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Luta do amor contra o ciúme (Luiza Fernanda, o grande amor do Poeta)

Era um domingo de sol e no fim da tarde o Poeta estava sentado num banco da praça lendo um livro, sem dar conta do movimento e da intensidade de vida nas pessoas que haviam por ali. Perto dele tinha vários meninos com um aparelho de som ligado e enquanto dançavam o rip rop que era tocado no chão da praça, brincavam com seus skates ou conversavam sentados nos encostos do banco que estavam em volta ou ainda estendidos sobre a grama. Crianças assediavam a barraca de algodão doce, o carrinho de pipocas e corriam por ali, enquanto as mamães fofocavam enquanto olhavam elas.
O Poeta não percebia nada disso, por estar concentrado no livro que lia – O MUNDO DE SOFIA de Jostein Garrder – e vivendo naquele momento as fantasias filosóficas da menininha que era a personagem central dele. Foi nessa hora que um dos garotos falou em voz alta e chamou sua atenção:

- Olha a Fê ai, galera!

O Poeta olhou para ver quem era e seu coração nessa hora disparou. Viu uma morena linda com os cabelos compridos e encaracolados, presos com uma fita amarela, que se dirigia em direção aos garotos. Chegando ela foi festejada e beijada por cada um deles no rosto. Todos mostraram alegria pela presença dela e ela deixava ver o quanto estava feliz ali entre eles. Ficou um tempão participando das atividades e conversando com eles e quando se despediu foi um coro de lamentos e nova troca de demonstração de carinho da parte de todos.
O livro estava largado aberto sobre o assento do banco do jardim e o Poeta olhava o caminhar da garota que se afastava, encantado. Não sabia ainda, mas fora atingido por um vírus muito forte e uma doença benigna o havia contaminado, quando seu olhar encontrou aquela menina... Estava amando!
Tudo ficou confuso na cabeça do Poeta e ele nada entendia, quando perdeu a menina de vista. Tentou voltar a se concentrar em sua leitura, mas no lugar das letras via com clareza os detalhes da face da menina, que fora embora á pouco. As expressões de meiguice, candura e pureza que vira nela não lhe saiam do pensamento e eram estampadas nas páginas que tentava ler. O brilho da cor negra dos olhos dela, que tinha ofuscado seus pensamentos assim que o vira e marcado a sua alma, faziam as letras em sua frente brilharem e se transformarem numa visão ilusória e irreal. Acabou indo para casa sem saber o que acontecia consigo naquele dia!

                                        * * *

Sábado logo de manhã, o dia nem havia clareado ainda, e dona Anita já tinha passado o café – num coador feito de pano porque dava mais sabor a ele – quando a Fê apareceu com o cabelo todo espalhado, a cara sonada e os olhos cheios de remela, do sono gostoso que havia tido naquela noite. Olhou para a mãe e falou:

- Oi mãe, já acordada?

- Bom dia filha, a vida recomeça a cada dia e quanto mais cedo acordamos mais nós vivemos. E tua irmã? Ainda ta dormindo?

- Ta sim mãe, a senhora sabe o quanto ela é dorminhoca.

- Que horas ela chegou ontem?

- Sei não... Já tava dormindo e não vi.

- Ta... Vamos tomar um café e ir pra feira, que temos muito o a fazer. Deixa a Leila dormir mais um pouco que ela aparece lá quando tiver movimento na barraca... É sempre assim!

                                         * * *

Mal escureceu e ela saiu de casa. Na esquina, dentro de um velho fusca, três rapazes e uma outra garota a esperavam. A Leila entrou nele, beijou a todos e saíram dali. A noite para eles foi comprida e curta, ao mesmo tempo. Pegou a bagana que eles fumavam, logo que entrou no carro, e a fumou. Visitaram vários barzinhos, através da madrugada, e fizeram sexo só por fazer, só pra regalar a carne. Antes que o dia amanhecesse, eles a deixaram no mesmo lugar onde a pegaram e ela foi dormir...

                                        * * *

- Batatas de várias qualidades. Especiais pro nhoque do domingo, pro purê suculento e pra fatiar e fazer as fritas. Tem tomate de primeira pra salada freguês. Molho sem pimentão fica sem gosto, vamos levar...

Era uma linda moreninha que apregoava os produtos da barraca de feira em que trabalhava e chamava a atenção de todos.

- Tem jiló, rabanete e açaí, lá do norte, pra fazer o suco geladinho do almoço. Vamos levar...

                                        * * *

- Oi maninha...

A irmã surgiu do nada e falou com ela que á essa hora já estava cansada, pois tinha ajudado a mãe a armar a barraca, arrumar os legumes nas bancas e atendido um monte de fregueses que apareciam para levar o melhor e mais fresco.

- Olá Leila. Ainda bem que você chegou...




"O conto continua, publicado em textos eróticos para não machucar as almas puras"... rssssssss


 

CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 30/10/2007
Reeditado em 30/10/2007
Código do texto: T715996

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
369 textos (438364 leituras)
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