Mirabela- O amargo sabor do destino

Santiago e Mirabela chegam finalmente á cidadezinha de Anistia, situada á 65km da cidade onde havia o esconderijo de Mirabela. Estava ansiosa para rever a mãe e a avó, afinal, dez anos haviam separado as três. A emoção havia tomado conta de Mirabela. Ela suava frio e sentia que suas mãos gelavam e tremiam ao mesmo tempo, tamanha a ansiedade.

Santiago estacionara o carro há alguns metros, saíra primeiro, olhou de um lado a outro tomando muito cuidado para não ser visto. Os estabelecimentos estavam quase todos fechados, era domingo. Algumas pessoas concentravam-se nos bares a bebericar mágoas e alegrias. Outras mantinham-se trancadas em casa ou saiam para algum passeio. Algumas iam visitar parentes ou amigos distantes.

Portanto a paz e o sossego reinavam naquele momento na cidade. Santiago dava cobertura á Mirabela enquanto ela saía do carro. Abraçados os dois caminharam até a casa das senhoras Albertina e Lázara. Mirabela manteve-se com a cabeça recostada no peito de Santiago para não ser reconhecida.

Ao chegar ao portão, as lembranças vieram-lhe de encontro a mente como uma rajada de vento. Do mesmo jeito que deixara há dez anos estava o velho portão com a antiga pintura já ultrapassada de um branco que transformara-se em creme, descascado pelo tempo. O jardim estava seco. Nada mais havia; nem as belas flores que a senhora Lázara tanto cuidava com carinho, nem a bela horta da senhora Albertina. Até o velho coqueiro e as palmeiras morriam aos poucos com suas folhas amareladas e pendentes, quase caindo.

A varanda denunciava todo o sinal de abandono em que a casa se encontrava. Repleta de folhas secas a estalarem em cada vez que os dois pisavam-nas. As janelas, dantes tão limpas com suas vidraças transparentes, estavam completamente entregues ao abandono, sujas e emburacadas.

Mirabela e Santiago entreolhavam-se assustados. O que fez com que ela se apressasse ainda mais para entrar em casa a procurar saber o que acontecia alí, na casa de duas mulheres tão zelosas com o lar e carinhosas com suas plantas.

Ao chegarem na sala o pó havia tomado conta de tudo. De tanto tempo sem ser retirado dos móveis acrostara-se de um modo que nem com sabão e água sairia mais, a velha TV já não mais funcionava. No teto aranhas, baratas e mosquitos faziam a festa. O mal cheiro de môfo circulava pela velha casa com suas rachaduras nas paredes que fazia-se frestas a ponto de ver-se tudo do lado de fora.

greice
Enviado por greice em 23/01/2011
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