Eu, Mais Fome e Uma Encruzilhada - CONTO/POEMA

dado à circunstância favorável e

consequentemente à favor do meu caminho,

eis de súbito e apetitoso banquete,

sobreposto no barranco d'uma encruzilhada.

sei que macumba não fala!, mas

ao que tudo indicava, o sujeito cujo

feitio endereçado se dava

só poderia ser a alguém apurado

e fino.

(receita das braba que só vendo!)

cabeça degolada de cabra ao chifre

("arqueados para trás"), entre outros

ingredientes que subiram na vida, sob

forte indício: farofa gourmetizada,

uva-passa e azeitonas importadas,

mais pipoca e uns docinhos.

ao lado

um maço de cigarros juntamente com

uma garrafa de vinho.

era eu

longe de casa e ali tudo prontinho!

meu estômago, insistente, me intimava.

e eu mais pra SIM do que NÃO

suscitei: vai ou racha! é sim ou não...

(...) e, entre alguns instantes passados

– na fé faminta a ser confirmada –, foi-se

goela abaixo meia garrafa de vinho e...

nada.

porém, com muita sede e a fome roendo

fundo meu torso

a ponto de engolir um boi pela perna

sozinho

tratei logo de ficar com o maço de cigarros

inda o vinho.

Dali a pouco por certo tomei o rumo de casa

muito embora indagando:

comida de rua até que vai, mas de oferenda

nem à moda cambaleante à alcoólica.

Poesia Tofilliana
Enviado por Poesia Tofilliana em 25/10/2015
Reeditado em 25/10/2015
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