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Enrola e acende... (o Natal especial do Poeta)


     - Regina, frita uma mandioca pra mim. Cozinha primeiro e depois joga no óleo pra deixar ela bem torrada que eu quero saborear com uma cerveja gelada.

     - Essa hora amor! To cheia de trabalho preparando a ceia. Pega ai um pedacinho do pernil ou um pouco de frango frito. Ta dando o maior trabalho isso aqui e você ainda quer que eu frite mandioca! Para com isso homem.

     - Amorzinho, eu to com vontade

     - Porra homem, você e suas vontades! Daqui a pouco seus amigos vão estar todos por ai e eu ainda tenho um monte de coisas pra fazer, se toca e se quer mesmo comer mandioca frita você mesmo.

     - Ta legal amor, não precisa ficar brava! Deixa eu pegar então um pedacinho dessa carne de porco com farofa que você acabou de assar. Apanha mais uma cerveja lá na geladeira pra mim.

     - Você já tomou mais de dez cervejas senhor Carlos Cunha! Vai devagar que eu te quero inteiro e nesse ritmo você vai estar tombado quando pessoal chegar.

     - Vou não queridinha, só vou tomar mais uma e depois descansar. Quando o pessoal estiver por aqui eu prometo que vou ser o marido mais amoroso do mundo e um anfitrião exemplar.

     - Te conhecendo como eu te conheço duvido, mas toma lá a sua cerveja. Agora não enche mais o saco e me deixa acabar de preparar a ceia. Vai, toma essa porcaria e vê se dorme um pouco que você está precisando.

Apesar de ser uma conversa do cotidiano havia na Regina certa preocupação. Tinham inventado de receber os amigos em casa, na noite de Natal, e com o marido que tinha sabia que não ia ser mole não!
Poucos minutos depois o filho do Poeta falou pro pai, com a boca toda lambuzado de gordura de um pedaço de carne que tinha roubado escondido da mãe:

     - Pai, o tio Miguel ta ai.

     - Manda ele entrar que to terminando um texto. Já vou.

O Poeta digitou mais algumas palavras e se levantou do computador. Foi até a sala, onde estava o amigo que tinha chegado e contente o cumprimentou:

     - E ai, como está essa força?

     - Tudo bem. E por aqui, ta tudo em ordem?

     - Tudo. Tava preparando uma página pra USINA, mas já que você chegou acho que vou é tomar mais uma. Quer uma cerveja ou prefere uma cachaça.

     - Uma cerveja, mas vamos tomar lá no quintal que eu quero conversar com você.



Já sentados em um toco, sob uma figueira carregada de frutos, o poeta perguntou ao seu amigo Miguel curioso. Tudo que discutiam era na frente da família. Amigos á muitos anos ele era chegado a ela e muito considerado por todos.

     - Fala Miguel, que conversa é essa que você me traz pra longe da velha e das crianças pra ter ela comigo? Deve ser algo bastante sério.

     - É por causa das crianças e também uma desculpa pra gente ficar aqui. Vamos “fumar um”?

     - Você sabe que eu não gosto “desse bagulho” aqui do Japão. É muita mistura, sem gosto e que o barato que me da não me satisfaz!

     - Eu sei, mas trouxe algo especial de presente pra você. Da uma olhada.

O Poeta pegou o pequeno pacote que o amigo tirou do bolso e lhe estendeu, abriu e viu que nele tinha um caroçinho prensado. Mesmo sem aproximá-lo do nariz sentiu o cheiro forte da maconha pura.

     - O meu, de onde veio isso! É coisa que não existe aqui no Japão!

     - Eu sei. Tenho reclamado pro meu irmão da qualidade “da coisa” aqui e ele me mandou uma cara. É bem pequena, mas vai dar pra gente ter um Natal e um Ano Novo bem especial.

     - Só mesmo você Miguel, só mesmo você! Enrola e acende pra gente fazer a cabeça logo.

Fumaram um enorme baseado, guardaram a bagana sob o toco de pau em que estiveram sentados, e o Miguel se foi com sua bicicleta velha. Tinha que comprar algumas coisas ainda, mas logo estaria de volta para se juntar aos amigos que iriam se reunir ali. O Poeta ficou ainda um bom tempo sentado ali com a alma leve, olhando maravilhado os figos verdes e pensando no quanto a vida era boa para ele! Por fim entrou em casa, apanhou mais uma cerveja na geladeira e foi pro computador, cheio de inspiração, para trabalhar até a chegada do pessoal.
 

CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 06/12/2007
Código do texto: T767613

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
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