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Separados na Fé


                   

Todos naquele momento estavam indiferentes a todo acontecimento em volta!
É assim mesmo o que acontece em cidade grande! Ninguém poderia imaginar o nascer de um grande sentimento entre dois seres muito especiais, eles tinham a capacidade de compreender e aceitar até mesmo os momentos muito infelizes, sofriam com a infelicidade dos outros, nas suas concepções religiosas amavam tanto ao Senhor, que olhando-os, faz-nos lembrar dos versos de uma linda música:
     “Mesmo que os montes desabem sobre mim,
     Mesmo que os homens se voltem contra mim,
    Meus lábios não deixarão de ti louvar!...”
Sim, Elali  e Randler, são os personagens muito especiais dessa história!
  Elali, jovem morena com seus 23 anos, não vamos fantasiar dizendo ser ela linda estonteante, mas sim, moça de singela beleza exterior e grandiosa beleza interior. Perde a mãe com apenas 10 anos, e na normalidade de alguns casos, podemos dizer: filha sem pai. Seria mais uma brasileirinha desamparada, se não fosse o amparo de freiras assistentes sociais.
Na sala de assistência social pertencente à igreja de Sta. Filomena, tendo como pároco Padre Antônio, Elali tinha neste trabalho um grande aliado para ajudá-la a viver feliz, tanto do lado psicológico como no material, e o complemento de uma séria e convicta educação religiosa, continuada passo a passo pelo Padre Antonio, que a acompanhou desde sua infância.
Agora, uma funcionária inteligente e dedicada, prepara para terminar mais um dia de trabalho. Fecha  a porta de sua sala às vezes é como se fosse um ritual, só que dessa vez leva algumas pastas para conferir em casa. Na rua, caminha até o ponto de ônibus, pensamentos cheios de indagações:
--- Meu Jesus, sabeis como eu tenho tanto amor em ti e na minha mãezinha, N.ª Sra, mas minha vida é demais solitária, gosto de todos que convivo, recebi muitos carinhos, apesar de  ter me tornado órfã muito cedo, ainda recordo dos momentos de ternura de minha mãe, agradeço a grande educação religiosa que recebi, entretanto algumas vezes a infelicidade parece tomar conta de meu ser, no meu quarto, a solidão me apavora, só por momentos, porque sei que não me abandonas.
Num determinado momento notou que um jovem a observava, no ponto de parada obrigatória de ônibus, um pouco encabulada, mas continuava  seu monólogo em pensamento:
--- Nossa! Que olhar, faz-me estremecer, interessante  não ver nesse jovem uma beleza fora do comum, e olha que sinto sua presença tão aconchegante! Não é tão alto, moreno, apesar de parecer tão compenetrado tem aparência de ser extrovertido, é o padrão de homem brasileiro no geral, parece que nossos espíritos estão unidos, apesar de estar vendo-o pela primeira vez, e não está me deixando preocupada pela proximidade de ser um estranho, não só por ter uma nítida impressão dele ser um estudante, ou um pesquisador pela quantidade de livros que carrega em sua maleta, mas sim pelo seu aparente olhar firme, bondoso e fiel, o ser humano, mostra muito sua personalidade pelo olhar, creio ser assim no meu modo de pensar.
O rapaz, não contendo o breve silêncio entre eles, começa o diálogo:
---  Desculpe minha intromissão de tentar um diálogo com você, se me achar ousado ou antipático, pode me ignorar e não lhe importunarei mais.
---  Antipático, não, mas ousado, um pouquinho!... Mas, pode continuar,  disse ela com um leve ar meio maroto.
--- Não pude deixar de notá-la, tão linda e compenetrada, seus pensamentos parecem percorrer o universo, buscando o infinito... Na impossibilidade de poder desvendar seus segredos, responda-me apenas o seu nome e talvez a permissão do começo de uma amizade.
  --- Me chamo Elali, não me custa responder, porque sinceramente sinto muito lisonjeada com o elogio e ao mesmo tempo torcendo para que seja  sincero, minha vida se resume  do  trabalho que ajuda na área de assistência social, liderado pelo Padre Antônio e das irmãs religiosas, sinceramente  notei que você é muito interessante, pela quantidade de livros que carrega, deve ser um devorador de leituras.
---  Obrigado pela observação, apesar de não ter  perguntado  meu nome, vou logo dizendo: meu nome é Randler, realmente gosto de ler muitos livros, trabalho na organização de relacionamentos humanos, tendo como chefe o Pastor Oswaldi, dedico muito nesta área, porque nós evangélicos devemos preocupar em ajudar no relacionamento das  pessoas, para que o mundo não tenha um turbilhão de seres infelizes, por não saberem conviver com os semelhantes. Ah! Mas, você está dizendo que trabalha com padre e freiras religiosas, então és católica?
-- Sim, e jamais deixarei de ser, desculpe seu desapontamento pela minha convicção religiosa, mas o que se pode fazer?....
Também sinto-me incomodada, pois nunca tinha dialogado com um protestante!
-- Não vamos dizer protestante, mas sim um evangélico convicto,
também nunca tive um diálogo com uma católica, não sinto-me desapontado, mas curioso e uma vontade de ter um relacionamento harmonioso com você, minha querida Elali.
Continuando com nossa história, os dois jovens fizeram de tudo para ficarem juntos. A proximidade fazia com que o amor aumentasse em grande intensidade entre eles, Randler, o jovem evangélico, interessava em aproximar cada vez mais do meio em que sua amada vivia, e Elali a jovem  católica também demonstrava interesse de também conhecer o viver daquele que estava amando e sentia que este amor estava atingindo proporções inimagináveis!...
  A atração física tornava-se para eles muito intensa, mas continham-se para não manchar aquela união tão bela, apesar da paixão que se aflorava a cada dia, o grande amor entre os dois estava acima de tudo, impedindo que qualquer  ato  impensado poderia estragar suas vidas, com o terrível remorso de irem  contra  os preceitos daquele que é o dono das vidas e é o verdadeiro  amor, o Deus  que  tanto  amam   acima  de tudo.
A proximidade fazia com que eles desejassem não separarem jamais, os passeios de mãos dadas aumentava aquela química tão natural nos casais enamorados.
Entretanto, o impasse continuava, estavam separados em suas convicções religiosas!
No caminhar de mãos dadas e nos corações entrelaçados o impasse de idéias começa com Randler ao dizer:
--- Sabe querida, os primeiros cristãos foram tão fiéis a Jesus e ao mesmo tempo a                  comunhão de ideais entre eles era magnífica, no meio deles podia sentir a paz, a mansidão e uma felicidade quase inexplicável, era o céu nesta terra cheia de contraste, nem as tremendas perseguições dos pagãos cheios de ódio por não entenderem por que aquelas pessoas viviam tão felizes, pregando o amor e acreditando que um tal de Jesus era Deus e tinha ressuscitado. Por pior que fosse o castigo aqueles cristãos não abriam mão de seguir e  amar Jesus.
Mas infelizmente com o passar dos tempos  estes seguidores do Salvador, foram se desviando, se contaminando, até que numa determinada época a reforma e separações foram necessárias!...
--- Há, já sei, aí que entraram os protestos e muitos denominando-se evangélicos, comentava Elali com certa crítica.
--- Parece que você não acredita na importância da história da igreja, comenta Randler, um dos grandes precursores da reforma foi Lutero, este irmão foi muito perseguido pela igreja Católica por  não concordar com as vendas de indulgências e vários outros procedimentos indevidos de seus líderes eclesiásticos. Lutero só não teve um fim trágico de ser martirizado, porque foi protegido pela providência divina.
--- Acredito sim, sei que houve erros e abusos dos antepassados de minha igreja, humanamente todo erro é possível. Martinho Lutero nas suas 95 teses procurava expor os erros da igreja, não tinha intenção de separar da igreja Católica, nem pretendia que seus seguidores rompessem também, ele não foi só perseguido por alguns líderes católicos mas sim por outros reformadores também, pelas grandes controvérsias em dois mil anos de cristianismo, quanto debate, quanta carnificina por causa destes desentendimentos, mas ao analisarmos bem este assunto, as interpretações sempre estará em pauta, pois mesmo os discípulos de Jesus existia alguns desentendimentos, mas acredito que a comunhão de idéias acontecerá um dia, isto ninguém pode duvidar.
 Randler comenta quase implorando:
-- Mas bem que poderia nossa comunhão de idéias coincidisse agora.
-- Como? Rebate Elali, eu deixar de ser católica? Isso nunca!...
Os dois, já estavam completamente apaixonados um pelo outro, aquela divisão de religião os atropelava, a primeira vista parecia simples, bastava continuarem juntos, se possível uma união verdadeira perante Deus, depois cada um seguia sua igreja sem comentários de desentendimentos, mas eles sabiam que não seria assim, os ideais de cada um já estava entranhado até no íntimo deles. Mas uma coisa essencial sabiam, o Jesus que amavam e seguiam cada um da sua maneira, era o mesmo. Uma solução deveria ser tomada, ir ou não em frente aquele romance, conclusão Randler tinha toda confiança no Pastor Oswaldi e Elali confiava muito em Padre Antônio, resolveram os pombinhos pedirem opinião cada um com o conselheiro de sua confiança. Aconteceu que a opinião foi unânime dos dois ministros, reconheciam que a união teria complicações, mas, a decisão só caberia aos dois decidirem, é lógico, o conselho foi pedir muita orientação espiritual. O emaranhado parecia envolver os dois jovens cada vez mais, resolveram dar um tempo no namoro e neste período pedirem orientação ao grandioso mestre Jesus.
Passados poucos dias aconteceu um fato, para muitos não tinha nada a ver mas para outros era obra  da Providência Divina, uma Organização Cristã tentava providenciar uma comissão de missionários voluntários, para um país distante e de difícil acesso em todos os sentidos de entrada de cristãos, os missionários poderiam ser de várias denominações, inclusive até católicos também. Por incrível que pareça, Randler e Elali foram aceitos entre vários dos voluntários, mas separados, cada um no seu grupo.
E partiram para a missão de ensinar o cristianismo em outras terras em que predominava outras religiões, mas será que o testemunho terá impacto, ou a divisão do próprio cristianismo não consiga mostrar a verdadeira luz de Nosso Senhor Jesus Cristo!...
(Aceito críticas dos meus colegas e amigos,  para este conto-romance, e que o nosso cristianismo fortaleça sempre!...)

José Lourenço Florentino
Enviado por José Lourenço Florentino em 18/10/2007
Código do texto: T700149
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Lourenço Florentino
São Lourenço - Minas Gerais - Brasil, 72 anos
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José Lourenço Florentino