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BLUSINHA VERMELHA

Aquela tarde de verão, prometia um calor abrasador!
Adriana circulava pela cozinha às voltas com bolo que pretendia ornamentar,antes das dezesseis horas. Suelem, nossa filha de quatro anos, estava na volta da mesa, já com o rosto todo lambuzado de merengue. Eu lia o jornal e de vez em quando as olhava com o rabo de olho, pela porta aberta.
De repente, Adriana entra na sala, o cabelo mal preso no alto da nuca, olhos brilhando de indigninação, as mãos na cintura. Estava bela assim, desarrumada rosto afogueado pelo calor.
-Assim não dá, Eduardo! Leva a Suelem pra brincar na pracinha, ou não termino este bolo hoje!
Soltei o jornal e olhei-a decidido a continuar no mesmo lugar sossegado e com minha leitura sobre futebol. Incrível como o timão estava caindo de produção!
Adriana continuava impaciente, esperando minha resposta. Levantei-me preguiçosamente e decidi ir. Ocorreu-me a idéia de passar na casa do Roberto e convidá-lo para uma cerveja gelada, enquanto Suelem estivesse na pracinha.
Suelem adorou a idéia. Estava com os cabelos loiros presos num gracioso rabo de cavalo, usava uma blusa vermelha e um short branco.
Passamos na casa do Renato que aceitou na hora e fomos os três até o parquinho. Deixei Suelem nos balanços e sentei-me na lancheria em frente junto com Renato.Não demorou muito
e lá estávamos discutindo futebol e tomando uma deliciosa cerveja estupidamente gelada. Eu cuidava Suelem pela blusa vermelha. Aquela blusa corria, girava, escorregava, balançava...
Enquanto discutia lançava olhares para a blusa vermelha.
De repente voltei meu olhar distraído na discussão e não a vi.Olhei de novo com mais atenção. Pulei da cadeira! NÃO ESTAVA LÁ! Gritei para o Renato:
-A Suelem! Ela saiu da pracinha!
Saímos da lancheria, olhando para todos os lados. Nada. Renato saiu por um lado da quadra e eu por outro, nervoso perguntava pela garotinha de blusa vermelha. Ninguem a tinha visto. Fiz toda a volta na quadra. As outras crianças continuavam brincando numa algazarra total. Renato voltou, nem perguntei nada, seu rosto desolado respondia que não a encontrara!
Meu coração batia apertado, as lágrimas saltando dos olhos eu pensava:" E agora? Como vou chegar em casa sem nossa filha? Como vou dizer que a perdi, que deixei que a levassem? Levaram nossa filha e eu não percebi!"
Quanto mais pensava mais desesperado ficava. Entrei na pracinha, as lágrimas despencando. Renato ficou do lado de fora, sem saber o que me dizer. Fiquei ali parado cego pelas lágrimas! De repente uma vozinha diz:
- Oi, pai!
Olhei para o lugar de onde vinha a voz querida e familiar. Ela estava lá. Em pé, no alto do escorregador, só de short. Estava calor, ela tirara a blusa e continuou a brincar inocentemente. A BLUSA VERMELHA JAZIA EM CIMA DE UM BANCO!

Lu Ar
Enviado por Lu Ar em 09/06/2006
Reeditado em 22/10/2009
Código do texto: T172483
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Lu Ar
Rio Grande - Rio Grande do Sul - Brasil
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