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Sonhos doces misturados ao sal em pitadas de realização

Prematuramente minh'alma brota; verde. Com ânsia do ser. Histórias, sonhos recheados de fantasias cercavam-me. Já bastasse o que vivi à quimeras antigas e chorei por sentir a realidade à flor da pele... Não mais em utopias é que encontro minhas verdades. Anos a fio junto aos dias de dor fizeram-me enxergar que estão nas verdadeiras histórias da realidade o lugar onde posso encontrar as cores do sonho.
As páginas do calendário que já assisti mudar trouxeram-me o desejo de reviver o que no passado fizeram-se pilar às possas de dor que hoje minimizaram-se em gotas.
 Anseio poder sentir a lembrança e voltar ao primeiro dia em que firmei meus pés num desequilíbrio excessivo e tentando me concentrar, aquietei-me e assentei. Com o rosto apreensivo, engoli seco a sensação de liberdade que meus braços inseguros, finos e inocentes causaram; eles, pois, tremiam e guiavam, jogando-me de um lado para o outro, veloz e constantemente. Fizera-me então, notar quão deslumbrante é poder sentir a força da finura das pernas que me sustentavam e pela primeira vez me fizeram criar asas e vor sobre aquela bicibleta cor-de-rosa, doce e tímida. Quero voltar à época em que tudo que existira ao meu redor era novo, e em cada descoberta, tornava-se lindo....
 ...Onde meus olhos -que felizmente- ainda protegidos pela membrana da inocência, poupavam-me de enxergar a frieza da insuficiente paciência colérica do caos que afligia -e ainda atormenta- os mais crescidos. Também não avistava eu, motivos pelo qual a murmúria constante e initerrupta daquela chuva frágil, inofensiva e macia de todos os finais de tarde e aos fins de semana. Mas não percebiam, que se aquele motivo de suas murmúias não acontecesse, sentiriam falta e cairiam em si percebendo tamanho egoísmo brotado dentro da alma.
 Hoje como espectadora de minha existência admito que não apenas vivi, tampouco despertei durante todos esses dias simplesmente sentindo o ar por entre as narinas. Não! Eu sonhei. Viajei num desses sonhos, onde tudo transformara-se em realidade, em presença viva, num simples passe de mágica, em meu perspicaz e certeiro fechar de olhos.
 Os convulsos desejos que me atormentaram docemente a infância, ainda acompanham-me. Apesar de terem agora, constituido-se numa feição pouco menos doce, seu sabor confunde-se com o gosto daquelas gotas de chuva. Tomaram cores consistentes; Silhuetas de veracidade e vigor. Tenho de admitir que desta vez, materializaram-se em corpo real e sólido. De fato, mais exigentes... obrigam-me muitas vezes, expulsar aos poucos as gotas dessa chuva por entre meus olhos; Vejo a água por inteiro esvaindo-se e tornando os desejos vertiginosamente maciços; Que incrível!
 É a dor de um sentimento transformado em desejo ardente e saltitante nas veias que fortalece e põe a ânsia por este cada vez mais próximo a mim.
 Meu desejo é que em breve os sonhos fiquem menos doce e levemente salgado; porque entendo. Por este sabor cada vez menos adocicado, farão com que eles estejam de quanto em quanto mais perto da realidade. E então, quando de súbito me deparar à eles, o que era salgado, doce, nem mais sei; Não fará diferença alguma. Apenas ficarão na lembrança por conseguirem me fazer sentir no paladar o sabor de um sonho realizado.
Heloisa Rech
Enviado por Heloisa Rech em 24/10/2007
Reeditado em 13/11/2007
Código do texto: T707928

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Sobre a autora
Heloisa Rech
Joinville - Santa Catarina - Brasil, 27 anos
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Heloisa Rech