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A TERRA DO NUNCA



Ao leitor incrédulo pode parecer desde logo que essa história é fruto só da imaginação, jamais possa ter ocorrido, a ficção prepondera, sendo conta da apenas para prender a atenção de todos.

Não é bem assim. Certas coisas ocorreram e se fixaram na mente de quem às assistiu ou dela participou.

A cidade embora pacata, da noite para o dia se transformou numa semi-metrópole, apanhando seus habitantes quase de surpresa, não totalmente porque nas vésperas fatos ocorreram completamente estranhos.

O dia amanhecera muito claro, com uma luminosidade diversa da comum, que irradiava, mesmo sem sol, um brilho invulgar, tão acentuado que objetos e pessoas nas ruas não se identificavam desde logo, somente muito próximas, de forma tênue poderiam ser reconhecidas. O dialeto que falavam diferenciava do anterior. O conversar se tornou difícil, ninguém se entendia, pareciam estrangeiros que haviam aportado ali e seus moradores já não eram os mesmos.

O meio de transporte mudara, os veículos tinham formas dos espaciais, que se tornaram conhecidos nos filmes de ficção científicas.

Nada era pago, não havia moedas, as casas comerciais e bancos estavam fechados, mercados e padarias, aonde o povo adquiria os primeiros alimentos foram transformados numa espécie de farmácias, em profusão. A alimentação se daria pelo uso de simples pílulas, distribuídas de graça, através de uma organização, em lugares variados e entregues nesses estabelecimentos.

Os pensamentos não se coordenavam, pareciam todos estrangeiros,

falando línguas diferentes; procuravam se comunicar por gestos e por

eles recebiam as respostas.

Nas ruas não se via uma única autoridade, que pudesse orientar. Os

veículos, nos cruzamentos ou até mesmo numa ultrapassagem, se

deslocavam através do espaço aéreo.

Nos aeroportos o “checckin” estava desobrigado, e todos se

entendiam, e dirigiam-se às suas aeronaves certas, de formatos

diferentes das anteriores, que se deslocavam nas pistas sem o auxílio

de balizadores.

Até que surgiram os primeiros avisos, em luminosos, em caracteres

incomuns e em diversas línguas, mas os desenhos explicativos,

artísticos, bem feitos, facilitavam os entendimentos.

Notava-se que estaríamos vivendo em outra época. O país mudara

totalmente, inclusive seus mandatários, que não eram aqueles seres

conhecidos, pareciam ser “robôs”, porem, dotados de peles e ossos.

Seus traços fisionômicos guardavam identidade com os humanos. No

peito de cada um estava instalado um auto-falante, de onde saiam

sons. A percepção não se dava por um ouvido comum e sim via

pequeno aparelho eletrônico com capacidade de funcionamento

durante certo número de horas, desgastado substituíam por um novo.

Os anúncios luminosos indicavam que dentro de determinado tempo

o povo também receberia aqueles instrumentos. Racionalmente se

entendia que a classe médica deixaria de existir, seria substituída por

mecânicos especializados.

Essa era a TERRA DO NUNCA, idealizada por um engenheiro maluco,

em tratamento num manicômio, onde eu estava e guardei seus planos

mirabolantes.

POR SMELLO.
19/3/09