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A reação de Vanessa.

Quero fazer apenas um alerta a você que esta começando a ler este texto agora. É necessário você ler 1º “O conto agora quer ser crônica” e 2º “o dia que Marcelo encontrou Evelyne” todos na nossa página; daí, meu estimado leitor, estará narrada a seqüência dos fatos e a compreensão será 100%. Certo?
Vanessa mandou Marcelo para o andar de psicologia, dizendo que as coisas não estavam muito certas e que um tempo seria uma forma de ver mais claramente a voz do coração e para que os desacertos não se transformassem em mágoas e não interferirem numa amizade que ainda poderiam ter.
Marcelo desabou. Depois de uma noite de horrores, acordou todas as amizades de Olinda e metade das de Recife e como não se dera por satisfeito me ligou em situações terminais, num tal de corta num corta, corta num corta, que me deixou também acordado a noite inteira e mais os outros quarenta colegas de classe em grande expectativa. E também os que acompanham essa história e eu mesmo depois de diversas dúvidas: conto? Num conto. Num conto, conto? Resolvi, crontar.
Na aula conjunta como já falei noutro momento deu-se o encontro. Na qualidade de narrador sem fantasiar, nem maquilar a cena, faço me apropriando de imagens do encontro da bela com a fera. Mais e principalmente. Os currículos amorosos dos envolvidos já eram do conhecimento de todos. Mas o papo de Marcelo não deu liga e as posições de bela e fera num piscar de olhos se inverteram e novamente as ridículas exposições de homem apaixonado como vimos no caso Vanessa. No de Evelyne tomaram os corredores com declamação de poemas enigmáticos onde o infinito era as estrela e a imensidão do universo não cabiam tanto amor.
Desavisada Vanessa que depois do rompimento faltara àqueles três dias que antecederam ao encontro de Evelyne e Marcelo e um quarto que por conta do seu horário de aulas não havia necessidade de sua presença. Não sabia que aquelas declamações já tinham o endereço de outro coração. Contava vitórias para Geane:
– Está aqui oh! No meu pé! Vou dá-lhe um castigo. Num sabe com quem mexeu! Me chamo Vanessa!
E eu chefe de confessionário escolar na qualidade de detentor das mais variadas confissões assumia posturas de Padre que só escuta e não tenho nada com isso e de crontista por que afinal ninguém pode fugir de sua sina. Assistia nos ângulos mais privilegiados e dos recheios dos tantos disse me disse que se sucediam aos montes.
Lembrei-me da música do Erasmo “vou acabar ficando nu pra chamar sua atenção” mas lembre-me desta música não por acaso, mais para narrar o desespero de Marcelo em chamar a atenção de Evelyne. As loucuras de amor que levam um coração apaixonado, fazerem. Na esperança de receber nem que seja um olhar, um sorriso ou até mesmo uma bronca. Mas Evelyne passava sem nem notar. Erguida com postura celestial com os cadernos colados ao peito e andar de quem pisa no céu do Senhor e vendo frases escritas nas estrelas. De fundo com certeza se ouvia a música da propaganda da cerveja: “Quando passas por mim, sem me notar”. Marcelo ia a loucura e num ato desesperado fez logo as pazes comigo, num digo as pazes pediu o pinico mesmo. Sentou no confessionário e foi logo dizendo:
-Manuel me ajuda, cara! Estou desesperado ela não me dá atenção.
- Quem?
- Tu sabes, não pisa mais, cara! Eu já estou triturado.
- Não tenho a menor idéia!
- Que faço para conquistar aquela mulher, rapaz me dá uma dica?
- Vanessa?
- Ora porra Manuel! Evelyne. Sei que você está sabendo, num disfarça, homem.
- Epa! Epa! Devagar meu véio! Que tenho ver com isso.
- Você é meu amigão, só você me salva. Vamos! Vamos!
Deu-me pena o estado lamentável do rapaz. Estava aos trapos, emocionalmente. Refleti, desta vez ele corta com certeza.
- Já deu flores, Marcelo?
- Não! Funciona?
- Acho que sim, toda mulher gosta de flores.
- Amanhã! Trago um caminhão de flores, Valeu amigão!
Eita! Cabra exagerado. Logo cedo já fiquei no posto de observação naquele privilegiado de todo crontista. Imaginem a cena.
O lugar de convivência da faculdade é amplo e lá no fundo uma lanchonete onde todos passam antes da aula. Não sei, se as forças do universo conspiram e acredito muito nisso. Vanessa e Evelyne, num sei se falei nem se conheciam, saem ao mesmo tempo da lanchonete e lá no início do espaço surge Marcelo com uma braçada de flores.
Um cachorrinho que as irmãs beneditinas criam na faculdade vendo a cena fechou os olhos com suas patinhas, como que dizendo – Meu Deus! É agora. Realmente Marcelo de um lado vindo pra lanchonete com a braçada de flores do outro Evelyne que logo abriu um sorriso e Vanessa na certeza absoluta que as flores eram para ela já abrira os braços para recebê-la.
Não! Não! Não vou ser cruel com o meu leitor. Esta cena, que mais parece um duelo de velho oeste, de um contra dois, para ser mais exato, um contra duas. Tenho que trabalhar mais para ficar bem crontada.
Crontei.
Depois eu cronto muito mais, prometo.
Manuel Oliveira
Enviado por Manuel Oliveira em 06/10/2007
Código do texto: T683792
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Sobre o autor
Manuel Oliveira
Olinda - Pernambuco - Brasil, 63 anos
64 textos (5107 leituras)
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Manuel Oliveira