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Rheelzur

PARXUT! – xingou Rúlou, passando uma das garras em seu braço esquerdo. A última armadilha iría lhe custar os movimentos deste e com isso não poderia mais carregar seu escudo, nem qualquer outra coisa com ele.

– Goblin imbecil! Por quê não me avisou sobre a seteira na estátua?

– Por quê? Por quê? – gritou o goblin indignado. – Por quê diabos você disparou na direção deste bicho? – disse o goblin apontando com a cabeça o cadáver da criatura no chão.

– Porque este aqui goblin é um cão infernal. Ele podia ter nos fritado de longe, não precisava nem chegar aqui.

– Calem a boca vocês dois se não querem nenhuma outra criatura atrás de nós. – este era Merskap, o feiticeiro incumbido de destravar e anular os feitiços que lacravam certas partes das ruínas.

– Vamos logo então! – rosnou Rúlou, segurando firmemente no cabo de seu machado orcniano que conseguira ao assassinar o mestre de um ex-companheiro de lutas.

– Vamos logo Gabul! Vamos andando! Seu serviço ainda é nos guiar dentro desta ratoeira. E não se esqueça... – Rúlou olhou para o braço ferido, no qual amarrara um pedaço de pano velho para estancar o sangue, e em seguida virou-se fitando o goblin nos olhos antes de completar. – De nos avisar sobre as armadilhas.

Gabul sentiu algo gelado percorrer suas costas. Era medo. Ele sabia que Rúlou não se importaria de enfrentar qualquer armadilha se sua morte realmente lhe desse prazer. O goblin então passou à frente do grupo tomando cuidado para não esbarrar em seu insatisfeito companheiro; um “tá” bem baixo, foi só o que eles ouviram quando Gabul passou, começando a caminhar pelo corredor que se estendia à frente deles.

Após alguns passos neste caminho, Trukol-Bakur, que havia ficado em silêncio por vários minutos, falou:

– Parem! – os outros o viram balançando a cabeça e fungando.

– O que foi? – perguntou Merskap rapidamente.

– Farejei alguma coisa!

– Não farejou não, se não eu tinha farejado também – disse Rúlou firmemente.

– Eu farejei... e é um cheiro que eu já senti antes.

– Se eu não senti, você também não sentiu. – disse Rúlou começando a se irritar. – Você nem mesmo é um orc. É só metade de um! – Trukol era um meio-orc, e sua descendência humana às vezes era “comentada” nas discussões.

Trukol sentiu o escárnio de Rúlou fazer seu sangue borbulhar e o teria atravessado ali mesmo com sua espada, mas o cheiro começou a ficar mais forte. Era um cheiro parecido com o de couro queimado, só que mais forte, mais ocre.

– Onde será que já cheirei isso? – era o que se perguntava no momento em que percebeu... – Está chegando mais perto. – alertou, um momento antes de uma bufada, seguida de passos pesados soarem na escuridão à frente.

– Acho melhor recuar – sugeriu Gabul dando alguns passos para trás do grupo.

– Não sem antes saber se posso picar o que está ali com o meu machado. – Rúlou ergueu sua arma, preparando-se contra qualquer coisa que viesse em sua direção.

– Ainda não vejo nada, este corredor deve ser bem longo. Eu não gosto disto. – a infravisão dos goblinóides os permite enxergar a quase vinte metros na escuridão, porém o perigo devia estar mais longe que isso. – Preparem-se pra matança orcs – continuou Merskap, segurando firmemente a cabeça de papagaio presa a um cordão em seu pescoço.

– Cripxe restayv... – Merskap começou a conjurar um feitiço e instantaneamente Trukol e Rúlou se posicionaram. Apesar das diferenças, comuns entre os goblinóides, eles não tinham sido escolhidos para esta missão ao acaso, eles eram aventureiros experientes, e agora faziam parte de um dos principais grupos na guerra contra Belthar. Rúlou plantou-se dois passos à frente de todos, de machado erguido, pronto para suportar qualquer carga jogada sobre eles – e se possível arrancara cabeça do que quer que se aproximasse antes que isto acontecesse. Trukol agarrou sua besta.E com um estalo – no momento exato em que Merskap terminava a conjuração do feitiço – ela estava pronta para atravessar o coração do inimigo; tudo não levou mais que três segundos.

_... roy rez! – Pequenas fagulhas violetas brilharam na direção de onde vinha o som dos cascos, envolvendo rapidamente o corpo de um touro bestial.

– Um touro!? – disse Trukol surpreso e cerrando os olhos na busca de uma visão melhor.

– Isso não é um touro – disse Merskap num tom dramático. – É um górgon!

Um gorgon! As palavras de Merskap agiram como uma bolsa cola caída sobre o grupo. Todos eles já tinham ouvido estórias de bandos goblinóides e drows, transformados em pedra pelos sopros de tais criaturas. Trukol lembrou-se imediatamente onde já tinha sentido aquele cheiro; fora nas estátuas próximas à árvore morta, corredores atrás na dungeon.

A fera – que parecia não tê-los visto ainda – começou a farejar e bater os cascos no piso de pedra, as palavras pronunciadas para conjurar o feitiço pareciam ter chamado sua atenção. Merskap fez uma revisão rápida em sua mente dos feitiços que lhe restavam e descobriu que estes não eram muitos. O górgon começou a avançar lentamente na direção ao grupo. Rúlou tateou seu cinturão para certificar-se de que suas poções de cura estavam lá, e descobriu que só lhe restava uma. Trukol virou-se para ver a posição de Gabul, mas o goblin tinha desaparecido.Visualizou então a passagem em arco que levava a caverna de onde eles tinham vindo e falou rápido aos outros: – Recuem! É melhor enfrentá-lo num lugar mais aberto!
O górgon, ao escutar a voz de Trukol, que deixara de ser um mero sussurro e naquele momento soava forte, mugiu alto e disparou pelo corredor ao encontro do trio.

Todos correram procurando voltar à caverna. Merskap girou num salto ao ver o górgon começar a correr em sua direção; no mesmo momento, Trukol já saltava o corpo do cão infernal no corredor e chegava à caverna atrás deles. Rúlou demorou um segundo mais para sair de onde estava – afinal, os orcs adoram o combate; para Rúlou, o motivo para ter entrado na guerra contra Belthar, foi o de poder brandir seu machado e mutilar qualquer oponente com ele – porém, este segundo quase lhe foi fatal.

O górgon jogou a cabeça para cima, procurando o corpo do orc com seus chifres, mas Rúlou conseguiu escapar no último momento, jogando-se contra a parede do corredor; o lado que escolhera, porém, fora o do seu braço machucado. O choque resultou em um urro de dor que pode ser ouvido pelos que já estavam na caverna. A dor fez com que Rúlou deixasse cair o machado. O górgon enquanto isso dava meia volta e preparava-se para um novo ataque.

Rúlou procurava ignorar a dor em seu braço. Apoiando-se na parede pensou em usar sua última poção de cura, mas a criatura começou uma nova investida e ele viu que não teria tempo para isso. Por um breve momento ele se sentiu apavorado, mas o medo quase que instantaneamente transformou-se em ódio por estar naquela situação; indefeso como um coelho ferido diante de um lobo faminto. Enfurecido, Rúlou puxou o punhal que carregava em sua cintura e partiu para cima do górgon. Neste momento, o górgon e o orc, não passavam de duas bestas com o único intuito de matar um ao outro. Rúlou saltou de lado ao encontrar a fera, cravando-lhe a arma no pescoço e conseguindo passar para o outro lado. Ele caiu desequilibrado no chão e quando tentou se levantar para ver o resultado de seu ataque sentiu o estômago abrir-se como se cortado por uma espada élfica; o górgon também não havia errado daquela vez e o sangue do orc vertia por um buraco em sua barriga. Sua cabeça começou a girar e sua vista escurecer, Rúlou respirou fundo e pegou trêmulo a poção em seu cinturão – não dando atenção ao barulho que o górgon fazia, mugindo e saltando com o punhal enfiado no pescoço – tirou a rolha com a boca e a cuspiu de lado e em seguida tomou a poção em grandes goles. Instantaneamente sentiu o sangue parar de escorrer de suas entranhas e até a dor em seu braço diminuir.

O górgon bufava forte, exalando pequenas nuvens verdes de suas narinas. Rúlou ergueu-se, olhando para o monstro que se voltava para ele mais uma vez, ele sabia o que estava para acontecer.
O monstro expeliu uma nuvem de gás verde da boca. Rúlou não tinha onde se jogar para escapar daquilo, iría virar uma estátua de pedra sem vida, terminaria assim.

O orc viu o corredor nublar-se e começar a envolvê-lo, então, súbito, ouviu a voz estridente de Merskap soar forte atrás dele e uma rajada de vento afastar a nuvem de gás, levando-a de volta para o monstro.
Aproveitando a chance de escapar, Rúlou correu para a caverna, e ao ver que só Merskap e Trukol o esperavam ali, perguntou: – Onde está o goblin?

– Sumiu. – respondeu Merskap.

– Aqui! – disse Gabul, aproximando-se ofegante próximo ao grupo – Cadê o bicho?

– Está começando a vir pra cá! – disse Trukol que observava, com sua besta apontada para o corredor onde o górgon estava.

– Vocês, venham comigo, tenho um plano. Trukol você vai ser a isca. – disse o goblin – Quando o monstro chegar, corra para aquele corredor – disse apontando para um outro corredor à esquerda deles – e leve ele com você. Trukol resmungou insatisfeito, mas como não tinha outro plano, se conformou com o do goblin.

O górgon se aproximou fantasmagórico, envolto pela luz conjurada por Merskap. Trukol ainda teve tempo de disparar sua besta antes de saltar para fora da trajetória em que vinha a criatura. Ela passou quase levando um pedaço do meio-orc consigo, deslizando mais de dois metros ao tentar parar.

Trukol se levantou e correu para o corredor que Gabul tinha apontado. Olhou para trás e viu que o górgon já vinha em disparada atrás dele. Pensou que se o górgon soltasse uma baforada naquele momento, seria seu fim; mas claro, o goblin não tinha pensado naquilo; então correu o mais rápido que pode. Quando entrou no corredor o monstro já quase o alcançava. Avistou Merskap, Rúlou e Gabul, parados à quase trinta metros, e a uns dez metros antes deles, uma parte do chão que brilhava com a mesma luz que envolvia o górgon. Os três gritavam e gesticulavam, mas por causa dos mugidos e do barulho dos cascos da criatura que ecoavam onipotentes dentro do corredor, Trukol olhava para eles, mas não conseguia entender nada. Deve ser pra chegar na parte com luz – pensou ele.

Quando estava quase chegando no ponto iluminado e o górgon quase chegando nele, conseguiu distinguir a voz estridente do goblin: –É pra pular idiota!!

Trukol se jogou por cima da luz que estava preste a pisar, caindo todo desengonçado do outro lado. O górgon que vinha atrás entrou na parte iluminada e logo uma enorme rocha despencou do teto sobre ele, esmagando-o como a uma barata.

– Pronto.Vamos pegar o meu machado. – disse Rúlou carrancudo, chegando com os outros até onde Trukol estava.

As armadilhas daquele lugar esquecido, porém, ainda não tinham acabado. O solo começou a ruir exatamente no ponto em que o górgon fora esmagado.

– Lari Kas Put! – xingou Gabul, ao ver a grande rocha que esmagara o górgon, afundar à sua frente. Todo o chão do corredor começou a afundar, fazendo o grupo correr na direção contrária a que pretendiam, porém, não tiveram como fugir. Logo o desmoronamento os alcançou, fazendo-os cair vários metros em meio aos escombros de rochas e poeira.


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Terminado o desmoronamento, a poeira assentou-se e seguiu-se o silêncio; que perdurou por minutos; até ser quebrado por Trukol, que fez rolar uma pedra que o impedia de se levantar. Sua cabeça doía e suas pernas fraquejaram ao tentar se erguer. Sentiu uma das pernas úmidas, molhada pelo líquido dos frascos que carregava em um saco de couro na cintura. Usou as pedras que o cercava como apoio em uma segunda tentativa de se levantar e conseguiu. Viu um par de pernas estiradas mais à frente – o resto do corpo estava soterrado –, ao se aproximar, reconheceu-as como sendo de Rúlou. O orc já era. E o pior é que tinha sido enterrado com todos seus itens. – Desgraçado unha de fome – pensou. Foi então que viu uma algibeira esfarrapada jogada no chão e ao puxá-la para ver o que encontrava, ouviu algo cair. Trukol esboçou algo parecido com um sorriso ao pegar do chão um frasco fino de ferro.

Poção de cura! – grunhiu baixo. Todos tinham recebido uma daquela antes de partirem, e estas eram capazes de curar todos os ferimentos do corpo, excetuando os causados por doenças.
Sem pensar em de quem seria, Trukol-Bakur a abriu com pressa e a bebeu; como se quisesse evitar que alguém a reclamasse como sua. Logo, seu corpo estava firme novamente.Os ossos deslocados voltaram ao lugar e os ferimentos se fecharam. Mexendo na algibeira que pegara do chão, encontrou pequenas chaves e ferramentas e percebeu na hora que ela era de Gabul, porém, não via o menor sinal dele; provavelmente morrera como Rúlou.

– Bakur! – alguém sussurrou em suas costas.

Trukol saltou assustado para frente, girando rápido com sua espada já desembainhada.

– Acho que vai ficar mais difícil só em dois. – disse Merskap parado à sua frente e olhando para os escombros como se aquela fosse uma situação comum.

– Merskap? Como você sobreviveu? Onde você estava? – disse o meio-orc, surpreso com a aparição brusca do feiticeiro.

_ Depois! – disse o kobold, voltando sua atenção para Trukol – Vem comigo, vou te mostrar o que achei.

Em certo ponto da caverna, onde o grupo tinham sido jogado pelo desmoronamento, existia uma passagem em arco, quase toda bloqueada pela terra e pelas pedras, em decorrência do acontecido. Apenas um pequeno espaço seu ainda podia ser visto. Merskap subiu em uma pedra para alcançá-la e passou para o outro lado sem problemas. Trukol, no entanto, precisou desprender a espada das costas para se espremer pela passagem.

Do outro lado, uma forte luz brilhava, no que parecia ser uma sala à mais de trinta metros de distância. Atravessaram o túnel cautelosos, até chegar onde a luz estava.

– Deste lado. – chamou Merskap ao entrarem no local. Não era uma caverna muito grande se comparada as que já tinham encontrado ali mesmo naquela dungeon. As paredes estavam à mais de dezoito metros uma da outra e o teto à cinco metros, era sustentado por grossos pilares.

Trukol seguiu Merskap, que andava a sua frente com a cabeça baixa, incomodado com a luz que chegava à seus olhos.

– Olhe! – disse Merskap após circularem um dos pilares, parando diante de uma alta porta de pedra lisa. Trukol olhou a porta e depois fitou o kobold com satisfação. Haviam encontrado o que procuravam.
Merskap pegou em suas coisas, uma lente feita com um rubi preso à uma armação dourada e em seguida invocou um feitiço, observando a porta através dela. Trukol, que esperava o feiticeiro, resignou-se à observar a sala.

Ao terminar o feitiço, a lente foi consumida pela magia e desintegrou-se. Merskap sentiu o corpo amolecer e sentou-se, resmungando algo que Trukol não conseguiu entender.

– Levante feiticeiro! O que você viu? – disse Trukol, nenhum pouco tocado pelo estado de seu companheiro.

Merskap estava exausto. O feitiço que acabará de usar consumirá muito de sua energia.

– Um se... um selo! – disse o feiticeiro com a voz fraca.

– Quebre o selo então! – retrucou o meio-orc.

– Que os dentes de Sausclot se fechem sobre você meio-humano! – resmungou Merskap enquanto tentava se levantar.

De pé, o kobold respirou fundo e começou a gesticular. Fechou os olhos e entoou o encantamento para quebrar o selo. Trukol sentia a ansiedade aumentar enquanto Merskap invocava os poderes para concluir o feitiço. Estavam ali para libertar um soldado que duplicaria a força do exercito o qual faziam parte. À quase quatro luas estavam nesta missão; se esgueirando e se escondendo por entre a velha floresta e seus perigos.

– Pronto! Está quebrado. – disse o kobold com visível cansaço.

Trukol guardou a espada e se adiantou para forçar a porta e abri-la. Apoiou-se firmando os pés contra o chão e a empurrou. A porta era incrivelmente lisa e pesada. Trukol sentiu seus músculos enrijecerem, tal como a própria pedra que empurrava. Merskap viu os olhos do meio-orc fecharem e suas veias saltarem do corpo antes dele conseguir abrir a passagem com um esforço que quase o fez desmaiar.

– Beba isto Bakur.  – disse Merskap se aproximando e lhe entregando uma poção. – Não queria fazer isso, mas também não quero entrar sozinho aí.

– Uma poção de cura kobold? – perguntou Bakur, ajoelhado e ofegante, olhando para Merskap que agora ficara com a cabeça na mesma altura da sua.

– Não, não tenho mais nenhuma poção de cura e esta é um elixir de força.

– O quê foi Merskap? Generosidade?

– Não. Depois de quebrar o selo, só me restou poder para mais uma magia e não quero desperdiçá-la. Por isso, um guerreiro é necessário.
Trukol bebeu o elixir e se levantou menos cansado, olhando a sua frente o que havia atrás da porta.

A luz iluminava o que parecia ser uma comprida sala. Plantas mortas cobriam todo o piso e as paredes, deixando-os quase imperceptíveis.
– Será mais uma armadilha de druidas? – disse Trukol, esperando uma resposta do feiticeiro. Este, porém, não teve tempo de responder, uma outra voz veio de dentro da sala escura; um murmúrio num idioma que eles não conseguiram entender.

Trukol levantou sua espada, segurando-a firme com as duas mãos. Merskap cerrou os olhos, observando o interior da sala e percebeu o vulto de algo maior que Trukol se aproximando pelas sombras.
Merskap conseguiu saltar para o lado no último instante, já Trukol não teve a mesma sorte. De repente, surgira na sua frente, o que parecia ser um ogro maltrapilho e enorme. Antes que pudesse reagir, foi jogado para trás com um golpe no peito, acertado com um pedaço de madeira empunhado pelo ogro. Trukol largou a espada devido a brutalidade do golpe e caiu de costas no chão, à quase três metros de onde estava. Tentou pedir ajuda à Merskap: – Merskap use o seu feiti... – mas antes de conseguir fazê-lo, o ogro já estava sobre ele, rasgando sua carne com potentes garras. A última coisa que Trukol sentiu, foi a carne de seu pescoço sendo atravessada e arrancada por dentes afiados, então tudo terminou.

Merskap viu o meio-humano ser arremessado e depois esquartejado pelo ogro, que agora devorava sua carne como um animal. Aproximou-se apenas um passo e disse; tentando esconder o medo que era visível; falando do modo mais firme que podia:

– Rheelzur, devorador de exércitos! Existe uma guerra fora daqui, onde muitos inimigos esperam para serem devorados!

O ogro, sem parar de mastigar, olhou de canto para o feiticeiro – fazendo-o ter vontade de correr dali – depois voltou a arrancar e a devorar pedaços de sua vitima. Merskap ficou parado ali, resoluto em se mover, observando o ogro terminar sua refeição.

Quando o que restava do corpo de Bakur, não passava de ossos e pequenos pedaços de carne, Rheelzur se levantou.

– Leve-me à tal guerra. – disse ele na língua comum.

O kobold, que havia dado um passo para trás ao vê-lo se levantar, sorriu. O ogro caminhou até onde ele estava esperando sua ação.
Merskap esticou os braços e respirou fundo, e antes de pronunciar seu último feitiço, olhou para os restos do ex-companheiro e pensou: – É uma pena! É uma pena você não ter nada de valor pra eu pegar! – E com um gesto e algumas palavras a magia os envolveu e os levou, para um outro lugar, onde uma nova fase de uma velha guerra iria começar.
Nildera
Enviado por Nildera em 30/09/2007
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Sobre o autor
Nildera
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