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BRUXA

BRUXA

Mulher de muitos nomes, mulher de muitos homens, mulher de muitas vidas... Compõe um poema, cria uma poção de amor, vai pro fogão e tempera nas panelas a melhor de suas poções...a comida que alimenta sua pequena família, seus meninos gêmeos de 6 anos.
Uma vida tão pequena, mas tão complexa que até parece um teorema, essa mulher é uma bruxa!
Viaja nos seus sonhos e carimba o passaporte em cada estação que já desceu, em cada fase dessa vida tão complexa que viveu, mesmo que sejam poucos seus 39 anos de vida, vai criando rimas, fazendo ciranda de teia, é mais uma aranha cirandeira, e faz tanta besteira!
Buscou o amor desesperadamente desde a infância, coisa difícil essa arte de se tornar mulher e amadurecer os frutos antes da hora, essa bruxa é uma árvore que ainda na semente tão pequena, já trazia consigo a herança genética de vidas passadas... Procurou a espiritualidade pra explicar sua sina e então se deparou com a magia. "O mestre só aparece quando o discípulo está pronto" e pronto!!! Explodiu no mundo sua personalidade, foi abrindo portas, desvendando alguns mistérios, conhecendo suas rotas.
Num trem de sonho e fantasia passou a viajar por aí, ora acompanhada ora sozinha, comprou mapas, bússolas, traçou despreparada e imatura sua primeira rota de fuga...Casou aos 18 anos com um homem tão ou mais imaturo do que ela, um alcoólatra, filho único, mimado desde o útero, ser humano mal criado, quisera fosse mais homem e seria ele um bastardo!
Começou cedo sua arte de artimanhas, de fazer amor, ser uma gueixa e atiçar sanhas...
Descobriu a duras penas que os moldes se deformam, as estátuas de todos os deuses teêm pés de barro, e todos os sonhos um dia ou outro acordam, foi aí que se deu seu 1º divórcio aos 21 anos.
Bruxa que sempre foi descobriu a profissão e nos números e fórmulas se formou, foi trabalhar na sua arte de conhecer pessoas e contabilizar numerário.
Sonhou amor e acordou paixão "Comeu a carne onde ganhou o pão", um chefe no trabalho, um desbravador experiente na cama, e ela que se achava tão vivida, descobriu na 1ª noite o que uma mulher pode tirar de um homem, e o que um homem com tanta gana pode tirar de uma mulher menina.
Que paixão deliciosa, estória que não vai contar pros netos, mas que ficou na pele e na lembrança, a memória teima em não esquecer esse dueto, transcendiam o corpo e gozavam em espírito com orgasmos astrais, cósmica orgia de que partilhavam e se comiam...Durou 3 anos essa novela bela, mas como toda paixão eterna "o que era vidro se quebrou".
Bruxa cigana, rodou a saia e caiu na gandaia, esfinge sacana devorou homens e somou conhecimento, fez sozinha seu desvirginamento, até que numa dessas esquinas onde todas as vidas fazem curva conheceu um homem-menino, caderno de páginas em branco que a seduziu, apostou suas fichas, escreveu nesse caderno a mais linda estória de amor que alguém já viu!
Mas êta bruxa teimosa! Tão vivida e tinha que casar pra transformar o verso em prosa... Perdeu a rima e a poesia que era tão linda se tornou narrativa, isso de guardar cuecas na gaveta faz de toda estória bela uma estória finda! Lugar de cueca é na cadeira de algum motel, invisível e desnecessária como um troféu!
Mais um divórcio, dessa vez levou bagagem além da desilusão, uma continuação... bruxa parideira deu cria dupla, um par de anjos meninos perfeitos, um estímulo à alegria da vida que todos os dias a enche de coragem. Virou mulher... desceu dos saltos e subiu num pedestal, agora sim é uma bruxa graduada! Sabe que a vida é cheia de baixos e altos, e rir é o remédio pra todo o mal, se ri de tudo e faz piada, perdeu até a vergonha e voltou a escrever... Medíocre e risonha vai rimando, trabalhando e lutando pra viver.
Ficou tão descarada que caminha na rua se rindo por dentro dessas tolas mal amadas que a condenam e criticam, por ser ela alta e relativamente bela, por estar loura e por dançar, por não ter um homem e trabalhar feito uma moura, e ainda assim ter o descaramento de rir e namorar, numa cidade pequena assumir sua espiritualidade, é certo que temem um encanto dessa bruxa tão serena, que encara a vida de frente e adora conhecer gente.
Essa mulher é a tal... da terra o sal, o cio do mundo, uma Gaia das palavras, uma cigana que roda a saia e quando se trata de escrever ela vai fundo!!!
Mas essa bruxa aqui assumiu sua magia, que se faz em cada pequeno acontecimento do seu dia-a-dia e ainda busca...
Não um homem pra chamar de seu...Pois cada um que dançou com ela essa cantiga, naquele momento, naquela dança, com certeza que foi seu!
Busca poucas coisas e dessas poucas, só quer qualidade, alguma verdade, muita liberdade e um amor feito de amizade!
JUNO
Enviado por JUNO em 28/09/2007
Reeditado em 28/09/2007
Código do texto: T672236
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Sobre a autora
JUNO
Mairinque - São Paulo - Brasil, 49 anos
45 textos (2030 leituras)
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JUNO