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O ESTRANHO SONHO DE CLARISSE

       Clarisse não sabe que está sonhando, pra ela tudo é verdadeiro e não passa em sua cabeça que esse sonho irá acabar e ela enfim acordar. Clarisse está num lugar repleto de espelhos; das mais diferentes formas, refletindo imagens igualmente diferentes. A cada espelho com que se depara, ela pára e se vê e alguns destacam seus longos cabelos, outro destaca a sua branca face e assim ela vai andando por esse mundo estranho.
No começo ela estava sozinha, mas começa encontrar outras pessoas. Encontra um rapaz sentado de costas para um enorme espelho, ele parece triste. Clarisse curiosa pergunta:
_ Por que está triste?
_ Porque meu reflexo se virou de costa para mim. – disse ele aos prantos.
_ Virou a costa? Mas por que ele fez isso?
_ Porque eu sou bonito.
_ Convencido você, mas é a pura verdade. Estranho isso!
Clarisse continuou caminhando e mais a frente encontrou uma menina, devia ter uns dez anos, ela estava de cabeça baixa e quando percebeu a presença de Clarisse levantou a cabeça e mostrou um rosto todo cheio de maquiagem, aliás, muito mal maquiado aos olhos de Clarisse que perguntou.
_ O que você tem?
_ Meu reflexo riu de mim.
_ Riu de você?
_ Riu, riu muito.
_ Só porque você tentou se maquiar. Não faz sentido.
Deixou a menina e continuou caminhando sem entender. Parece que a vaidade aqui é um sério problema, pensou ela. Depois de caminhar por ruas em que havia até espelho no chão, Clarisse encontrou uma mulher que não tinha rosto, havia apenas pele, sem boca, nariz, olhos. Cada vez mais estranho esse mundo. Ela se aproximou da mulher e perguntou: _ Quem é você?
_ Eu sou Clarisse e você?
_ Que coincidência eu também. O que aconteceu com seu rosto?
_ Meu rosto? Não há nada de errado, aliás, ele lindo não é?
_ Mas não vejo nada – nesse momento Clarisse olha pro reflexo da mulher e vê apenas um rosto muito feio, parecendo mais um rosto de um defunto, ela não agüenta ver aquilo e grita. Grita e acorda no meio da noite, olha pro relógio e vê que ainda são três horas.
Quando o relógio tocou às seis horas, Clarisse acorda pra ir trabalhar. Vai ao banheiro, depois na cozinha pra tomar café. Ela se arruma e sai. Pro seu azar, as avenidas estão todas congestionadas, e nesse tempo ela pára pra refletir no sonho que acabou se tornando pesadelo no fim. Ela pensa e ao mesmo tempo olha seu reflexo do retrovisor interno.Achou estranho o reflexo que deu as costas pro rapaz, o reflexo que riu da garota e a mulher sem rosto. Clarisse não admite, mas tem mania de toda hora procurar um espelho ou algo que faça reflexo, pois nunca está contente com seu visual, apesar de muitos homens já terem dito que ela é linda, mas ela não se convence. Ela pára de pensar e pega em sua bolsa um batom, e ao voltar seu rosto no retrovisor não vê seu rosto e sim o daquela mulher, porém o reflexo se mexe conforme ela mexe, porque era o seu reflexo.
_ Ahhhhhh!!!

MR 18/07/05
Miguel Rodrigues
Enviado por Miguel Rodrigues em 28/08/2005
Código do texto: T45875
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Miguel Rodrigues
Barueri - São Paulo - Brasil, 33 anos
1432 textos (42636 leituras)
6 e-livros (1681 leituras)
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Miguel Rodrigues