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A águia e a Coruja

Certa vez, uma águia inventou de namorar uma coruja. E a coruja, por ser um animal alheio à psicologia dos opostos achou interessante o que mais parecia uma anormalidade.
De dia, a águia logo cedo cruzava os céus, em vôos rasantes à procura do próprio alimento.
A noite, acolhia-se no ninho para esperar um novo dia de caça e sobrevivência... E foi em uma destas noites que pôde enxergar mais abaixo, o tronco da coruja, que ao contrário de esperar o dia, convivia da noite.
- “ Caçar à noite ? ” – que coisa esquisita... Sabia porém de outros bichos que também usavam à noite como um benefício para a própria caçada... mas não que ficassem esperando a sorte lhe servir sem nada caçar. E as probabilidades da dificuldade que era conseguir alguma coisa ?
Sempre rápida de raciocínio e atitudes, por curiosidade começou à observar  todas as noites a rotina tediante da coruja...
- “ Deve ser difícil ter o corpo grande e asas pequenas e não poder voar rápido e alto para caçar devidamente como eu...” – pensava ao vê-la fatigante em tentar mudar de tronco e era essa a primeira impressão que tinha da coitada coruja.
Porém, no dia seguinte, logo cedo, novamente ia a sua caçada mais vigorante do que nunca, principalmente quando se lembrava da coruja. A noite, muito cansada, não dormia para observar a tal da coruja.
- “ Que sacrifício deve ser depender da noite para sobreviver... no escuro, tudo é mais perigoso e duvidoso... próximo dos inimigos de terra... que azar ! mas quem manda ser desprovida de raciocínio como eu...” – mais uma vez pensava, ao ver a coruja fugindo de uma raposa fomenta em plena caçada noturna.
Nos dias seguintes as noites em que passava à observar a coruja, não tinha rendimento em sua caçada. Teve noite em que já tinha ido se recolher ao ninho com fome. Mas a coruja sempre estava lá... satisfeita com a sua vidinha. Logo, toda a noite tentava dormir e não conseguia, intrigado com a rotina da coruja. A agilidade de seus pensamentos, não o deixava concluir porque alguém com esse tipo de vida, conseguia os mesmos fins, sem muito fazer.
- “ Eu sou mais versátil, mais perspicaz e pareço não fazer tanta diferença com essa coruja ! ” –  apenas concluiu já irritado com as esquisitices do reino animal...
Mas um dia, a coruja atrasada com o seu horário, percebeu que a águia ainda dormia em seu ninho já tendo passado a maior parte da manhã. Ao contrário da águia, logo percebeu que algo estava errado e tratou de especular...
- “  Vai dormir com fome ! ” – Tentava a coruja acordar a águia...
- “ Se continuar assim, vai viver como uma coruja ! ” – ironizava ao perceber a águia desnorteada ainda cansada da noite mal dormida.
- Então me diz, pra quê caçar de noite ? estás rindo de si mesma ? – Revoltou-se a águia.
- De noite a maioria dos animais já estão defasados, cansados, lentos e sonolentos... é melhor para mim, que ao contrário de você, sou pesada e de movimentos lentos. Assim não preciso de tanto vigor para caçar...
A águia não tinha pensado nisso... mais ainda assim achava que se ela dependesse da sorte, ainda morreria de fome e mais uma vez perguntou:
- “ E como é depender da sorte ? ” – satirizava a águia, a espera de uma resposta evasiva.
- “ Alguma vez me viu dormir com fome ? ” – retrucou a coruja...
- “ Não...” – simplificou a águia, lembrando-se da noite em que dormiu com fome.
- “ Pois bem, é porque sei que certos animais, dependem da minha rota para procurar o que você procura lá de cima... alimento. Aposto que também se pergunta porque estou tão próxima do chão que é ameaça constante para a minha sobrevivência...”
- É... mas outro dia vi uma raposa lhe perturbar... e você ficou por um triz heim ! ” – justificou a águia para desconversar a própria curiosidade porque realmente já tinha se perguntado várias vezes o por que dela correr tanto risco.
- “ É caro amigo... não me diga que lá do alto, não tenha riscos... mas aqui onde estou, tenho a certeza que como eu dependo deste tronco, outros bichos que são meu alimento, também dependem passar pelo o meu caminho para buscar alimento... isso facilita a minha ação e aumenta a probabilidade de garantir a minha ração. Portanto, ao contrário de você, não preciso ter asas fortes e grandes...
A águia também não tinha pensado nisso. Mais ainda assim, achava que a coruja continuava sendo lenta e sem agilidade, ou seja, o seu oposto e indagou:
- “ Então vive do quê ? se estás à mercê das suas desvantagens ?
- “ Talvez as minhas desvantagens sejam maiores que as suas, mas isso não faz diferença no que posso conseguir com apenas o que tenho e o que sou.”
A águia ainda inconformada e sem entender as suas diferenças, pensou alto sem querer...
- “ Então porque mesmo assim, ainda acho que sou superior a você  ? ”
- “ Porque não sabe usar a única coisa que tenho de vantagem sobre você. ”
Disposto a ouvir, de tanto ver que não conseguia concluir de fato como conseguiam as mesmas coisas sendo tão diferentes em relação às vantagens e desvantagens, prontificou a escutar o que a coruja tão sossegadamente, ao contrário de si mesmo, falava...
- “ Eu sei analisar e achar a lógica das coisas, ao contrário de você, que raciocina tão rápido quanto age. Pra quê preciso ser igual a você, se a minha natureza permite ser diferente ? Você é ágil, de porte voraz que lhe permite ser perspicaz tanto quanto forte, mas se um dia dormir com fome, é porque não soube usar da paciência, como eu. ”
A águia enfim, concluiu que a coruja tinha razão, principalmente pelo o belo elogio... e pela primeira vez teve paciência para respeitar alguém tão diferente de si. Enquanto a coruja o alertava das mínimas probabilidades de conseguir alimento do alto em que ele fizera o ninho, a águia percebeu que não podia ser como a coruja, porque das vezes em quê tentou, mudou drasticamente a sua rotina, como em ter dormido com fome, e ter perdido o rendimento nas suas caçadas, mas de tanto tentar entender a vida da coruja, fazendo como ela, apenas observando, pôde ver que não precisava ser como ela... mas aprender como ela.
Mas... sabe como esse namoro começou ?
Você acha que a águia se apaixonou porque pela a única vez que tentou ser diferente, reconheceu as vantagens que podia aprender ?
Não... porque a águia é tão rápida de raciocínio, que não teria paciência para analisar tudo isso, mas foi pelo o elogio tão perfeito que para a águia, nem precisaria concluir alguma coisa, pois um elogio certeiro desses, só se tem à concordar...
Você acha que a coruja se apaixonou porque realmente gosta de usar a psicologia como um desafio para o que parece ser diferente ?
Não... mas tudo tem que ter um começo não é ? E para a coruja, se não for pelo o motivo óbvio, que seja pelo o motivo incoerente, porque isso não muda a intenção do que realmente acredita... de que para se gostar, é preciso aceitar as coisas como elas são... mesmo que sejam os nossos opostos... pois para cada oposto, existe uma natureza... ao contrário do que muitas vezes pensamos...

MORAL...
A primeira moral, é você tentar ser como a coruja e não como a águia, ou seja, antes de ouvir uma explicação, tentar analisar por si só... sem usar o raciocínio rápido como vantagem...
Mas, se você prefere ser como a águia...

“ Se soubermos respeitar o que é diferente, estamos aprendendo outra forma de aprender as mesmas coisas... Se a natureza nos permite ser tão diferentes, talvez o meio mais rápido de aprender tudo isso, seja a paciência.”
Gita Habiba
Enviado por Gita Habiba em 07/08/2006
Código do texto: T211195

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Sobre a autora
Gita Habiba
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 39 anos
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