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Numa Noite de Luar


 
NUMA NOITE DE LUAR

Ao chegar ao patamar de entrada da sua nova casa, Ricardo abriu a porta, pegou na mulher ao colo, entrou e colocando-a de novo no chão desabafou aliviado: enfim sós!
Para trás tinha ficado um dia inesquecível mas atribulado, e muito cansativo. Fora o dia do seu casamento com Jessica, após seis anos de um namoro que conheceu fases muito boas e outras um pouco menos felizes. Finalmente chegara o momento que os noivos aguardaram impacientemente ao longo de todo o dia. Desejavam ardentemente ficar a sós na sua casa, e ansiavam pelo quarto e pela cama. Naquele momento o seu pensamento apontava apenas para um só objectivo: a noite de núpcias, há tanto tempo sonhada e obsessivamente desejada pelos dois.
A impaciência com que Jessica e Ricardo aguardaram a noite de núpcias teve muito a ver com o facto, invulgar nos tempos que correm, de Jessica ter feito questão de manter a sua virgindade até ao dia do casamento. Não foi fácil para ela conseguir concretizar esse seu desejo, e muito menos, convencer Ricardo a respeitar essa vontade. Ao longo de seis anos, várias foram as vezes em que ela vacilara e se vira tentada a esquecer o seu propósito. Várias vezes, levada pelo calor de alguns beijos mais ardentes e dumas carícias mais ousadas, esteve muito perto de ceder ao desejo irreprimível que a invadia, e à insistência de Ricardo, pouco convencido a esperar pela noite do casamento para descobrir os segredos guardados dentro daquele corpo sedutor. A todas as tentações sempre ela foi capaz de resistir, algumas vezes já, mesmo no limiar do ponto em que o retrocesso é praticamente impossível. Num assomo de coragem, de determinação, e também de lucidez, que era presumível já não existir a partir de determinada altura, várias vezes Jessica foi capaz de dizer não, quando tudo fazia prever que, finalmente, ela se iria entregar. Determinada a levar o seu propósito até ao fim, resistiu sempre, e sempre Ricardo se irritou ao ver gorados os seus intentos, quando tinha já como certa a posse plena daquele corpo tão desejado. Com efeito o rapaz nunca conseguiu entender a fixação da namorada pela preservação da sua virgindade.
Com maior ou menor dificuldade tudo passou, e agora ali estava ela pronta a entregar-se totalmente ao homem que sempre amou e para o qual se guardou para este dia tão importante. Naquele momento passaram pela cabeça dos dois, os mais significativos momentos de ternura que viveram ao longo dos últimos seis anos. Mas houve um que Jessica guardou na sua memória com um carinho especial. Foi o momento mais importante e mais difícil da sua, ainda curta, vida amorosa.

“ Num final de tarde quente e abafado de meados do mês Agosto, os dois jovens chegaram ao Guincho após terem assistido à exibição de um filme carregado de sensualidade e erotismo que excitou os dois namorados que não resistiram à troca de algumas carícias durante projecção do filme. Depois de terem abandonado o cinema, algo perturbados, decidiram dar um salto até à praia para estabilizarem um pouco os sentidos ainda alterados. Depois de o sol mergulhar no horizonte e à medida que o tom alaranjado do céu ia sendo substituído pelo negrume da noite, a praia ia ficando deserta. Num local isolado do extenso areal, com os corpos acariciados pela brisa quente que soprava brandamente, Jessica e Ricardo deixaram-se cair na areia, ficando deitados e imóveis a olhar as estrelas que se iam mostrando no firmamento, cada vez mais brilhantes e mais nítidas.
Era uma noite, banhada por um luar tão luminoso e tão intenso que deixava ver recortados no horizonte, os contornos das montanhas vizinhas da serra de Sintra. Era uma daquelas noites tão características do mês de Agosto em que o calor entorpece os corpos e estimula os sentidos. As pernas bem torneadas de Jessica, que uma reduzida e generosa mini-saia de ganga deixava a descoberto, tornavam-se ainda mais sedutoras banhadas pela magia do luar. Esse pormenor não escapou ao olhar do namorado que influenciado ainda pelo clima do filme que tinham acabado de ver, não demorou em começar a acariciá-las vagarosamente. Jessica anestesiada pelo calor não reagiu. Entre beijos e carícias o clima entre os dois namorados não demorou muito a aquecer. Não é difícil de calcular o que se passou a seguir. As mãos começaram numa procura frenética e cada vez mais ousada de sensações mais fortes e de locais mais íntimos, até aí interditos. Como não havia resistência, não tardou muito que os seios de Jessica se mostrassem em todo o seu esplendor banhados pelo luar. Entretanto a mini-saia, ia subindo coxas acima delicadamente empurradas pela mão de Ricardo. Em pouco tempo a reduzida calcinha de renda preta ficou totalmente a descoberto e a mão de Ricardo deslizou suavemente para o seu interior, acariciando-lhe carinhosamente a pélvis. A respiração de ambos tornara-se mais ofegante. O raciocínio estava já toldado e Jessica não encontrava nem força nem vontade para resistir. Estava completamente rendida. O sonho terminava ali.
Entretanto sem que eles se apercebessem o céu toldara-se, e os primeiros pingos de chuva surpreenderam os seus corpos colados. A principio os pingos de chuva que caíam espaçadamente não os desmotivou, mas após o primeiro relâmpago, e o primeiro trovão, seguidos de uma chuvada que já então se intensificara, o casal levantou-se vestiu a roupa já encharcada e correu para o automóvel onde chegaram e completamente encharcados.
Afinal Jessica estava salva. A trovoada salvara-a da rendição.

Na intimidade do quarto enquanto se beijava o casal recordou esse momento inesquecível para ambos. Então pela mente de Jessica passou uma ideia. Foi à janela, olhou o céu, e sorrindo, virou-se para o marido, e disse-lhe:
-Ricardo vamos sair.
-O quê? Sair? Estás louca?
-Talvez esteja, mas quero sair. Vamos. Depressa.
-Mas que bicho te mordeu? Sair? Esta noite? Estás a brincar.
-Vá Ricardo, vai buscar a chave do carro enquanto eu visto alguma coisa mais confortável. Vá lá. Não te vais arrepender, prometo.
-Está bem. Não quero começar o nosso casamento a contrariar-te. Mas que ideia maluca terás tu nessa cabeça?
-Vai. Depois verás.
Alguns minutos mais tarde Jessica entrou no carro, onde o marido a esperava e disse-lhe de chofre:
- Rápido para o Guincho.
- Para o Guincho?
- Sim para o Guincho, e nada de perguntas.
Vestia uma mini-saia de ganga, muito curta e um generoso top branco sob o qual se adivinhavam os seus seios livres e firmes e que deixava à mostra uma barriga escandalosamente lisa, no meio da qual sobressaía o umbigo bem desenhado.
Chegados ao Guincho, numa noite quente e abafada de Agosto, tal como uma outra ainda bem presente na lembrança dos dois, Jessica pegou o marido pela mão e a correr puxou-o até ao mesmo local onde dois anos antes estivera prestes a entregar-se. O mesmo calor; a mesma brisa suave e morna; o mesmo céu estrelado e sobretudo o mesmo luar prateado e intenso.
Abraçaram-se, beijaram-se apaixonadamente e deixaram-se cair sobre a areia ainda morna. Depois… depois foi a repetição de tudo quando se passara já tempos antes, só que desta vez sem chuva nem trovoada. Entre carícias, beijos, frases sussurradas, surgiu primeiro um leve ai, logo seguido de ligeiros gemidos que se iam tornando mais audíveis à medida que o tempo passava. Finalmente Ricardo e Jessica concretizaram o imenso amor que sentiam um pelo outro e em breve atingiram o prazer supremo anunciado por uma respiração ofegante e intensos gritinhos de prazer.
Depois deitaram-se de barriga para o ar, abraçados, a olhar o céu estrelado e a lua grande e redonda que parecia sorri-lhes e abençoar aquela união que ela apadrinhara. Passado algum tempo, que eles não faziam ideia quanto, Jessica levantou-se, puxou o marido para cima, e vestiram-se, Depois Jessica disse:
- Vamos querido. Vamos que temos uma noite de núpcias para desfrutar. Vamos para casa.
De mãos dadas foram atravessando lentamente a praia em direcção ao carro. No local onde estiveram deitados os noivos, ficara um quase imperceptível fio de sangue. Era o que restava da virgindade de Jessica simbolizada naquela pequenina mancha visível sobre a areia, iluminada pelo brilho e pelo encanto de uma noite de luar em pleno mês de Agosto.

Guilherme Duarte
Enviado por Guilherme Duarte em 11/09/2007
Código do texto: T647627

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Sobre o autor
Guilherme Duarte
Portugal, 75 anos
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Guilherme Duarte