reboco posso conta os buracos que tornam possível ver de um lado a outro, na cabeceira da cama tem um especial, de manhã, quando acordo ainda cedo, posso ver através dele uma cena maravilhosa no quintal ao lado, uma bela jovem em seu banho habitual. A pele clara e limpa, sem uma mancha, sem cicatriz, a carne dura bem distribuída, curva sinuosas. Seios médios, bem rígidos apontando hora para frente, hora para o alto. Ela banha ao ar livre vestida sempre na mesma roupa, uma saia cor de rosa e um tope branco. Não consigo resistir, é só ouvir o barulho da água caindo sobre seu corpo para gruda na parede junto ao buraco que descobrir por acaso. Do buraco dá para ver muita coisa, e dá para ver sossegado. A saia caindo, bem abaixo da linha da cintura deixa ver o rego entre suas nádegas, sem dificuldade nenhuma se percebe que por baixo da saia ela não usa nada, está sem calcinha. O momento mais esperado é quando ela olha para os lados e depois se agacha para lavar as partes mais intimas. Observei que esta garota tem um rosto seco, poucas vezes sorrir. Parece ser uma garota triste, tem sempre uma expressão de cansaço. Não tem um rosto feio, tem apenas uma fisionomia carregada de sofrimento, isso pude perceber, ela não. Em nada se parece com o resto da família, todos parecem habituados à rotina. Ela não. Ela não é feliz. Uma noite destas a vi com um namorado, ele parece ser um pouco mais velho que ela, vem sempre de moto, Reparei que ficam “conversando” em frente à casa da Velha durante horas. A Velha é a dona da vila, uma senhora gorda com cara de poucos amigos, parece ter uma porrada de filhos. Acho que ainda não conheço a metade, alias de nome não conheço um ao menos. Nem o da garota que me enche de tesão eu sei.  São todos brancos, talvez sejam todos filhos do mesmo pai. No quintal tem uma criação de porcos, o terreno é grande, os chiqueiros ficam a quase trinta metros de onde estou, mesmo assim, no inicio o cheiro que vinha de lá era insuportável, mas depois de um tempo, parece ter deixado de feder, na verdade, talvez tenha me acostumado. Já vai fazer dois meses que estou aqui, o chão está sujo, nunca foi varrido, tem areia que trago grudado no sapato, baganas de cigarros, palitos de fósforos, embalagens de plástico e papeis amassados que volta e meia atiro contra a parede, insatisfeito com uma merda qualquer que escrevo. Quem me conhece e me ver sabe que não estou bem. Dizem até que não estou girando bem da bola. Mas acho isso tudo um exagero, sei apenas que no momento estou sentindo uma sede danada. Ainda é relativamente cedo e pelo jeito a noite vai ser terrível, me falta água potável, devia ter providenciado uma garrafa quando sai da Eliana. Lembro de uma situação parecida quando era garoto. Tínhamos saído para pescar (eu, meu primo e minha avó), a água do igarapé era imprópria para beber, era salgada, procuramos uma fonte de água doce e por sorte encontramos um tanque cheio de água da chuva. Sei que lá fora tem água numa bacia de pneu, o resto da água que o povo da vila usa para tomar banho, acho que a sede ainda não estar para tanto. Do cubículo ao lado, escuto um barulho de ventilador, que junto com a cantiga dos grilos compõem uma trilha sonora irritante. Acho que a negona do lado ainda esta acordada, mas ela já me disse antes que não tinha água. Talvez a loira do numero dois tenha água e quem sabe ate gelada. Se eu tivesse um ventilador afugentaria as carapanãs e o calor. Nos últimos tempos uma angustia tem me preenchido o peito. Penso que estou ficando velho e não tenho nada, estarei fazendo trinta daqui a alguns dias. E o que tenho de meu? O que tenho feito da vida meu deus? Isso me deixa um tanto inquieto. Dizem as pessoas mais próximas de mim, que eu não devia ter me afastadas de deus. Que deus entre tantos? São eles que se afastam de mim. Continuo no mesmo lugar. Acho que minha angustia vai passa, é só uma questão de tempo. Sei que ando mais triste que o normal, mas é tudo culpa de uma obsessão da qual estou me curando desde o dia em que resolvi mandar aquela mensagem. No momento que digitei aquelas palavras estava embriagado e não sabia o que queria dizer. “Você não é quem eu pensei que era”. Ela me ligou imediatamente. Não atendi. Insistiu. Não atendi. Não queria falar com ela nunca mais. No fundo imaginava que  depois voltaria atrás, acontece que um fato fez a coisa se torna seria, na mesma noite perdi meu celular durante a bebedeira  e quem achou não quis de maneira alguma me devolver. Assim passaram se dia esperando resgatar o aparelho e nesse período não liguei para ela nenhuma vez. No fim das contas parece que isso acabou sendo a solução para um problema muito serio que era o meu envolvimento com aquela mulher. Será que ela não é mesmo quem eu pensei que era? O fato é que não tenho noticias dela a mais de um mês. “Melhor assim cada um vai pro seu lado”. Ela gosta de ouvi forró e esse me faz lembrar dela. Outro dia um garoto foi pego no rio Amazonas. Ele tinha fugido de casa para ingressa na asfac. Ainda faltava muito para chegar na Colômbia, mas ele já estava bem perto, considerando que vinha de São Paulo. Só não conseguiu porque cometeu uma tolice, tinha nada que deixar escrito para os pais o que pretendia fazer. Se fosse eu, ninguém poderia me impedir, vacinado ou não, sou maior, sou um homem livre. Livre... E mesmo assim fico remoendo minha dor numa rotina miserável. A tolice romântica do garoto fez sucesso na mídia e ele deve está fazendo um sucesso maior ainda com as gatinhas do colégio. Talvez ele não ligue muito para isso se realmente levava a serio sua empreitada. Menino Quixote, ainda não é livre para viver a aventura que deseja. Eu sou. Mas o que faço? Fico preso a uma rotina miserável. Amanhã volto à academia, espero não cometer o mesmo vexame de quita passada, quando fiquei preso debaixo do supino. Minha vista está ficando embaçada, é o sono, se não fosse essa secura desgraçada tinha certeza que dormiria cedo e teria finalmente uma boa noite de sono. Não vou escova os dentes, acabou a pasta e também não vou me  masturbar antes de dormi, pelo menos hoje não. Quando eu era menino, me ensinaram a rezar antes de dormir, ainda rezei por algum tempo, mas quando me vi adolescente achei incompatível uma (...) depois da reza, acabei deixando de rezar.
Ontem tomei outro porre, do bar até a cama foram duas quedas, lembro de tudo, tem pessoas que dizem que esquecem algumas coisas talvez seja verdade. Eu não. Acabo lembrando de tudo. Uma vez apenas esqueci o conteúdo de uma frase, lembro a situação, o momento em que abri a boca e proferi aquelas palavras, mas não sei quais foram. Sei que no momento logo me dei conta do papelão que estava representando, a garota ficou assustada. Ela é garçonete. Esse ocorrido me incomoda bastante, qualquer dia, melhor, qualquer noite, anda sóbrio (e não basta estar sóbrio, é preciso que ela acredite que eu esteja realmente sóbrio) vou ter com ela uma conversa, espero que ela tenha paciência de me dizer o que ouviu de mim exatamente. Acho que naquele momento fui um pouco abusado por isso sou capaz de entender ser ela não quiser conversar comigo. Ontem à noite bebi demais outra vez, quando sai do bar andando pela calçada pisei no lodo e cai vergonhosamente por cima de uma lixeira que para minha sorte era feita de borracha de pneu e estava vazia. Tinha acabado de sai do bar depois de teimar com a Eliana que não eram quatro cervejas e sim três. Tinha bebido desde depois do almoço, já passavam das nove e eu teimando com a dona do bar que estava com razão. Não era uma teimosia levada a serio, sabia que para chegar aquele estado a minha própria custa teria que pagar bem mais que quatro cervejas, teimava porque achava cômico e me divertia com aquilo que para outros poderia parecer aborrecimento. O fim do conversa ela já sabia: aquelas cervejas iam para o caderno como também o almoço, estava duro e o que me safava era o credito. Pois sim,  depois de cair vergonhosamente sobre a lixeira e ter sido motivo de riso, marchei rumo a praça em passos largo. Atravessei a Magalhães Barata se dá a menor atenção para os que nela desfilava. Peguei a Barão pela calçada do centro e segui determinado a chegar logo em casa. Depois de seguir uns cem metros pela avenida vi uma figura conhecida. Foi ela que me vi primeiro, vinha de bicicleta no mesmo sentido que eu estava indo. Teria apenas me cumprimentada se eu não peço a ela que parasse. Era uma aluna do programa de jovens e adultos onde eu havia trabalhado a três anos atrás Disse a ela que estava bêbado, sorriu e me disse que dava para perceber.”é uma coisa horrível, me leva em casa”. Achou que não era uma boa idéia, mas eu insisti e acabou aceitando. Já tinha percebido que ela não estava só, no entanto não estava dando a mínima. Ela estava com uma turma bem jovem, uma garotada mais ou menos na da idade dela. Sabia que ela tinha dezoito para dezenove. Montei na garupa da bicicleta dela.
A vila já estava dormindo apesar de ser cedo dá noite. Pelo menos era cedo para mim, um vadio acostumado com a madrugada. Que estavam todos dormindo, era ótimo, podia tomar um banho sossegado no quintal, inteiramente nu, como não era possível em outras ocasiões. Convidei a garota para conhecer meu apertamento. Ela me disse que era bacana, achei graça. Bacana! Esta bem... um cubículo miserável deste, comentei já pegando a toalha que estava sobre o espelho da cama, tirei a camisa e marchei para o banho sem perguntar a ela se vinha comigo, se esperava eu voltar ou se ia embora, ela decidiu vim atrás e quando cai com metade do corpo dentro da bacia ela já estava lá para me ajudar a levanta. Ainda não tinha tirado a bermuda e fiquei com ela molhada. De pé tentando me recompor pedi licença para tirar a roupa, sem problema, ela me disse. Não era o primeiro homem nu que  veria completou com uma voz tranqüila que me deixou a vontade para arrear a bermuda embaixo. Só não tirei a cueca por que não estava usado, não costumo usar cuecas quando estou de folga. Tomei meu banho calado com ela me olhando também calada. Terminado o banho me enrolei com a toalha que havia deixado pendurada numa estaca e caminhei em direção ao quarto. Chegando aqui dentro cuidei logo de procura um calção para me vestir e terminei de enxugar meu corpo me deliciando com o sorriso dela. Era uma ruivinha magra e pálida, com um sorriso bonito, dentes brancos, rostinho de menina sapeca, corpo de manequim, tipo aquelas modelos que nos dá pena, agente imagina logo que as coitadinhas passam fome pra ficar daquele jeito que no fim das contas nem achamos bonito. Sou como a maioria dos homens, não gosto deste  tipo, mas ela tem um encanto, acho que é o mesmo que um dia vi numa gordinha, é um jeito de menina sapeca. Ela me parece se cheia de vida, vive de uma forma irresponsável, coisa que eu admiro nos jovem. Não sei porque ela não foi logo embora, eu em nenhum momento sugeri que queria transar com ela, não nego que queria, realmente queria, mas não naquele momento poderia ficar para outro dia. Deitei na cama de peito para cima. Ela ficou ali próximo mexendo nos meus livros que estavam aleatoriamente espalhados sobre uma prateleira improvisada. Perguntei se ela gostava de ler, me respondeu com displicência que não. Depois de um longo silencio, virei na cama e disse que queria dormir, se quisesse ficar era só colocar a bicicleta para dentro e fechar a porta ou se quisesse ir embora, fechasse e empurrasse a chave para dentro por baixo da porta. Ela, então, me disse que tinha pensado... Mas não completou a frase. Respondi que queria, mas não naquele momento, pois precisava dormir. Fiz aquilo de sacanagem. Queria brincar um pouco com ela. Era verdade que eu estava cansado, mas não o bastante para não dá conta de trepar. Estava mesmo era com pouca vontade. Fiquei quieto como quem estava doido pra dormi. Escutei ela acender um cigarro e depois de longo silencio me disse que sairia e me deixaria trancado até quando ela voltasse. Não dei muita importância ao que disse e só me dei conta que ela estava fazendo quando ouvi ela trancando a porta pelo lado de fora, quando quis protestar já era tarde, mas também não deixei que aquilo perturbasse o meu juízo por muito tempo, estava embriagado de mais para me preocupar com qualquer outra coisa que não fosse Julia. Tinha passado o dia pensado nela, estava doendo muito o ferimento que aquela idéia me causava, imaginar que Lea neste momento poderia está com outro era uma tortura cruel de mais. Não demorei muito a dormir. Naquela noite, depois de sonhar um monte de bobagens sem nexo algum, sonhei com Julia. Ela vinha de bicicleta em minha direção com o aquele sorriso bonito que só ela sabe sorri e só teve tempo de dizer “oi”. Acordei com a claridade do dia dentro do barraco o barulho dos bichos no quintal e calor insuportável derretendo meu corpo como se eu fosse um picolé. Do meu lado, para minha surpresa, a garota quer havia levado minha chave dormia feito um anjo. Estava vestida numa das minhas camisas. Pernas levemente descompostas. Não era realmente um mulherão, mas sim umas belas jovens, magra e delicada, e certamente, deliciosa.
   














Cleiton da silva
Enviado por Cleiton da silva em 29/10/2006
Código do texto: T276336
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Sobre o autor
Cleiton da silva
Capanema - Pará - Brasil
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