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Inesquecível Gertrudes

Nota Prévia
O conto a seguir foi escrito para cumprir uma tarefa literária, quando cursava Licenciatura em Letras. (Lou Correia)
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O destino, muitas vezes, traça linhas que se tornam verdadeiros enigmas indecifráveis. E, seriam linhas dessa natureza que haveriam de ser traçadas na vida de Vanessa, naquela noite de Natal.
A agitação característica dessa noite dominava toda a cidade de Petrópolis. Vanessa, como todo mundo, também se sentia bastante impregnada de emoção natalina e decidiu dialogar com alguém que se encontrasse num estado de espírito igual ao seu...
Mas, qual não foi sua surpresa, quando ao passar por uma praça, ao invés de encontrar alguém radiante, avistou um homem, cabisbaixo, pensativo, e foi aí que tudo começou.
Aproximando-se do desconhecido, perguntou Vanessa:

_Está sentindo alguma coisa, senhor? Hoje não é noite para tristezas, pois é Natal! Mas, mesmo assim, em que posso ser-lhe útil?

O desconhecido fixou seu olhar no de Vanessa e respondeu:
_Em nada, minha filha, o meu mal não tem cura.

Entretanto, Vanessa continuou insistindo:

_Hoje, a noite é de confraternização entre as pessoas;foi numa noite como esta que Jesus veio ao mundo. O senhor não poderia me dizer qual o seu mal? Talvez eu possa amenizar a sua dor...
_É, filha...é justamente por ser noite de Natal, que eu estou me sentindo assim, pois foi numa noite igual a esta que a tragédia arrebatou dos meus braços aquela  que eu mais amava.
_Venha cá, _disse Vanessa_ sentemos aqui neste banco, não sei por que estou me sentindo atraída pelo seu caso. Conte-me tudo, sim?
_Olha, filha, o meu mal vem da alma, vem do que de mais íntimo existe em mim; é um mal que me acabrunha dia a dia, noite a noite...
_Continue, estou escutando.
_Pois sim, o estado angustioso em que me encontro vem de muito tempo, vem de um Natal longínquo em que ela morreu, vítima de um desastre automobilístico.
_Como era ela? Bonita? Meiga? Carinhosa?
_Sim...era belíssima: alva, olhos castanhos amendoados...ela era meu tudo.
_Eu imagino, e...diga-me, ela o amava também?
_Eu acho que sim...pois não me deixava ficar só, não me deixava sentir o peso desta solidão reinante, neste momento atroz de um mundo cruel, onde vivemos sós.
_É verdade...estou pensando como é difícil encontrar alguém fiel assim...
_Sabe, Vanessa, eu agradeço a Deus tê-la encontrado, pois você me proporcionou alguns momentos felizes, quando pude conversar com alguém a respeito daquela que eu muito queria.

E Vanessa dotada de muita sensibilidade, a essa altura já se encontrava totalmente emocionada, chegando até mesmo a chorar...

_Mas...filha, o que é isto? Você está chorando?
_Estou, sim...choro porque tenho medo de não encontrar alguém que me queira, como você a queria.
_Não, não chore, você é muito jovem ainda, tem toda uma  vida a sua frente e quiçá, algum dia, chegue  pra você alguém como a minha querida Gertrudes.
_Ah, então era Gertrudes o nome da bela mulher que o senhor amou?
_Rsrsrssrsrsr(risos)...mas quem disse a você que era uma mulher?
Gertrudes era o nome da minha cadela de estimação, que ainda hoje recordo com saudade.

Outono
Copyright © 1972 By Lou Correia
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Lou Correia
Enviado por Lou Correia em 10/09/2007
Código do texto: T647103
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Sobre a autora
Lou Correia
Maceió - Alagoas - Brasil, 66 anos
84 textos (3184 leituras)
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/17 02:40)
Lou Correia