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As Fadas só dormem uma noite por ano...

                      Tayane ouviu de sua avó irlandesa que as fadas somente dormiam uma noite por ano.Na data de 16 de julho,especificou.Na Irlanda,as pessoas faziam pequenas almofadas,para que as daminhas aladas tivessem um sono gostoso.Esses pequenos travesseirinhos deviam ser colocado sob as roseiras.No dia seguinte,ainda orvalhados,eram recolhidos e guardados para dar sorte o ano inteiro.
                       A menina preparou-se para ajudar as fadinhas.Sua mãe explicou-lhe que era apenas um mito,que as fadas,na verdade,não existiam.Mas o pai,aquele homem de cabelos acenourados e olhos azuis muito fortes,ladeados por preguinhas ,disse:
                      -"Deixe a menina sonhar...Os sonhos e os mitos nos ajudam a suportar a realidade "...E suspirou.
                        A mãe ,então,deu uns retalhos de seda à garotinha e até ajudou-a a costurar rendinhas.Depois,ordenou,meio irônica,meio carinhosa,que bordasse umas rosinhas em matiz-o que ambas  faziam muito bem.
                       Uma semana depois,à noite,colocaram as almofadas sob s roseiras variadas sob a janela.Pela manhã,recolheram-nas,semi-úmidas de orvalho e Tayane apressou-se em mostrar seus preciosos talismãs à família.A avó acariciou,com o rugoso indicador direito , um dos sachês,pensativa.A neta lhe ofereceu:
                        -Quer um,vó?Pode ficar.
                         A idosa senhora sorriu .Numa caixa de madeira marchetada,possuía inúmeras,mas quis incentivar a netinha a ser generosa e aceitou,elogiando o delicado lavor.
                        O pai,já saindo para o trabalho,olhou rapidamente para o mostruário,deu aquele largo sorriso que franzia aquelas preguinhas adoráveis e abraçou a filhota.
                      -Qualquer dia,Tahiane,vou te ensinar umas canções de Eire,a minha Terra.E vou te contar umas sagas...
                       -Sagas?Que é isso,pai?
                        -Peça à sua avó,que ela explique,tenho de correr...
                        Mas Thaio,o irmão,do alto de seus dezesseis anos,zombou da criança:
                        _Fadinhas,hem?Até hoje,você acredita em Papai Noel,em qualquer tolice que lhe contem!Deixe de ser boba,Tathy!
                          A avó a consolou.Tayane jurou que no ano seguinte,iria provar a existência das daminhas aladas.
                          Quando um ano se passou,ela foi dormir,depois de espalhar novos travesseirinhos,pedindo à Rainha das fadas que a ajudasse a provar que o Reino dos Fays,esse povo muito especial que,através do genitor e da avozinha,aprendera a amar ,admirar,existia de fato.
                          À hora de recolher tudo,viu uma peninha pequenina e branca,no chão,pertinho da roseira mais antiga.Apanhou-a e correu a mostrá-la à mãe e ao irmão.Ambos,céticos,concluíram que era apenas a pena de uma pombinha do pombal do vizinho.Lágrimas pularam dos olhos de tayane,e ela foi correndo sentar-se no regaço da avó,doida pra ser consolada.
                       -Acredite no seu imaginário, pois ele traz a todos nós,as informações muito antigas de nosso povo...Também,não queira obrigar sua mãe e seu irmão a acreditarem no que você crê:eles são eles...
                        _E eu, sou eu,exclamou a ruivinha,caindo na risada...
                          Ante o desenrolar desses novos dias, contou-lhe várias coisas interessantes.A menina vibrou ao saber que nas plantas,sob a grama,nos arbustos,no ar,na água,os elementos da natureza ,elementais viviam e que por isso,móveis,roupas,o que quer que tenha ligações com ela,tem resquícios de fada,magia...
                         Embalada por esse mundo feérico,Tata não via a hora do ano passar e novamente chegar o Dia 16 de Julho.Ensinava às colegas o que aprendia e apreendia,mas algumas riam dela.Outras passavam a fazer parte de um maravilhoso círculo de beleza e com ela partilhavam a Fayri magic, a Magia das fadas.
                       -Por favor, rainha das fadinhas,deixe uma prova de sua existência,pedia a agora pré- adolescente.
                        Desta feita,procurou muito atentamente,de joelhos na grama,levantando folhas secas e pétalas de flores.Encontrou uma segunda peninha,mas era grande demais...Encontrou então,um pequeno cristal,semi enterrado na terra .Muito feliz,logo murchou à opinião zombeteira do mano:
                      _Boboca,há muitos cristais aflorando em nosso jardim.Que mané fadinha,que nada!
                      Na tradição irlandesa,são filhos da  Deusa("Thuata De Dannan",que é pronunciado mais ou menos,como Thuda dae donan)e das fadas,das quais são descendentes diretos.São o chamado "Velho Povo",que alcançou a mudança na freqüencia vibratória os Fayri ,que não são como deuses,nem tampouco são como nós humanos.Assim como as pessoas especiais,podem causar erta estrenheza.Sõ diferentes,vivem em freqüencias vibrtórias e dimensões diferentes.Tayani agora,lia tudo que encontrava sobre o mundo feérico,não porque Wicca estava em moda, mas por ser descendente de irlandeses e querer manter as tradições de seus ascendentes.A avó contou-lhe que outros povos também crêem nos fairy,mas não são sua linhagem,portanto,a intensidade de seus contatos pode ser menor.
                      Depois da última experiência,a garota,u=interessada em cristais,iniciou uma bela coleção,orientada pela avé,sobre seu poder curativo...Lia vorazmente tudo que encontrava a respeito desse presente do Universo...Na noite do único sono anual dos pequenos seres especiais,Tayane encantou-se ao encontrar então,um pequeno cacho de cabelos fininhos e sedosos,preso com uma fitinhinha de cetim número zero.A mãeexplicou:
                      -É cacho de seus cabelinhos,de quando era pequenina.Eu guardava um por ano...Não sei onde foram parar!E este,como foi para baixo das roseiras?
                        A avozinha sorriu mansa e piscou um olho para a neta.A menina retribuiu,mas ficou meio confusa.Cachinho dela oude uma fadinha?Desta feita, Katherine,a avó,não quis dar a resposta.
                       -Espere,criança.Você mesma vai descobrir.Há muito atavismo, muitas coisas aparentemente fáceis e outras difíceis de entender...Um dia,abre-se a nossa mente,ao comenda da alma universal e o entendimento chega...
                      No último ano,a garota andou acolchoando suas almofadinhas com pétalas de jasmin e rosas,caprichou ainda mais nos bordados,usando pérolas minúsculas,que faziam seus dedos sangrarem quando usava a finíssima agulha para passar no orifício das continhas.
No primeiro dia de julho,chovia quando a avó Kath morreu,sorrindo e após um abraço muito especial...
                      No dia do sono das fadas,Tayane pediu baixinho:
                      -Rainha das fadas ,já sou quase moça,se eu não conseguir encontrar a prova da existência de seu povo,vão rir muito de mim aqui em casa,ainda mais porque papai está viajando,perdi minha avó querida...
                       Havia um luar magnífico e o ar estava muito perfumado.Pela madrugada,levantou-se porque ouviu chamarem seu nome.Uma luzinha em forma de língua azul e dourada,seguia veloz para a porta,ultrapassou-a e sumiu.Sem nenhum temor,confiante,Tathy abriu a porta,procurando não fazer barulho algum.A luzinha estava tremulando perto da touceira de jasmin,perfumadíssima.Aproximou-se e então,viu muitas fadas dormindo ,gráceis e muito bem vestidas,sobre as almofadas todas que colecionara nos últimos tempos.
                         A luz desceu em espiral,então ela achou um anel de prata,em forma de serpente,com olhinhos de granada..Colocou-o no dedo,a cabeça da cobrinha apontando para a unha do anular.Dava uma volta pelo dedo,escaminhas minúsculas estavam gravadas ao longo do corpo.Ao procurar as daminhas, não as viu mais .O sol  nascente fazia brilhar o rocio,mas estava muito frio.Estremecendo,a garota entrou,rodando devagar a maçaneta e depois fechando a porta com cuidado,para não acordar os que dormiam..
                        Voltou ao quarto e viu sobre a escrivaninha,o livro que a avó lhe dera pouco antes de partir para outra dimensão.Estava aberto e a gravura sobre a rainha das fadas,chamou sua atenção.Mostrava duas rainhas,por sinal,Aine e Aisling.Ambas portavam um cinto idêntico ao anel que a menina achara,apenas os olhinhos da serpente de Aine eram azuis.Trêmula,agradeceu o sinal e voltou para baixo do acolchoado quentinho.
                          À mesa do café,mostrou a seu pai seu tesouro.Ele arregalou os olhos e apertando a mão clara da filha,falou devagar e carinhosamente:
                          -Agora,sua mãe e seu irmão,vão saber que ela falava a verdade ao ensinar a você a tradição  de nosso povo...
                            Quando os demais se sentaram à mesa,ele disse que nunca mais duvidassem do que Tayane contava,ela agora era a depositária e a  transmissora do rico folclore do mito das fadinhas ...
                             Mais tarde,a esposa o censurou:
                            -Você estraga a menina com essas convicções,meu bem.Os tempos são outros.Você mora nos Estados Unidos.Tayane é americana,como eu.Tantas lendas podem atrapalhar sua sociabilidade na escola e fora dela.Além disso, os brotos mamários começam a aparecer,em breve será  uma adolescente!
                            Patrick sorriu.Muito emocionado,tomou as mãos da mulher que escolhera para passar o resto de seus dias e olhando-a bem firme,nos olhos,disse,de forma pausada e emocionada:
                             -Esse,querida,era o anel de casamento de minha mãe...

Belo Horizonte,16/07/2005,véspera de meu aniversário(também,para os católicos,dia de Nossa Senhora do Carmo,a do escapulário)
clevane pessoa de araújo lopes
Enviado por clevane pessoa de araújo lopes em 15/07/2005
Reeditado em 16/07/2005
Código do texto: T34682

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Sobre a autora
clevane pessoa de araújo lopes
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 69 anos
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