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Pequenos amores cotidianos

Esta é a história de quatro pessoas que não se conhecem, e se amam. Ao longo dos meus devaneios, falo um pouco sobre cada uma delas.

Once upon a time, como tenho começado muitas das minhas dissertações, numa dessas cidades grandes, onde sempre em meio a multidões, as pessoas são sós.

Aqui conto a história de Rogério, que amava Fernanda, que amava Fábio, que amava Patrícia, que por sua vez amava mesmo poder ir e vir sem ter de pedir permissão, amava sua liberdade.

Tudo começa muito tempo atrás, quando Fábio, talvez a peça central desse polígono ainda estudava no colégio e conheceu Fernanda. Esse encontro data de mais de dez anos atrás. Naquela época os dois eram meninos, se descobrindo, descobrindo o mundo, a vida, os amores e os desamores. (Errado é dizer que não estamos aprendendo a cada dia).

Fábio era um menino que andava cheio de band-aids, não, não que ele fosse sapeca, essa era sua moda. Por outro lado, Fernanda o observava de longe, lá do fundo da sala, e se dividia entre o amor e a raiva, raivinha juvenil.

Nos últimos dias de aula, enfim trocaram algumas palavras, uma ou duas, trocaram telefones (bons tempos sem Internet) e se foram. Nunca mais se viram.

Nos anos seguintes, se falavam pontualmente no aniversário de um, e do outro, e depois só no próximo ano. Parabéns....Obrigado...Assuntos do cotidiano...”Como você está?”....”E você?”........Marcavam mil encontros e ninguém ia......Típica conversa de elevador.

Nessa época, Fábio estudava no cursinho (aqueles para vestibular), e conheceu Patrícia. Não podiam conversar muito, afinal naquelas cadeiras escreviam seus destinos, então trocavam bilhetes. Um aqui, outro ali....Três ou quatro no ano. Bilhetes daqueles que ninguém nunca vai entender se algum dia se atrever a ler. (Sugiro não o fazer!)

Pouco papo, pouca aproximação. Ela tinha namorado, e Fábio usava Ralph Lauren. Não se viram mais.

Até que num desses encontros com Fernanda, foram. Encontraram-se, não acreditaram, riram, conversaram, ficaram.

Ficaram e resolveram namorar. Sim, quem diria! Foi um namoro longo, de cinco anos, onde viveram de tudo. Namoraram, moraram juntos, aprenderam um com o outro, brigaram, se amaram, conheceram pessoas, lugares, e principalmente a si mesmos. Riram e choraram juntos. Terminaram. Alguns dias tristes, outros para cair a ficha, entenderam, aceitaram.

Após algum tempo Fábio se encontra com Patrícia, encontros casuais, peças que o destino nos prega. Conversaram, mataram a saudade, ficaram (termo muito usado nos dias de hoje). Resolveram namorar.

Patrícia muito madura, conhecedora e segura de si, e Fábio ainda um menino, eterno menino, ainda sem saber o que querer, o que não querer, o que o futuro prepara para ele.

Num outro canto da cidade, Fernanda se distrai com as amigas, afinal, é preciso deixar de chorar, é preciso viver, ser feliz. É isso que Fábio sempre lhe falou. Até que como que quando nada mais ela esperava, aparece Rogério. Faz graça, oferece uma bebida...............carona.................um beijo, Fernanda aceita a cordialidade. Apaixonam-se.

Fábio e Patrícia namorar. São felizes ao seu modo, como nunca antes foram, mas Patrícia sente sempre falta da sua liberdade, muita falta afinal os pássaros só são lindos se estiverem voando, e Fábio se sente confuso, muito confuso com o que realmente quer. Confrontos internos..............secretos...............maldosos.

Terminam.

Ficam tristes, muito tristes, emagrecem, se machucam, e tocam a vida. Lembra-se? É preciso ser feliz.

Enquanto Fernanda se diverte com Rogério, fazendo tudo aquilo que não fez no seu namoro, Patrícia se delicia com sua liberdade, e voa. Voa alto. E o Fábio??

Está só. Fábio, que era o centro daquele embolo todo, agora fica a sua margem.

E pensa. Pensa muito, e se lembra de quando sua mãe lhe disse que era uma ilha. Sim, ilha. Não consegue se sentir feliz. Falou e fez tantos felizes, que acredita não ter sobrado felicidade para mim (ops, digo, ele).

Pensa mais e se lembra que ouvia certa vez que para completar sua vida, deveria plantar uma árvore (“as árvores somos nozes”), escrever um livro e criar um filho.

Tomou como sua missão.

Este ano Fábio comprou sua casa. Vai morar sozinho, isto vai fazê-lo feliz. Mas não completo, não terá auxílio na escolha da cor das cortinas. Porém, sabe que seus planos sempre dão certo. É incrível, mas as coisas sempre acontecem para ele.

Então amigos, vemos que mesmo momentaneamente triste, ele caminha para dentro do seu pequeno mundo.

Como Fernanda com Rogério, Patrícia com sua liberdade, Fábio fica com sua ilha.

Já observaste como é uma ilha?? É cercada por mar, de difícil acesso, mas com suas belezas particulares, escondidas, pedindo para serem desbravadas. Na Ilha do Fábio, os casais como Fernanda e Rogério, sonham em se refugiar. Já os pássaros livres como Patrícia têm nela seu porto seguro, para se protegerem e se recomporem para a próxima jornada, o próximo vôo.

A Ilha do Fábio, é assim, estará sempre lá, fixa, cercada pelo grande mar, mas sempre aguardando os casais apaixonados, e os pássaros. Este é seu jeito de ser feliz. E é.



DanteOlivares
Enviado por DanteOlivares em 20/11/2007
Reeditado em 20/11/2007
Código do texto: T744091
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Sobre o autor
DanteOlivares
São Paulo - São Paulo - Brasil, 35 anos
31 textos (3183 leituras)
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