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O Encontro das Figuras

     Tudo estava pronto para o grande encontro das figuras. Sim! O grande e esperado momento está para chegar. Um encontro jamais visto antes, agora se tornará realidade. A primeira celebridade é a D. Ironia que já fala assim:

_ Esse encontro será uma maravilha. Eu vou adorar ouvir as redundâncias do Pleonasmo, sem esquecer dos exageros do velho S. Hipérbole. Claro que eu vou adorar ouvir a Sra. Metáfora recitar poesias.
Depois dessa declaração a D. Ironia retirou-se e apareceu o Sr. Hipérbole comentando do grande encontro.
_ Esse encontro vai ser fenomenal, fiquei sabendo que várias galáxias, constelações, todos os outros nossos amigos do clube da Gramática vão assistir a esse encontro.
Logo após que o Sr. Hipérbole saiu, chegou a Sra. Antítese contrariando.
_ Esse encontro vai ser péssimo, não me desculpa, vai ser ótimo. A D. Ironia que é uma chata, quer dizer, é um amor de figura que com certeza vai desanimar, quer dizer vai animar esse encontro. O Sr. Pleonasmo é a figura mais sem graça da festa, quero dizer, mais palhaça da festa.
Depois desses comentários meio fortes a Sra. Antítese entrou para a festa. Logo em seguida apareceu o Sr. Eufemismo, suavizando assim:
_ O que posso dizer desse encontro é que ele será meio enérgico. A D. Ironia vai discutir seriamente com a D. Metáfora e infelizmente a D. Metáfora passará desta para melhor. A D. Ironia vai mandar o Sr. Pleonasmo tomar um copinho d’água para ela não ficar chateada com ele. É só isso que eu tenho a dizer.
Depois dessa grande revelação, apareceram juntas a D. Metáfora e a D. Sinestesia que já começaram a declarar um poema. Cada uma recitava um verso e a poesia saiu assim:


Pétalas de rosas caídas ao chão
São como um coração quebrado.

Sinto sua voz suave penetrando em meu ser
Seus olhares frios abalavam-me por inteiro.

Amizade é ouro que reluz sem se ver.

Nunca ouvi voz mais doce que o mel
Feito por uma abelha rainha.

    Todos aplaudiram o poema da D. Metáfora e D. Sinestesia. Depois apareceu o Sr. Anacoluto que tentou explicar seu atraso:

_ É que eu estava visitando um livro e... Vocês viram como está lá fora? Está uma bagunça que... É mesmo a D. Ironia anda meio chata... Então o livro era muito chato e não me deixaram sair dele.Que coisa, não? Está uma bagunça que eu nunca vi igual.
E por último o Sr. Pleonasmo que é o mais popular de todos, ao lado da D. Ironia. Ele já começou falando assim:
_ Escutem com esses seus ouvidos o que tenho a lhes dizer: Eu ouvi com esses meus ouvidos, uma situação horrível, estava eu do lado de fora e fiquei sabendo dos comentários de todos que entraram e achei uma infâmia da parte da D. Ironia ironizar a festa. Eu entrei aqui dentro para curtir esse grande encontro querendo encontrar as melhores figuras e não estou vendo isto.
Depois desse redundante comentário o encontro se separou em dois grupos: De um lado estavam a D. Ironia junto a D. Antítese e para não excluir os outros, elas chamaram o Sr. Hipérbole e o Sr. Anacoluto para conversarem. E do outro lado estavam o Sr. Pleonasmo junto com as senhoras Metáfora e Sinestesia e o Sr. Eufemismo.


Grupo da D. Ironia:

A D. Ironia toma o partido e começa a falar:

_ Como ia dizendo está festa está uma maravilha, eu aqui tendo que ficar ao lado de uma senhora que não sabe se posicionar, outro é um exagerado que nunca vi igual e outro que eu nem sei o nome vive no mundo da lua. É uma beleza mesmo!
_ Para de reclamar Ironia, você deveria ir embora, quero dizer ficar, pois sua companhia é péssima, quero dizer agradável. Ah! Chega você me entendeu.
A D. Ironia olha com cara de desconfiada para a D. Antítese.
_ Não briguem vocês duas, pois... Então como estava te dizendo grande Hipérbole aquele livro torrou-me a paciência ele era... Não agüento mais os alunos ficaram zombando de mim por causa do meu nome estranho e por causa da minha personalidade.
_ Não liga para eles Anacoluto, pois sua função é super importantíssima para algumas pessoas que estão falando de uma terceira pessoa e de repente essa terceira pessoa chega, ai eles tem que mudar de assunto logo, se não.
_ Ah! Entendi!
A D. Ironia querendo voltar no assunto perguntou ao Anacoluto:
_ Eu quero saber o que você ia dizer sobre nós duas brigarmos, vai o que você ia dizer?
_ Eu falei alguma coisa de vocês duas brigarem? Vocês estão enganadas, pois a ultima coisa que falei foi sobre os alunos que ficam zombando de mim.
_ Além de estranho é esquecido. Que beleza! Olha que eu tenho que agüentar.
_ Acalme-se D. Ironia ele assim é mesmo meio mentecapto, quero dizer esperto.


Grupo do Sr. Pleonasmo:

O Sr. Pleonasmo faz um comentário sobre o grupo da D. Ironia especialmente para ela:

_ Vejam vocês aquela D. Ironia falando com aquela boca venenosa soltando todo seu veneno em cima do pobre Anacoluto.
_ A D. Ironia é uma pedra. Nunca vi um coração mais duro que o dela.
_ Calma, não se alterem. A D. Ironia é apenas uma figura que tem uma maldade acima da média _ complementou o Sr. Eufemismo.
_ Aquela voz ácida dela, o seu olhar azedo, tudo nela me dá arrepio.
_ Temos que pensar de uma maneira bem pensada para mostrarmos que nós somos mais úteis que o grupo dela, mostraremos nossa utilidade. Entraremos para dentro do grupo das figuras notáveis.


Começa então a grande disputa entre eles para saber quem é o melhor ou a melhor, e será uma disputa individual. Quem começará será a D. Ironia:

D. Ironia: _ Sou uma grande figura e muito útil. Só as pessoas inteligentes sabem me usar. E também as pessoas me adoram.
Sr. Hipérbole: _ Tenho uma superimportantíssima função. As pessoas me usam para engrandecer algumas coisas. Para tornar aquilo que é normal numa coisa notória.
Sra. Antítese: _ Tenho uma função poética importante, e mais, o que seria do bem e do mal sem mim, do belo e do feio. Sou eu que dou nome a essas expressões.
Sr. Eufemismo: _ Eu estou nas pessoas educadas, nas pessoas que tem etiqueta. Como as pessoas dariam uma notícia ruim sem mim. Portanto sou de extrema importância.
D. Metáfora: _ Minha função é poética e também é bem popular. Tive a honra de ser usada por grandes poetas como Camões em que ele fala “O Amor é o fogo...”.
D. Sinestesia: _ Minha função também é poética, e bem mais poética do que a D. Metáfora. Sirvo para dar um toque diferente na poesia, vocês já perceberam como sou através dos meus versos.
Sr. Anacoluto: _ Bem... Quero dizer que... Sim com certeza este encontro está ótimo... Vocês não acreditam mesmo em mim... Disseram-me que tenho a função de... É uma função importante... E que estes encontros deveriam continuar... Função de cortar um assunto quando alguém estiver falando de outra pessoa e esta outra pessoa chegar, qualquer coisa perguntem pro Sr. Hipérbole, pois foi ele que me definiu.
Sr. Pleonasmo: _ Minha função é funcionar como uma redundância desnecessária. Eu sei que isso não tem função em nada, mas eu tenho o meu irmão chamado Pleonasmo Literário que tem uma função meio poética.

Um convidado do Clube da Gramática serviu de juiz e disse quem seria o mais útil ou a mais útil para a Linguagem. Ele começou pela D. Ironia, que tinha direito de retrucar.

Convidado: _ Considero seu papel muito importante, mas ele pode fazer com que certas pessoas tornem-se sarcásticas e em exagero isso não é bom, mas para algumas pessoas é essencial.
D. Ironia: _ Eu fico sem palavras. Muito obrigada. Eu sabia que era importante, e só torna sarcástico quem quer, pois como disse só para pessoas inteligentes usarem.
Convidado: _ Sua função pode tornar algumas pessoas mentirosas, e eles podem virar mitômanas.
Sr. Hipérbole: _ Como você pode dizer isso de mim. Eu sirvo muito bem para as pessoas dizerem algo que é normal numa coisa super importantíssima. Eu não admito ser tratado assim.
Convidado: _ Gosto muito da sua função, ela dá nome a grandes antônimos da língua, ainda mais daqueles que a usam para escrever.
D. Antítese: _ Isso é bom ou ruim? É pra ficar triste ou alegre? Isso é um elogio ou uma ofensa? Por favor, diga logo.
Convidado: _ Sua função é muito importante. Você disse bem, o que seria de nós se não pudéssemos atenuar uma notícia.
Sr. Eufemismo: _ Muito obrigado. Tenho uma notícia a lhe dar: _ Fiquei sabendo que sua mãe está tendo o sono eterno.
Convidado: _ O quê? A minha mãe morreu?

O Convidado não agüentou e foi embora chorando. Tiveram então que chamar uma figura que não estava participando do encontro, então chamaram o Sr. Gerúndio.

Sr. Gerúndio: _ Continuando ao julgamento. Sua função poética é importante, mas sinceramente não vou estar gostando muito dela. Você estará sendo eliminada. Se fosse parecida com a Sr. Elipse até que eu poderia estar aceitando você.
D. Metáfora: _ Isso é uma injustiça! O Senhor é um cachorro! Que discriminação é essa.
Sr. Gerúndio: _ Sua função que também é poética não me parece estar servindo de nada. Só pra ficar incrementando poesia. Pergunta se alguém vai estar usando isso no cotidiano.
D. Sinestesia – Concordo com você Metáfora! Isso é uma injustiça.

As próximas figuras temendo um mau julgamento pediu ao Clube da Gramática para retirarem esse senhor que estava atrapalhando todo o julgamento, mas um Sujeito Indeterminado qualquer proibiu e mandou continuar.

Sr. Gerúndio: _ Senhor Anacoluto eu estou gostando muito da sua função, é essencial para muitas pessoas.
Sr. Anacoluto: _ Muito obrigado, aproveitando quero dizer que... Esse cara que está julgando é meio estranho, ele está dizendo que eu... Quero dizer que esse meu papel é realmente importante.

Depois de ouvir que o Sr. Anacoluto é importante a D. Ironia levantou-se da sua cadeira e foi tirar satisfação com esse maluco que até o próprio Anacoluto percebeu. Perguntou por que ele estava fazendo aquilo, o Sr. Gerúndio respondeu:

Sr. Gerúndio: _ Estou fazendo isso porque ninguém me chamou para estar  participando desse encontro. Detesto ser excluído.Só porque virei um vício de linguagem e que as pessoas não param de estar me usando.
D. Ironia: _ Mas nós fomos escolhidas por uma pessoa que utiliza pelo menos uma de nós, tire então satisfação com quem te escolheu.
Sr. Gerúndio: _ É isso que vou fazer! Você que me escolheu, pode dizer por que me excluiu?
Autor: _ Porque eu quis, oras! Escolhi aquelas que dariam uma boa história. Você está ai de metido, ou melhor, pra compensar a falta do Convidado que teve sua mãe morta. Então escolhi um elemento neutro cuja função é tornou-se um vício e que tem um nome diferente. Gerúndio!
Sr. Gerúndio: _ Muito engraçado você, pode então estar mudando essa situação agora!
Autor: _ É isso que vou fazer.
Sr. Gerúndio: _ O que você vai estar fazendo?
Autor: _ Vou te tirar da estória e a partir de agora eu farei os julgamentos.
Autor: _ Justo o Pleonasmo eu vou ter que julgar. O que posso dizer é que erroneamente muitas pessoas te usam, deixando a conversa muito inculta.
Pleonasmo: _ Eu já sabia disso, eu nem sei por que eu existo. Eu só deixa a língua mais feia e inculta, fazendo com que as pessoas falem errado. Agora eu quero saber de você que escreveu, quem é a figura mais importante?
Autor: _ Todas são importantes. E todas têm utilidade. Sinceramente eu não queria ter terminado esta estória, mas já que aconteceu. Fazer o quê?
Pleonasmo: _ Vê se da próxima vez faça um encontro melhor, pois esse foi muito bagunçado. Eu nem mais estou fazendo redundância desnecessária. Já estou perdendo a identidade.
Autor: _ Pode deixar que eu vou fazer melhor da próxima vez. Deixa-me sair fora daqui! Porque essa história aqui saiu uma maravilha! Melhor não poderia estar!

19/06/02
Miguel Rodrigues
Enviado por Miguel Rodrigues em 24/10/2005
Código do texto: T62938
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Sobre o autor
Miguel Rodrigues
Barueri - São Paulo - Brasil, 33 anos
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Miguel Rodrigues