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Havia Um Lugar, Segunda Parte

     Benjamim subiu no carro com eles os restantes 40 metros até à entrada do sítio. A estradinha de terra finalmente terminou num piso gramado, já dentro do terreno, que tinha início a partir de um largo portão de madeira que Constantino observou depois que nunca ficava fechado. Clara chegou logo em seguida, satisfazendo a curiosidade de Núpcia, que tinha reclamado por ela não ter vindo com eles no carro. Que ficou estacionado sob uma cobertura de telhas francesas anexa à construção principal. Um pouco abaixo de onde deixaram o carro, situava-se uma espaçosa área, parecendo um terreiro, com vista para todo o sítio. Dali Constantino e Núpcia puderam se deliciar com as belas imagens das cadeias de montes sempre muito verdes e avistar as três outras construções que compunham a propriedade. Sempre bem afastadas entre si e ocupando cada uma delas níveis diferentes.
     - Depois nós vamos conhecer as outras casas, disse Benjamim, acariciando a cabeça de Banzé, um labrador com aspecto de bonachão que viera recepcionar os recém-chegados.
     - Oi, Xaviera. Demoramos, mas chegamos.
     - Sejam bem-vindos. A papinha tá na mesa, disse Xaviera depois de beijos carinhosos nas duas faces de Núpcia.
     Saladas e mais deliciosas saladas e um suflê que não foi possível identificar de que tinha sido feito. Puderam foi ver que por mais que comessem, não se sentiam cheios. Funcionando a moderação como uma espécie de conseqüência do fato de que não poderiam ficar o tempo todo à mesa. O que serviu também para que não houvesse a necessidade de esvaziarem mais duas garrafas de vinho tinto.
     - Que tal a refeição?, perguntou Benjamim a Constantino, sabendo de antemão qual seria a resposta, pelo entusiasmo do primo ao repetir os pratos.
     - Há muito tempo que não comemos algo tão fresquinho assim, respondeu Constantino, olhando para Núpcia.
     - Em grande parte a culpa é dela, interveio Xaviera, dirigindo-se à moça loura que se apresentava para recolher os pratos.
     - Esta é Sofia, a nossa secretária e anjo louro.
     - Como está, Sofia? Um fim-de-semana aqui e a gente volta muito mais obeso do que é.
     - Que bom ouvir isso. É sinal de que não vamos nos sentir culpados, respondeu Sofia.

     Pra quê dormir após o almoço? Constantino estava ansioso para que Benjamim se cansasse daquela conversa sobre parentes que há muito não via, dentre eles uma de suas irmãs, que tinha sido uma conhecida atriz de teatro. Queria percorrer as trilhas existentes no sítio. Imaginava que fossem extensas e viu depois que não se decepcionou.
     Conversavam numa saleta em nível inferior ao da cozinha, onde ficava o ateliê provisório de Benjamim. O piso da cozinha ficava por sua vez em nível inferior ao da sala. Não mais que dois degraus, nos dois casos, eram necessários para vencer as diferentes alturas, que indicavam ter sido a casa construída de acordo com os acidentes do terreno.
     Benjamim foi com o grupo apenas até ao lago que ficava logo abaixo do terreiro para o qual se abria a porta principal da casa. A partir dali Xaviera acompanhou o casal visitante, que estranhou que não tivessem também a companhia dos cachorros da casa. Mas logo em seguida Clara e Banzé se apresentaram, com o último correndo na frente com um pedaço de tronco que achara no chão do terreiro.
     - Ainda tem mais uma. A Feia, que vai aparecer mais tarde. É dela a incumbência de tomar conta do quintal à noite. Embora não costumamos ter problemas nunca, apressou-se Xaviera em explicar. Mas ela toma conta assim mesmo.
     - Certos cachorros parecem que foram concebidos para essa finalidade, comentou Núpcia.
     - Você sempre anda tudo isso com eles? Ou Benjamim às vezes os acompanha?, perguntou Constantino.
     - Ele prefere gastar o seu tempo pintando. Aqui a sua produção é sempre maior, respondeu Xaviera, percebendo que Constantino movia-se como uma criança alegre, parecendo estar com os mais velhos trilhando os sinuosos caminhos de um bosque. Parece que você gosta de caminhar mesmo, hein?
     - Nunca fazemos isso onde moramos. Não podemos perder a oportunidade, disse Constantino.
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 22/09/2007
Reeditado em 23/09/2007
Código do texto: T664124

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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