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A História de Zuléia, a centopéia

“A HISTÓRIA DE ZULÉIA, A CENTOPÉIA”.
(Escrita por Marileide Alves Pinheiro )

             Zuléia é uma centopéia muito esperta e brincalhona. Ela mora num jardim florido, cheio de pequenos insetos moradores: minhocas, borboletas, besouros, aranhas e lagartinhas... Zuléia é amiga de todos que vivem por lá. Zuléia corre pra cá e pra lá. Conversa com a borboleta, brinca de pega-pega, esconde-esconde com a minhoca, provoca a Dona Lagarta.
  Certo dia, ela começa a se sentir diferente. Passa a ficar quietinha, pensativa, solitária. Todos ao seu redor percebem que Zuleia, a centopéia anda muito triste, sem graça. Logo ela, que sempre foi muito esperta e conversadeira. O que será que aconteceu?
Dona Lagarta aproxima-se dela e pergunta:
             __ O que está acontecendo, Zuléia. Por que você está triste desse jeito?
             Zuléia responde:
             __ Ah, Dona Lagarta! Eu queria saber tantas coisas. Por exemplo: Por que somos tão diferentes?
Dona Lagarta não entende nada o que ela quer saber e desconversa, saindo de fininho.
             Logo depois, aproxima-se a Minhoca para falar com a Zuléia:
             __ Zuléia, vem brincar comigo. Vamos conhecer o túnel que eu fiz. Vai ser muito legal!
             __ Obrigada, Minhoca. Não estou afim, não. Estou cheia de dúvidas na minha cabeça e ninguém sabe me responder. Queria entender tantas coisas: de onde eu venho? Para onde eu vou? O que é isto? O que é aquilo? Por que tenho tantas pernas e outros apenas duas? Uns são tão grandes e outros tão pequenos? Por que uns voam e outros rastejam? Será que existem mesmo os humanos? Existem?
              __ Bom, bom... Dizem que... Puxa! Zuléia, quanta pergunta. Sua cabeça está mesmo cheia.  Olha, fica assim não, vamos brincar que você esquece e tudo passa...
              __ Não, minhoca, eu quero saber de tudo. Tenho que tirar as minhas dúvidas...
              __ Desculpe por não poder ajudar. Mas... Fiquei sabendo que o Sr. Besouro, aquele senhor já velhinho, dizem que ele é meio “gagá”, mas ele sabe muitas coisas. Quem sabe ele pode te ajudar a resolver este dilema?
              Zuléia saiu a procura do Sr. Besouro. Andou por todo o jardim e acabou sabendo que o mesmo havia morrido. Coitado. Tinha sido abandonado pelos seus parentes, pois não entendiam nada do que ele falava. Pensavam que ele só dizia loucuras.
              Nas suas andanças, Zuléia descobriu que o Sr. Besouro freqüentava um lugar bastante misterioso. Ela ficou muito curiosa para saber que lugar seria realmente este. Onde ele ficava. Alguns diziam que era uma enorme gruta, repleta de objetos diferentes e coloridos. Outros diziam que era um buraco escuro e perigoso, pois lá também podia haver perigosos humanos. Zuléia pensou: O quê? Humanos?
Aquilo aguçou ainda mais o desejo de Zuléia em conhecer este lugar tão misterioso. Ela andou... Andou... Correu, mas quando se cansava, parava um pouco para tomar fôlego e continuava a caminhar.
              Que surpresa!!! Zuléia chegou a uma porta enorme, passou devagarzinho e se escondeu bem no cantinho da parede. Ela tinha medo que alguém pudesse vê-la.
               Logo começou a observar tudo que havia neste lugar. Ficou fascinada ao ver tantas coisas bonitas e coloridas. Será que este é o lugar que o Sr. Besouro freqüentava?  De repente vê uma placa que estava escrito: “BIBLIOTECA” Aquela palavra enche o coraçãozinho  de  Zuléia de felicidade e seus olhinhos ficaram radiantes.
                A partir daquele dia, Zuléia passou a freqüentar a biblioteca e passou a descobrir todas as respostas para as suas perguntas. Cada vez mais ela se apaixonava mais pelos livros que lia diariamente. As suas histórias, seus contos, seus poemas, suas músicas e muito mais. Quanto mais ela lia, mais ela ficava feliz, se sentia maior, mais colorida...

                 Ah! A Zuléia, a centopéia descobriu muitos livros que falavam sobre ela. Alguns tinham lindas histórias como “A Centopéia que sonhava” de Herbert de Souza (Betinho), “Dorotéia, a Centopéia” de Ana Maria Machado e poemas como: “ Os Sapatinhos da Centopéia” de Vera Ribeiro Guedes.
                 Veja abaixo um lindo poema que Zuléia, a centopéia adorava declamar para as suas amiguinhas no jardim:
                        Centopéia
        “Talvez não somente mais uma prosopopéia;
         Talvez tenha sido a mulher de Nero, Popéia;
         Talvez seja puramente americana e não européia;
         Talvez tenha se originado do feitiço de Medeia;
         Talvez seja como conto, saga, lenda, mito, epopéia;
         Talvez seja produto da minha verborréia;
         Talvez seja – apenas talvez – moréia... ou centopéia.”
                     (Poema de Moacir et Selena – julho de 2002)

CRIANÇAS: Visitem a biblioteca da sua escola e também da sua cidade. Leiam bastante.....

leidemarry
Enviado por leidemarry em 10/09/2007
Reeditado em 06/04/2012
Código do texto: T647137

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Sobre a autora
leidemarry
Taiobeiras - Minas Gerais - Brasil
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