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CAROS AMANTES

Quando depois de muito esperar, eis que a figura finalmente adentra ao recinto.

Meio cabisbaixa, assim, olhando de soslaio como que não quisesse ser reconhecida.

Caminha em direção à ela com passos firmes. Joana sente um calafrio tomando-a pouco a pouco, e depois mais rápido terminando num muito. Algo que acaba se tornando incontrolável e difícil de decifrar.

Medo, ansiedade, curiosidade. E tudo isso mesclado a um desejo que lhe aquece a pélvis. Após uma longa troca de olhares, concordam em sentarem-se.

Bebidas inocentes. Petiscos leves. Conversas amenas.
Bebidas adultas. Porções afrodisíacas. Conversas excitantes.
Bebidas devastadoras. Alimentam-se com os olhos. Sussuros indecentes.

Saem a procura de qualquer lugar que possa acomodar dois amantes a altura dos seus desesperados desejos. Encontram.

Explodem-se em amores, lambuzam-se em sabores. Saciam as carnes. Quietude.

Dormiam um profundo sono quando o celular de Joana toca. Ela atende e ouve o interlocutor, apenas acenando com a cabeça.

Desliga e salta da cama para se arrumar apressadamente.

Sai sem dar explicação e sequer diz adeus.

Quando chega em casa toma um susto ao ver seu marido em frente ao monitor com vários arquivos seus abertos. Ela que sempre tivera todo o cuidado para proteger seus segredos, acabou se descuidando tomada pela emoção que sentia diante da possibilidade daquele encontro.

Senta calada diante dele esperando pela reprimenda. Para sua surpresa, Alfredo a abraça terna e demoradamente. Mesmo sem entender, Joana sente um alívio.

Sem se falarem com palavras, ele a leva até o quarto, veste-lhe a camisola e ajeita-a na cama.

Quando ela acorda fica chocada ao ver à sua frente, Alfredo e Marina.

Embora suas expressões fossem tranqüilas, ela continuava sem entender. Tentou esboçar uma frase interrogativa, mas foi calada com um descarado beijo de língua de Alfredo. Resiste... um pouco.

Percebe que nunca havia sido beijada tão despudoradamente assim por ele. Como não se sentia moralmente apta a iniciar algum debate sobre a insólita situação, apenas entrega-se a esse prazer desconhecido.

Sente que vai sendo mais abraçada do que Alfredo poderia envolvê-la. Sente então que Marina também a acaricia.

Após uma intensa e reveladora noite, Joana fica sabendo que Alfredo e Marina sempre foram amantes, antes mesmo deles se casarem e que tudo fora armado por Alfredo, desde o encontro virtual até aquela noite a três.

Com as idéias clareadas, conclui que somente um homem que a amasse muito dividiria com ela seu oculto objeto de amor. Olha com ternura para Alfredo que ainda dorme e dá-lhe um beijo na face em sinal de agradecimento.

A noite do dia anterior havia sido maravilhosa. Entregare-se as carícias do até então amante virtual e clandestino, ao menos era o que ela pensava, acreditando que Alfredo desconhecia seu caso virtual com Marina.
Porém, para ela, amor a três era algo sublime e sem margens para ciúmes, pois os três se pertenciam.
Cida Martini
Enviado por Cida Martini em 21/08/2005
Reeditado em 26/02/2008
Código do texto: T44186

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Sobre a autora
Cida Martini
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 51 anos
19 textos (1432 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 08:31)
Cida Martini