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Era uma noite de extremo frio, pelo o lado de fora sorrateiramente zunia o vento e a temperatura cada vez mais baixa. E enquanto eu aqui sentado com recordações que, de momento me fazem chorar, chorar? Talvez me seria um termo mais errôneo que eu particularmente poderia introduzir aqui, mas deixo ficar por isso, basta tão somente descarregar toda essa amargura que se encontra por sobre o meu coração quebrantado. Fico até aterrorizado com o passado, brigo com veemência aos que afirmam o passado ser uma sombra morta, colocaria estes na ponta de um abismo e os empurraria sem remorso, se na verdade eu me encontro no momento no rol dos que não possuem sentimentos naturais. Aqui se encontra o meu jornal, logo a minha frente à mesa, para o lado esquerdo a pia com louças Sujas, eu nem tenho forças para cumprir com as obrigações básicas já que minha vida tem se tornado uma desgraça só.   Mas continuo a ler o meu companheiro jornal, levo minha vida nos pensamentos, mas a minha vontade seria mesmo voltar a um tempo a trás e rever tudo o que de errado eu fiz, nem sei se isso poderia chamar de arrependimento ou mesmo de remorso, dizem que os que sentem remorsos são mais propensos a ter uma recaída, e ao mesmo tempo os que sentem verdadeiros arrependimentos saem vitoriosos sobre as más circunstancias.
De quando em vez meu peito dói e sei que não é uma dor física, porem da alma, isso me faz subjugar-me. Vou além com minha culpa, talvez colocando isso tudo em palta eu me sinta mais aliviado, isso talvez, não é uma certeza, no entanto vale a pena arriscar, caso tudo dê certo vou me barbear, faz um mês que não vejo a minha tez lisa, na verdade, o cheiro do perfume deu lugar ao meu cheiro natural, nem preciso descrever isso a fundo.
Há pouco tempo, para ser bem mais preciso, fui ao meu quarto, vi encima da penteadeira o lenço com marcas de batom condecorando aquele ambiente com um retoque feminil, comoveu o meu espírito ao lembra-me dela, tudo estava em seu devido lugar como minha mulher deixou há um mês atrás. Seria uma virtude não ter mexido nos objetos ou seria um caso de uma nostalgia profunda, seria isso remediável? Acredito que não, mas fica aqui o meu termo descrito, acho que não acredito nisso, para mim são os mais fracos a sentirem certos sentimentos, no entanto, vou ser sincero, por esses dias tenho me entregado a tudo isso a que repudio com braveza, seria eu um homem fraco? Não sei responder por mim, acredito piamente que eu mesmo me condenei com a minha própria boca, como a Bíblia diz: que a boca do tolo é um laço para a sua própria alma, realmente armei um laço pra que eu mesmo caísse e caí.
Continuei a olhar serenamente cada detalhe da penteadeira, as escovas de pentear os cabelos, os frascos de perfumes, desodorantes, os estojos de maquiagem; não, não tive coragem de remover aquilo tudo, não mesmo, de uma forma em que eu poderia esquecê-la. Padeço muito por isso, mas não há forças em mim para tal feito. Em meio a tudo isso, pôde sentir, e, ainda esta lá, o aroma de mulher, alastrado pelo ar que me alucinava e ainda alucina-me com tenacidade. Lembro-me, agora, quando à noite, na hora em que nos preparávamos para dormir, após o banho, ela aspergia por sobre o corpo e ao mesmo tempo lançava ao ar o seu perfume preferido, exalando em nosso quarto, agora, histórico, que em muito assistiu os nossos momentos de felicidades e de amorosos aconchegos, às palavras que dirigíamos um ao outro ainda ecoa em minha mente de escritor solitário, ainda que eu não seja um escritor. Sinceramente esta muito difícil viver aqui nesta casa, tudo lembra Ana Lúcia, aqui mesmo nesta humilde casa, com uma porta simples e uma janela voltada para o sol em momentos de céu aberto.
 
Como um devido pecador, confesso, com diligencia, sim, confesso, que tudo isso, é fruto de uma conseqüência de tudo o que fiz. É lamentável dizer isso, todavia é preciso. Se eu antes, não tivesse errado em paços largos não estaria nessa situação dramática, passos esse que me meteram num buraco negro de solidão, que, de momento viver já não me proporciona mais prazer.

Tudo começou socialmente, numa simples ocasião, me apresentaram num belo copo, na primeira sem duvida apaixonei-me, e surgiu dentro em mim que aquilo não me causaria dano algum, o que foi real é que socialmente eu fui perdendo a minha fidelidade por um prazer de um momento, em tê-la em minhas mãos, tocá-la com os meus lábios no melhor daquele sabor que somente ela e ninguém mais poderia proporcionar-me, e devido a isso, perdi o melhor de mim, o meu comportamento foi passando por uma metamorfose, não me importava mais com a mulher que me amava, dando-a a entender que não a amava mais. Ao chegar em casa, em vez de um beijo uma bofetada, em vez de um sorriso, choros de amargura e tristezas, Traí minha esposa. Só de pensar que tudo iniciou num experimento social. Hoje por conhecê-la, tornei-me um louco frenético, um devasso, excluído da sociedade, como daqueles que não tem valor algum, por causa dela a bebida, não me sinto o mesmo, sendo o que agora me resta as saudades daquele sorriso apaixonado, de nossas noites extravagantes, do olhar profundo, às vezes confundindo-se com a lua, às vezes pirilampos no escuro do quarto.
Ah que época em que eu era alguém ao lado da mulher que amava ou que ainda amo!

E só!


 
Kalell
Enviado por Kalell em 07/12/2007
Código do texto: T768525
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Sobre o autor
Kalell
Itapevi - São Paulo - Brasil, 37 anos
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