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14 DE JULHO ENTRE OUTROS DIAS

Sequer teve coragem de olhar nos meus olhos, foi tão fria que eu sequer fui capaz de reconhecê-la. Aquela mulher que avermelhava os meus olhos era uma desconhecida, uma pessoa que eu sequer poderia proferir o nome. Era uma tarde quente como muitas nessa cidade estúpida, e ela conseguiu congelar tudo.

- Oi. [comendo algo]
- Fala logo que to com frio e quero ir embora. [brava]
- Acho que não tenho mais nada para falar. [descrente]
- Hum, então porque fez tanta questão de me ver hoje? [mexendo no celular]
 
Não sei ao certo definir qual foi o pior dia de toda essa situação, talvez o dia que eu ouvi “grande merda” sobre o meu tratamento e a minha cura, ou os centenas de “suma da minha vida” que ouvi, os “não te amo”, e outras frases que me feriram e que eu jamais serei capaz de esquecer.

- Podemos ser amigos?
- Não agora, tá muito cedo ainda.
- Acha isso possível?
- Talvez? Gosto de conversar contigo.[deixando claro que era só isso]

O pior de todos os dias foi quando ouvi “o problema é que você escreve”, talvez ela nem quisesse que isso soasse como uma crítica, mas realmente foi a maior dor causou em mim.

- Só sei que não quero mais nada e quero que você aceite a minha decisão dessa vez. [com raiva nos olhos]
- Do que você tem medo? [eu pensando que sabia a verdade]
- Eu não tenho medo, já te disse isso milhares de vezes. Só não sinto mais nada por você. [com verdade nos olhos]
- Sei. [cínico]
- Só sei que não quero mais nada e quero que você aceite a minha decisão dessa vez. [com raiva nos olhos]
- Do que você tem medo? [eu pensando que sabia a verdade]
- Eu não tenho medo, já te disse isso milhares de vezes. Só não sinto mais nada por você. [com verdade nos olhos]
- Sei. [cínico]
- Gosto de você, mas não como antes, como amigo só, sinto amizade por ti apenas isso. Pô é tão difícil aceitar minha decisão?

- Por que não me deixou tentar.[ainda com esperanças]
- Percebi que não era isso que queria.
- Quer outra pessoa? [com ar agressivo]
- Sim.
- Gosta de outro?[louco]
- Ainda gosto, e muito. Tentei ser sincera com você, não quis aceitar a minha decisão, sabia que sou apaixonada por ele.

Até a minha última crise depressiva, acreditava que não chegaria a nada pior do que chorar por uma pessoa. Errei. O pior de tudo é não ter sentimentos para sentir, é não sentir nada a não ser raiva e rancor. Olhava para o meu peito e não encontrava sentimento nenhum digno de ser nutrido.

- Por que não me disse que era a segunda opção?[ainda tentando entender]
- Falei que não era, só que quando fiquei com você naquele dia percebi que não era você. O que eu sinto por você acabou, pare de insistir nisso. [fria]
- E realmente gosta dele?
- Gosto.

Se uma pessoa vem e diz que não sente nada, que não deseja ter nenhum tipo de relacionamento contigo e que prefere outro a você, é melhor acreditar que é verdade.

Sei que vou lembrar das vezes que do nada ela voltou e ficou comigo e depois volta à mesma história de antes. Basta-me olhar para a minha cara no espelho e ver um otário.
 
- Sabes que não o amo, que tudo que eu sentia por ti acabou.

Sei que não deveria ter entrado na onda dela de discutir, mas dessa vez foi impossível, agüentei provocação demais da parte dela, gosto muito mais de mim, e foi uma porrada muito forte ouvir tudo que ela me disse, impossível não acreditar que o que ela diz é verdade, doe muito ouvir "não sinto mais nada por você", "aceite que não te quero mais", "gosto de outra pessoa", "acabou, não quero mais nada contigo".

Isso acaba comigo, é como se viesse alguém e me desse um tapa na cara e falasse "acorda mané que ela não te quer mais".
mário cardoso
Enviado por mário cardoso em 17/09/2007
Código do texto: T656249

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Sobre o autor
mário cardoso
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 32 anos
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mário cardoso