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João e Maria

“João e Maria estavam em um quarto, chovia muito e Maria dormia, quando acorda encontra João morto ao lado de uma poça d’água. Como João morreu?”
Sei que existia um aquário, sei que existia um vento assim como também sei que só restou uma das duas vidas presentes naquele quarto. Mas...Como? Não posso saber, não sei quem é João, não sei nada sobre ele.
Quem sabe João seja mais um dos que tentam amenizar a tempestade enquanto muitas Marias dormem e fingem que a tempestade não existe, quem sabe seja mais um dos que morrem de fome devido às Marias que não têm a sensibilidade necessária para ajudar quem precisa, ou quem sabe, não tenha morrido realmente. Mas se morreu, onde está o sangue? Não importa, o aquário estava lá, caiu, quebrou e João morreu, sem sangue mas se foi.
Como isso pode ser possível? Talvez João tenha cometido suicídio incentivado pelo sono de Maria. Quem sabe João estivesse cansado da vidinha medíocre existente nesse país de merda onde todos fazem o que querem com o nosso dinheiro e nós não esboçamos nenhuma reação, quem sabe para ele a morte seja favorável, pois a pensão que viúva Maria iria receber após a sua morte ajudaria muito no sustento de seus filhos ainda pequenos...Quem sabe João fosse rico mas o dinheiro para ele não bastasse. Quem sabe tivesse um cérebro, quem sabe tivesse uma vida ou quem sabe não tivesse nada.Não sei o que aconteceu com João, só sei que a culpa como sempre não é de ninguém. Os que saíram e clamaram pelo sol foram comprados e os que ficaram e abriram a janela para ver o que acontecia tiveram seu aquário derrubado.
Nesse mundo somente as Marias sobrevivem, aqueles que tentam amenizar a tempestade acabam como João, mortos, mas não mortos pela chuva e sim mortos por si mesmos, que acreditavam na chance de um país melhor enquanto essa chance é quase inexistente. Acredito que ela exista em algum lugar, assim como também acredito que um dia terei notícias de João, e enquanto isso não acontece apenas escrevo, procurando entre uma palavra e outra pistas de sobre como parar essa tempestade e não permitir que o vento entre e destrua o restinho que sobrou do aquário onde João vivia, um aquário chamado Brasil.
Marilia Westin
Enviado por Marilia Westin em 22/01/2006
Reeditado em 23/02/2006
Código do texto: T102212
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Sobre a autora
Marilia Westin
Presidente Prudente - São Paulo - Brasil, 25 anos
15 textos (884 leituras)
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Marilia Westin