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Diário de uma Assassina > As Nossas Cinzas > A Aprendiz

                                                             A Aprendiz 22/08
                                                            Melissa GoldenHeart

 Duas e meia da manhã marcava o grande relógio da parede mofada do primeiro andar da ilustre casa quando a porta da frente bateu. “Atrasada" - Pensei enquanto caminhava para a sala ainda sonolenta. Não fazia muito tempo que havia saído da casa do Duque, só havia dado tempo para chegar no quartel, tomar um banho e tirar um cochilo para recuperar as energias e encarar a reunião de mais tarde. Não, eu não entendia, e nem entendo ainda, por que Justin marcava aquelas malditas reuniões de madrugada.

 Ao chegar na sala dei de cara com Evelyn, que ria feito uma hiena descontrolada. Provavelmente havia passado a noite toda bebendo e não tinha se lembrado da reunião e não seria eu que iria lembra lá. Ela deu um tapinha no meu ombro rindo e saiu cambaleando em direção a cozinha.
 - Bem vou comentar isso.

 - Nem que seja algo maldoso?

 A mulher loira sentada no sofá da sala deu uma risada maldosa. Nina Williams, uma espécie de amiga que eu conheci por acaso em um bar há muito tempo atrás, uma outra história que talvez eu conte outra hora. Sentei ao lado dela e fiquei calada, já que sabia o que ela iria perguntar e o que eu não iria querer responder. Ela me encarou por alguns minutos, com aquele olhar que só ela sabe fazer quando está curiosa.
 - Dormiu com ele?

 Eu me virei para ela, com uma cara desentendida. Como é que eu poderia ter dormido com ele naquele estado lastimável? Pois é, apenas Nina para pensar coisas nesse estilo. Eu respirei fundo, olhando para a janela que estava aberta e dava para a rua vazia e escura. Bem, não sei se devia contar a verdade ou deixar ela se iludir com a esperança que eu tinha encontrado alguém legal.
 - Não, não dormi com ele. Mas eu quase o matei, se isso te faz melhor.

 Ela caiu na gargalhada olhando para mim e prestando atenção nas minhas roupas. É, todo aquele sangue no chão e pelo quarto eram dele e eu tinha feito toda aquela bagunça. De acordo com ele, e com o que me lembrei, depois te eu ter conseguido chegar no quarto, quer dizer, ele foi gentil o suficiente e me carregou, comecei a gritar e ameaçar ele com a minha espada. Acertei ele no rosto e depois várias vezes tentei cortar lhe a cabeça enquato ele apenas de defendia com um pedaço de madeira. Apesar do meu estado, ainda conseguia ter forças no braços para golpe a lo e obrigando o a se defender. Ele chutou a minhas espada e consegui me segurar, mas por pouco tempo, eu acabei empurrando o até o espelho que tinha perto do banheiro o joguei contra ele, quebrando o e fazendo mais poças de sangue. Sinceramente eu não lembro de nada do que eu fiz. Nem lembro de ter jogado ele contra a janela do 3º andar. Mas no final das contas, ele me segurou com forças e consegui me acalmar deixando um empregado dele e dar algum tipo de sedativo e eu só fui acordar no dia seguinte, a história que eu já contei. Mas por que ele não estava ferido?

 - Bom Dia garotas. - Sorriu o homem que estava descendo as escadas - Vejo que Sway e Violet ainda não chegaram e Evy está tentando se manter sóbria para conseguir prestar atenção. - Ele sorriu chegando ao patamar da escada e dando um sorriso forçado - Não sei se posso esperar por muito tempo, tenho muitas novidades.

 Mal terminado a frase duas mulheres entraram na sala, uma loira e outra com cabelo roxo brilhante. Pronto, nós cinco, ou quase,  estávamos reunidas para mais uma vez escutar Justin Vallon, o chefe das Sexy e Deadly. A única coisa que dava mais medo do que nós reunidas para matar era Justin falar que tinha novidades. Toda vez que ele usava aquele tom e nos reunia é que algo iria acontecer...

 - Agora sim, todas as minhas meninas aqui. - Ele sorriu andando até a poltrona e se sentando - Estão aqui para boas notícias, claro. Os trabalhos executados por vocês na noite anterior fora concluídos com maestria, não podiam ter sido executados por outras pessoas. - Todas nós sorrimos, sentindo orgulho de nós mesmas - Para as senhoritas Violet, Sway e Williams, terão a próxima semana de folga para aproveitarem como quiserem. O pagamento já foi devidamente feito nas contas que me pediram. Mas para a senhorita Nénar, tenho algo muito especial essa semana... - ele apenas sorriu fazendo sinal para as outras garotas se dispersarem pela casa.

 Eu respirei fundo e fiquei séria. Vindo dele dizer que eu tinha algo especial essa semana queria dizer que eu mataria mais pessoas que o normal, e isso não era algo que eu gostava de fazer em uma semana que já estava devidamente programada. Sim, o Duque. Ele havia me chamado para jantar com ele.
 - Não vai precisar matar ninguém Nénar.
 - Então deve ter me arranjado coisa pior, não é?

 Ele sorriu novamente. Aqueles sorrisos sempre me assustavam, já que não se pode esperar coisas boas de um homem que contrata assassinas e funda uma organização que é exclusiva para acabar os seus inimigos. Mas quando estamos lidando com loucos, talvez possa se esperar algum ato de seriedade ou de normalidade por assim dizer.
 - É apenas um aprendiz Nénar. Melissa Goldenheart, sua mais nova pupila.
 - Desde quando eu tenho pupilas? Sou nova para arranjar filhos Vallon.

 Ele riu da minha cara e se levantou e abriu a porta.Uma mulher de cabelos negros e olhos claros e uma pele branca como papel entrou, olhando para a casa com um ar meio assustado. Não era para menos, já que as paredes velhas e manchadas de sangue não eram o lugar mais agradável de se olhar, ainda mais uma casa cheia de mulheres com rostos tão angelicais.
 - Melissa, essa é Dahaja Nénar, sua instrutora a partir de agora.

 Eu não merecia uma coisa assim. Era algum tipo de castigo? Olhei para ela com um ar superior e apenas estendi a mão para cumprimenta lá, sem muita emoção. Aff, queriam que virasse baba? Aquela garota devia ter uns dezesseis anos no máximo, ou até menos. Mas havia algo nela estranho.... Diferente para ser mais sincera o possível.
 - Nénar, ela é uma vampira.
Nenar
Enviado por Nenar em 16/11/2007
Código do texto: T740153

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Sobre a autora
Nenar
São Paulo - São Paulo - Brasil
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