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AQUELE BEIJO

De todos os cantos do colégio, o muro, escondido lá nos fundos era um dos mais apreciados. Principalmente por jovens, no auge do fervor de seus sentimentos. O lugar, pouco confortável por sinal, era quase um depósito de quinquilharias, principalmente tijolos velhos, vindo da reforma de algumas salas. Também tinha sujeira alta e um pouco vasta, já que o seu Joaquim – zelador – demorava passar por ali. Foi neste lugar que minha vida mudou.
Era recreio, e eu ainda gozava da inocência dos meus doze anos. Como de costume, peguei as bolitas guardadas no fundo da mochila, e joguei-as no bolso das calças. Tinha como grande desafio vencer o Jonas. Todo o dia o desgramado me levava minhas melhores bolitas. Havia prometido para mim mesmo que daria um ponto final.
As coisas tomaram outro rumo ainda quando descia a escadaria. Era Carlinha, dona dum cabelo de anjo, e de rosto tão lindo como jamais vira. Há muito tempo por ela sentia certa paixão. Mas não me atrevia a falar-lhe. Estava ela com mais duas amigas, Rafaela, e Nanda, esta me chamou. Um calor medroso tomou meu peito, e com olhos mirando ao Chão, aproximei-me. – A Carlinha precisa falar contigo. Disse a Nanda.
Em silêncio caminhamos pelo pátio, até que nos encontrávamos, no muro dos fundos. Não sabia o que falar, e as poucas palavras que saíram da minha boca nem consigo lembrar. No entanto sei que deve ter sido qualquer coisa sem muito sentido. Carlinha olhava-me nos olhos, e aquilo me deixava ainda mais confuso. Ela respondia minhas palavras, e percebia que algumas coisas ela não compreendia, e ás vezes imperava o silêncio.
Os minutos passavam, e a mim pareciam á eternidade, pois receava faltar assunto, e que me perdesse num abismo de silêncio. Meus pensamentos insistiam a me atacar, “que ela vai pensar de você, seu bobão”! Foi então que ela resolveu apagar meus medos – ou aguça-los – e se aproximou a tal ponto de sentir seu respirar doce. Tremi. Sentia as pernas cambalearem, e quando seus lábios tocaram os meus, o muro, a escola, e tudo mais sobre a terra desapareceram...
O sinal desfez o instante mágico. Era momento de retornar à sala. Perdi a partida de bolitas, mas meu coração dizia que começava a deixar de ser menino...
Douglas Eralldo
Enviado por Douglas Eralldo em 28/09/2007
Código do texto: T672350

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Sobre o autor
Douglas Eralldo
Pântano Grande - Rio Grande do Sul - Brasil, 36 anos
242 textos (22624 leituras)
2 e-livros (186 leituras)
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Douglas Eralldo