Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O CAMINHO DO BAMBUZAL


O fato a ser narrado é verídico, vem das minhas lembranças de infância, uma infância muito divertida  e tranqüila ,como toda fase
deve ser. Nascido e criado  em Cachoeiras de Macacú distante 80Km do Rio de Janeiro, aos doze anos já era mestre em bola de gude ,pião e pipa entre outras coisas, tinha muita liberdade, andava de bicicleta por todas os lados , alias bicicleta era mais que um meio de transporte era tudo ,a violência não assustava , acho que por isso que  nossos pais e avós inventavam tantas historias de coisas sobrenaturais como: saci pererê ,mula sem cabeça,  e outros mil contos assombrosos . Tinha um caminho, o  do bambuzal onde parecia ser a casa de todas as assombrações ,esse caminho era usado para ser chegar   rápido a vários lugares interessantes ,para ir a casa de uns dos meus melhores amigos onde tinha um poço ótimo para pesca e banho nos dias de calor eu economizava uns dez minutos de bicicleta passando por ele ,o caminho era realmente sinistro com 2km aproximadamente e num certo trecho uns duzentos metros de bambus gigantes de um lado e outro que formavam um túnel  , ao mesmo tempo era encantador e assustador , mas o caminho era muito bonito tinha até uma nascente com uma água maravilhosa que quando voltávamos da pelada era parada obrigatória matava a sede e refrescava o corpo, quando ventava o contato entre os bambus produzia uma estranha sinfonia ,  não conhecia uma pessoa sã que tivesse coragem de passar pelo caminho do bambuzal a noite sozinho,  era um lugar desafiador  ,quantos sonhos ou pesadelos eu tive naquele lugar ,as vezes lutando contra monstros terríveis outras salvando donzelas indefesas ,  já perceberam que se trata de lugar mágico no bom e mal sentido ; Bem  um dia voltando de uma pelada que terminara quase escurecendo de tão disputada que estava ,um primo e mas dois amigos me convenceu a acompanha-los pelo caminho do bambuzal dizendo que assim chegaríamos rápido em casa o que era verdade ,  saímos do campo entusiasmado com o bom jogo,  a noite caiu no começo do caminho ,como estava acompanhado não tinha medo ,a noite não estava muito escura e andando em fila única eu era o segundo dos quatro ,ao se aproximar do bambuzal um dos meus amigos começou a contar que um vez ele passava por ali a noite e apareceu um velho vindo em direção contraria que ele tomou o maior susto quando o velho falou cuidado com a mula sem cabeça ,eu logo imaginei esses cara estão querendo me amedrontar e fique quieto só ouvindo, e ele continuou,  dizendo que escutou um grito e um galope e  atras dele apareceu uma mula sem cabeça ,eu comecei a rir, quando chegamos ao bambuzal a noite ficou bem escura e realmente eu percebi o quanto aquele  lugar tinha de assustador , todos em silêncio só se ouvia os passos e sinfonia nada lúdica   do bambuzal ,de repente eu comecei a ouvir galopes e não era a minha imaginação e aquele galopar foi se aproximando e todos perceberam ,um gritou vamos correr e todos correram eu também corri e muito, sem olhar para traz sair em disparada pelo bambuzal na careira passei uns dois os chinelos já não estavam mais nos pés, correr era uma ordem do subconsciente não pensava em nada só corria , depois de alguns segundos a velocidade máxima, diminui  o ritmo e foi então que vi um conhecido montado num  pangaré caindo na gargalhada junto com os outros ,ofegante também rir da situação cômica ,mas nessa brincadeira uma tragédia tinha acontecido ,os meus chinelos novos presentes de minha tia tinha se perdido na hora da corrida ,se chegasse em casa sem eles a situação ficaria muito ruim ,minha mãe ficaria brava, ninguém gosta de ver a mãe brava ; Meu primo disse para mim procurar o chinelo no outro dia bem cedo mas eu nunca fui de acordar cedo  isso era correr o risco de ficar sem o chinelo e certamente sofreria as conseqüências desse vacilo , meio pressionado pelo dever de voltar  para casa com o presente  da minha tia e mostrar para os bobos que eu tinhas coragem de entrar no bambuzal sozinho ,me virei para o túnel de bambu e fui entrando  bem de vagar  controlando meu coração que a cada gemido do bambu parecia  que ia fugir pela boca, rezava um Pai nosso e uma Ave Maria baixinho e pedia coragem, uns cem metros dentro do bambuzal achei um pé tive sorte após um tempo procurando o outro desisti e sair do bambuzal bem de vagar como se fose um dia de sol forte e estivesse aproveitando a sombra gostosa que ali ficava ,quando sai do bambuzal meu primo e um amigo me esperavam  admiraram-se com minha coragem de sumir dentro do bambuzal e ficar lá uns dez minutos sozinho, nesse tempo  lembrava sempre do que minha mãe falava que eu tinha que temer o que tem na terra o homem, porque as assombrações são coisa que vem de dentro do nossa cabeça,  eu fazia força para só pensar em coisas boas e até por um certo momento parecia que o bambuzal escuro se iluminou  e que os barulhos do bambu roçando uns nos outros silenciaram-se  e em vez de medo eu sentir um prazer, uma sensação de poder um sentimento de vitória , mesmo não achando meu par de chinelo   decidir ir para casa e contar a verdade para minha mãe que ouviu tudo até esboçou uma risada do acontecido e disse para voltar bem cedo e trazer o chinelo de volta senão... Assim fiz coloquei o relógio para despertar às cinco me levantei e ainda em jejum  montei na bicicleta e fui procurar o chinelo, que encontrei para minha alegria todo coberto de sereno a margem da trilha. Esse fato simples com duração de mais ou menos 30 minutos na vida de uma criança de 11anos de idade  mudou positivamente a minha maneira de encarar a vida ,as assombrações ,a noite  e o medo; Aprendi também que ter coragem é ter  confiança e saber controlar o medo, e que assombrações existem na cabeça de quem acredita, e que o pensamento é poderoso, pode iluminar o noite de quem  acredita em si e confia em Deus.


Alan José da cruz castro
Enviado por Alan José da cruz castro em 04/11/2006
Código do texto: T282241
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Alan José da cruz castro
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 44 anos
18 textos (585 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 17:23)
Alan José da cruz castro