Elisa e o Colar da Vênus

- Socorro!

A noite dominava o céu e a escuridão emanava o medo. Apenas os cães latiam no fim da rua por detrás de uma tela que os mantinham presos.

O animal seguia ao seu encalço, a garota tremendo de medo. Os dentes afiados. Sua boca salivava em um desejo intenso e infame. Uma fome única, ela corria, gritava cheia de medo. Era um beco, um corredor da morte sem escapatória. O monstro coberto de pelos por todo o corpo, olhos cinzas, mãos feito garras, unhas grotescas, sua boca cheia de sangue, a garota acuada agachada atrás de uma lixeira. O medo a paralisava. Pra onde ir? O que fazer? A respiração ofegante da criatura, sua respiração era como a de um enorme búfalo. Uma criatura horrenda. Ele farejava a sua procura, seu nariz sujo de sangue, um odor de animal morto, seus olhos grandes e vermelhos. Os cachorros continuavam a latir, a criatura os fitava vez em quando, mas ela estava a caça da garota. Ela deu um urro alto e assustador. A garota encolheu todo seu corpo. Ele avançou sua mão contra a lixeira, uma enorme caçamba de aço, suas mãos a deslocaram

da frente da menina, que caiu no chão apavorada. Vislumbrou o animal mais uma vez.

Era a mistura de um enorme urso pardo com um demônio de asas horríveis, sua força era descomunal, a menina fechou seus olhos, foi quando percebeu que iria morrer e lembrou-se do que havia feito.

Começava a noite, seus pais assistindo televisão, ela estaria supostamente em seu quarto. Havia um velho sótão em sua casa. Ela sabia que era proibido subir ali, mas o que seria de uma jovem sem sua curiosidade. E lá estava ela. Abriu o baú de sua falecida bisavó, encontrou roupas de época, algumas jóias antigas, entre elas um colar vermelho, de alguma forma ela o achava lindo e perturbador, sua corrente era formada por várias cobras, cascavéis que se uniam umas as outras por suas línguas e chocalhos, o pingente era uma estrela de cinco pontas com uma pedra de cor avermelhada no centro. Os olhos da menina quase hipnotizados, ela o colocou em seu pescoço. Olhou novamente dentro do baú e encontrou um livro enorme e empoeirado que cheirava a mofo. Passou a mão sobre sua capa e assoprou a poeira. Percebeu algo estranho. Havia uma espécie de encaixe na capa, um buraco do tamanho e forma do pingente de seu colar. A princípio ela ignorou a importância daquilo e tentou abrir o livro. Mas era impossível, suas páginas não se moviam, estavam presas de alguma forma, trancadas.

Por alguns segundos ela ficou confusa. Por fim entendeu o que precisava fazer. Pegou o colar e colocou o pingente naquele orifício sem tirá-lo de seu pescoço. Algo assustador aconteceu. Ela sentiu um enorme frio que parecia congelar até sua alma, algo que nunca sentira antes, aquilo a tomou de uma forma insana. Inexplicavelmente uma enorme ventania tomou conta daquele sótão, o livro se abriu, as páginas se moviam sozinhas, ela concentrada e apavorada com aquelas figuras e escritos estranhos, um idioma diferente do que conhecia, criaturas bizarras desenhadas, monstros que estranhamente lhe eram familiares. As roupas do baú de repente começaram a voar, como se estivessem sendo vestidas pela própria ventania, um bando de fantasmas girando ao seu redor. O baú estava vazio. O Livro em suas mãos, as cobras de seu colar começaram a mover-se em seu pescoço, de repente uma espécie de nuvem de fumaça saiu do baú, formou-se algo como um buraco negro, rodando, puxando todo o sótão para dentro dele. Ela tentou se agarrar em algo, mas não havia nada em que se segurar.

A força era enorme, por fim ela não resistiu e foi sugada para um mundo sombrio daquele baú. O livro se fechou e sumiu como se nunca tivesse existido. Foi quando ela caiu em uma floresta negra, as luzes de uma mórbida cidade mais a frente, ela assustada começou a correr, foi quando percebeu que havia algo atrás dela. Ela saiu em disparada, olhos vermelhos assassinos a perseguindo. Foi quando ela viu a criatura, um espécie de monstro, uma mescla de um urso com um demônio alado. Ela voltou a si. O que fiz para estar aqui? Onde estou? Ele vai me matar! O monstro bateu suas asas, abriu sua boca o máximo que pode, urrou e avançou com suas garras em sua direção. Ela estava paralisada, fechou seus olhos e lembrou-se de seus pais, de repente o pingente em seu colar brilhou e algo extraordinário aconteceu. Dois enormes lobos apareceram, lobos horrendos e enormes. Eles atacaram a criatura que a perseguia. Ela era bem maior que eles. A criatura usava suas garras, os lobos sempre atacando com suas bocas, a garota inerte, não sabia o que fazer, um lobo era de cor cinzenta e o outro de um negro assustador, eles deviam ter o tamanho de três lobos normais, era algo bizarro, suas caldas era como a língua de uma serpente, partida ao meio, seus pêlos eram grossos e visguentos e seus olhos completamente brancos. A criatura investia contra eles, mas seus olhos não abandonavam a garota, ela estava sedenta pelo sangue dela, e esta sede custou sua vida, o lobo negro aproveitou um momento de distração e atacou seu pescoço, a criatura debateu-se, as presas do lobo negro penetradas com toda sua força, a criatura segurou o lobo cinza com uma de suas garras, pegou-o e lançou-o na direção da garota, O lobo negro apertou ainda mais, o sangue do monstro jorrando, o outro lobo caído ao lado da garota. O demônio urso não resistiu e caiu morto no chão. A garota com medo de seu fim. Agora o lobo caminhava em sua direção. Ela arrastou-se até encostar-se na parede. Ele então deitou-se a seus pés e de repente voltou a sua forma normal, um cão, assim como o outro que estava morto ao seu lado. Ela então olhou para a tela onde os cachorros latiam e a viu caída no chão. Seu pingente estava apagado. E o monstro derretendo de uma forma estranha, sua pele borbulhando, por fim ele começou a se queimar. Na entrada do beco uma figura estranha apareceu. Um homem albino trajando um capa negra, uma chapéu estranho e uma bengala. Ela completamente confusa.

- Quem é você? A garota perguntou assustada.

O cão foi ao seu encontro. O homem abaixou-se e acariciou-o na cabeça. O animal o lambeu a mão.

- Bom menino! Muito bom garoto!

- Onde estou? Ela perguntou.

- Você está em sua casa Elisa! Seja bem vinda de volta!

- Como sabe meu nome? Quem é você? E que lugar é este?

- Este é o seu mundo Elisa, onde tudo é real, e a fantasia não existe, é o mundo dos monstros. Estávamos todos ansiosos pelo seu regresso, mas temos que sair daqui rápido. Mais monstros virão atrás de você.

- Atrás de mim! Mas por quê?

- Por que você é a única que tem o poder de destruir o Senhor destas Feras.

- Que poder? Está louco! Eu sou uma garota de 15 anos que ou está louca, ou se estiver com sorte está tendo um horrível pesadelo.

- Não Elisa! Você é uma bruxa de 1000 anos, que renasce a cada 200 anos, por causa de um feitiço do Senhor das Feras. Mas que finalmente reencontrou o colar da Vênus, este que está usando com o pentagrama. Esta estrela de cinco pontas cercada de serpentes. Você é a salvação deste mundo!

Um barulho ensurdecedor de asas batendo tomou conta do beco.

- O que é isso? Perguntou Elisa.

- Morcegos, águias, dragões e é claro demônios... misture os quatro e terá a resposta que procura.

- Moraguidramõs! Como sei disso?

- Foi você que os criou! Precisa aprender a usar o colar. Que bom que está se lembrando. São milhares deles vindo em nossa direção. Pequenos monstros que devastam um mundo se necessário. Temos que fugir daqui e rápido!

Continua...

Esta é uma republicação do 1º episódio de "A rainha dos monstros"... só mesmo para divulgação, se gostarem, os dez episódios já estão disponíveis com o nome de "A rainha dos Monstros" na categoria terror.

Um forte abraço e fiquem com Deus!

Sidney Muniz
Enviado por Sidney Muniz em 17/09/2011
Reeditado em 17/09/2011
Código do texto: T3225462
Copyright © 2011. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.