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A Pena da Rosa

Ela era mais uma entre tantas flores daquele jardim. Lá, moravam as tulipas, os girassóis, os cravos, os lírios e tantos outros que coloriam o jardim da fantasia. Quando o sol chegava, era aquela festa! Era a hora do banho... Ah! Banho de sol! Que delícia! As flores se renovavam, as borboletinhas vinham e beijavam-lhe as faces, como que numa celebração à vida. E naquele jardim, cheio de magia, tudo era alegria. Um dia... Um susto! As flores, tadinhas, entraram em pânico. Pensaram que fosse um mostro atacando o jardim, mas perceberam uns soluços, um choro quase silencioso... Era um ganso, lindo e tão assustado quanto todos no jardim.

Foi aí que rosinha, a flor mais sapeca resolveu se aproximar. E ao perguntar o que lhe ocorrera, descobriu que ele estava com a asinha quebrada e que se perdera de seu bando, que estava procurando um lugar seguro, que os abrigassem do longo inverno lá na sua terra. Ela não entendia muito como era essa estória de bando, mas imaginou que o tal “bando” fosse a família dele. E ela não estava errada. Os gansos viajam em bandos e permanecem juntinhos como uma grande família. Ela também não entendia porque eles tinham que viajar tanto e pensou consigo mesma: “ Tadinhos dos gansinhos, eles nem tem seu próprio jardim, precisam ficar procurando lugar para morar. Deve ser tão triste!” e o ganso explicou que sempre viajara e que no caminho, muitos se perdem, e nem todos tem a chance de reencontrar seus amiguinhos e sua família. Aí ela pensou: “ Mais triste ainda deve ser não ter família, não ter amigos!”

Sensibilizada com o sofrimento do gansinho, Rosinha resolveu reunir todos os moradores do jardim e pediu a ajuda de todos para curar a asinha quebrada do novo amiguinho. E assim, foi feito. E vieram as abelhas com mel de amor para aliviar as dores, os beija-flores traziam beijinhos cheios de carinho, as borboletinhas coloriam os dias e os canarinhos tocavam a sinfonia da alegria todas as manhãs, tudo para que o gansinho se sentisse amado e acolhido até que sua asinha melhorasse e ele finalmente pudessse voltar a voar e ir ao encontro de seu bando.

Em troca por tanto carinho e dedicação o gansinho resolveu contar de suas aventuras de viagens pelo mundo. E todos os dias, ao fim da tarde ele reunia as flores, os insetos e todos os bichinhos do jardim e lhes contava das alegrias e das maravilhas do mundo. Falou do encontro com o senhor dos ventos, da imensidão do mar, da grandiosidade das montanhas, do calor no deserto, das belezas das cachoeiras. Falou também da magia da noite, do banho de chuva ao ar livre e, especialmente da felicidade e da magia de poder voar. E Rosinha, ficava encantada. Os olhinhos brilhavam, suas pétalas se abriam, como que querendo mais e mais. Ela era ssim, quando se alegrava, abriam-se logo as pétalas em sinal de gratidão pela felicidade sentida.

Os dias foram passando e, de asinha curada era hora da partida. O novo amigo finalmente iria ao encontro de seu bando, e durante aqueles dias foram tantas descobrertas para as flores do jardim da fantasia, que não conseguiriam mais ficar sem ouvir aquelas estórias sobre o mundo e seus mistérios. Mas ele precisava ir, não seria justo segurá-lo. Era exatamente a sua liberdade de voar que havia lhe proporcionado viver todas aquelas aventuras.

E no momento da despedida, Rosinha encolheu suas pétalas e assim, numa expressão de tristeza foi dizer adeus ao seu mais novo amiguinho. E ele, percebendo-lhe a tristeza, prometeu-lhe que voltaria e que traria mais estórias de cada viagem, de cada lugar e num ato pleno de doação e de partilha, arrancou uma pena da própria asinha. E, segurando a pena com o bico, entregou à Rosinha. E ela ficou intrigada, pensando o que iria fazer com a peninha. Ele explicou que aquela não era uma pena qualquer. Era uma pena de ouro e que era mágica, porque era um pedaço dele e continha alí a magia da vida, os olhos abertos para o mundo e que aquela pena era o elo que os ligaria para sempre, uma vez que alí estavam as lembranças de toda a sua caminhada, seus vôos pelo mundo. Explicou, que se ela fechasse os olhinhos e segurasse aquela pena entre suas pétalas com todo o seu amor, ela teria o mesmo poder de viajar, conhecer e viver todas as alegrias e fantasias no mundo da imaginação, mas para que a mágica se confirmasse ela deveria, ao retornar de cada viagem ao mundo mágico, contar a todos o que vira, as emoções que sentira e também deveria dividir com todos a magia do conhecimento. Com o coração cheio de emoção, rosinha deu-lhe uma de suas pétalas, para que ele lembrasse do cheirinho das flores e pediu que ele levasse seu perfume ao mundo.

Promessas feitas... ele levantou vôo, rumo à liberdade, mas deixou sua pena de ouro, com a rosinha... que depois de crescer, virou simplesmente Rosa. E foram muitas viagens, muitos risos, algumas lágrimas... mas sempre uma emoção. E as duas eram tão juntas, que não se sabia quem pertencia a quem... se era a pena que petencia à Rosa ou se a Rosa era quem pertencia à pena...O mais importante é que no jardim da fantasia, todas as noites as flores e todos os demais bichinhos se reunem para ouvir as estórias que a Pena da Rosa tem para contar.



Boston, 03 de julho de 2005 – 11:35pm
Sandra Mara
Enviado por Sandra Mara em 04/07/2005
Reeditado em 07/02/2008
Código do texto: T30859

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Sobre a autora
Sandra Mara
Estados Unidos
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