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Sensação
Por Carlinhos Hassan
A chuva cai forte sobre a cabeça lisa de Jerson. Cada pingo escorre facilmente pela testa indo ao rosto entrando pela gola da camiseta branca. O dia hoje foi bastante quente e Jerson tomou uma decisão que lhe rendeu comentários negativos. Ele não pensou muito ao fazê-lo, pôr isso mesmo o fez. Chegou a um salão em Mogi das Cruzes onde fôra fazer uma visita a um cliente seu. Ao sair da empresa sentiu-se efetivamente com vontade de ficar totalmente careca e o fêz assim que se despediu do tal cliente. Ele passou pela recepção, o cabelo bem tratado havia sido lavado noite passada. Era cheio e escuro, sempre bem aparado. Mas Jerson não queria mais aquela aparência correta, certinha. Parou o carro diante de um salão antigo de barbeiro. Para sua surpresa o barbeiro na verdade era uma mulher, a filha do barbeiro com quase quarenta anos já. Ele entrou e não deu 5 minutos despencou uma chuva forte. A questão é que em 5 minutos o cabelo sempre bem aparado já havia ido todo ele para o pé da cadeira e a cabeça esbranquiçou-se exibindo a pele a muito escondida sob o cabelo cheiroso, volumoso. A mulher então fechou a porta da barbearia e chamou o pai que veio fazer o resto do trabalho. Ele então preparou o creme de barba e começou a espalhar pela cabeça de Jerson. O rapaz estava gostando de ficar careca e a chuva ficava mais forte. Ao fim do corte já com a careca lisa pela navalha afiada e creme consistente, o rapaz levantou da cadeira. A filha do barbeiro pôs-se então a lavar a careca de Jerson. Ele sentiu tesão enquanto aquela senhora lhe passava as mãos na pele lisinha, agora tão sensível ao toque. Entregou-se àquele cafuné assumindo o prazer que sentiu. Ao sair com a cabeça pelada daquele salão em Mogi das Cruzes a chuva caiu fazendo barulho sobre a pele, escorrendo pela pele brilhante e branca como se tivesse feito nela a barba. Jerson chegou em casa já era fim da tarde. Jantou sózinho no Hotel que se hospedara ainda bem cedo no centro de São Paulo. Os funcionários do Hotel levaram um verdadeiro susto quando o viram, mas como não se podia falar nada, ninguém tomou a liberdade de tecer qualquer comentário. Mas ele o ouviu entre duas faxineiras que comentavam o quanto ele ficara feio, quando este passava por um corredor em direção ao quarto. Não ligou, afinal não se poderia fazer coisa alguma pois o cabelo já não existia;  após o jantar foi para o quarto, ligou a televisão, dirigiu-se antes ao banheiro, foi escovar os dentes e arrependeu-se de ter cortado tanto o cabelo a ponto de só sobrar aquela mancha cinza - esbranquiçada e brilhante no lugar onde teve muitos pêlos. Ficou estranho mas ao mesmo tempo era bom, pois inspirava higiene. Dormiu com a televisão ligada acariciando a careca tão novinha. O difícil agora era esperar o crescimento do cabelo tal como estava antes.
carlinhos hassam
Enviado por carlinhos hassam em 22/07/2005
Código do texto: T36629
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Sobre o autor
carlinhos hassam
São Paulo - São Paulo - Brasil, 42 anos
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