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Doce Pássaro do Paraíso

  Quando eu era criança, sonhava com o dia em que pudesse partir para nunca mais voltar. Olhava a estrada que passava pela cidade, ficava imaginando como seria a vida no final  dela. Um dia cresci e fui embora. rodei o mundo, mas continuei querendo ver o final da estrada. O Jack Kerouac que habitava em mim estava mais vivo do que nunca. Virei um vagabundo sem destino, nada me prende a lugar nenhum. Familia é uma palavra totalmente desconhecida, jamais terei esposa e filhos. O demônio andarilho me domina por completo. Hoje estou aqui, porém amanhã só Deus sabe onde deitarei minha cabeça, e em que ponte ou viaduto farei minha cama. Hoje tenho alguns pães amanhecidos. mas amanhã! O amnhã é um outro dia e a fome também, quem se importa? Sou o vagabundo de Knut Hamsun, que passa fome, mas sonha em partir. O vagabundo que escreve contos e os troca por comida, e ainda dizem que os livros alimentam a alma. Quem se importa?
   Jamais tive um amor, palavra morta, inexistente em meu dicionário. Todas as mulheres que passaram pela minha vida, foram mulheres sem rumo, sem destino, foram embora sem deixar qualquer sinal. Talvez desiludidas por não terem encontrado em mim o que procuravam. Mariana foi a única que deixou saudade, por onde andará? Quem sabe já esteja morta em alguma beira de estrada deste país, ou quem sabe, internada em um manicômio, com o cérebro corroído pela maconha que fumava descontroladamente. Ela me dizia que gostaria de ser feliz, e que um dia teria uma casa e uma família, coitada mal sabia que, casa, família, filhos, são coisas para pessoas normais, nós os doidos, vagabundos, jamais saberemos o significado real destas palavras. Mariana era linda, mas dizia que sua beleza era sua perdição, ia com qualquer homem que lhe pagasse uma bebida ou um prato de comida. Eu a conheci em um bar de beira de estrada, totalmente bêbada ou drogada, chorava a falta de sorte em sua vida. Fiquei com pena e a levei comigo, sem saber o que fazer com ela, quando ela se recuperou, ficou surpresa de se encontrar ao lado de um estranho que jamais havia visto antes. Mariana corpo magro , lindo, mas sofrido, a única coisa que queria era ser feliz. Será que conseguiu?
    Voltei para a estrada, mas a saudade ficou na minha alma, Mariana doce sonho impossível. Outras vieram e também se foram, mas Mariana fez morada no meu lado esquerdo. Outras mulheres virão e também irão, só Mariana ficará. Doce pássaro do paraíso, o paraíso que jamais terei. Deus da estrada cuide dela, leve-a para o seu céu. Se ainda estiver viva, quem sabe ainda à encontrarei por esses caminhos que cruzam o mundo. Ou por essas ruas empoeiradas das grandes metrópoles, por onde arrasto minha solidão. Mas se nunca mais encontra-la, levarei comigo sua lembrança por onde quer que vá. A lembrança de uma mulher que só queria ser feliz. A velha estrada me chama, seu chamado é o mesmo do passado, mas eu já não sou o mesmo. Um dia tive a mulher mais linda do mundo, e isso faz meu caminhar ser um pouco menos penoso. Mariana doce pássaro do paraíso, só queria ser feliz, será que conseguiu?


                                                                                                                                             
velho beat
Enviado por velho beat em 05/07/2006
Código do texto: T187855
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Sobre o autor
velho beat
Guarapuava - Paraná - Brasil
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