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Promessas de amor e satisfação carnal (conto homenagem a uma grande poetisa)


As telhas de zinco que cobriam o alpendre de casa trepidavam e faziam um barulho ensurdecedor, como se estivessem sendo arrancadas pela força do vento cortante que assoviava enquanto entortava as copas das árvores, derrubava bicicletas e tudo que encontrava em sua passagem. Era o primeiro furacão daquele inverno e por sorte ele estava de folga, não tendo que sair de casa.
Com o ar condicionado ligado, para aquecer o meu quarto, me se sentia distante da balburdia que a natureza provocava e do ar gelado que fazia a pele arder como se milhares de agulhas a estivessem penetrando. Tinha tomado um banho e depois sentado em frente ao PC, para navegar e passar o meu tempo. Estava ainda nu, e com o corpo molhado, quando entrei naquela sala de bate papo e vi os nicks na tela de meu computador.
   Vi que o nick que tinha usado para entrar era o último da fileira que havia no lado direito da página. Escolhi Poetisa entre os que havia ali e cliquei sobre ele com a intenção de jogar um pouco de conversa fora. Na tela apareceu:

          Poeta/JP fala (reservadamente) para Poetisa: Olá moça bonita, que se diz poetiza.

Alguns segundos depois, embaixo de algumas linhas escritas que separavam a mensagem que eu havia digitado e mostravam a conversa de outras pessoas que visitavam a sala, apareceu á resposta na tela:

          Poetisa fala (reservadamente) para Poeta/JP: Oi, tudo bem?

          Poeta/JP fala (reservadamente) para Poetisa: Tudo bem sim menina, e com você?

          Poetisa fala (reservadamente) para Poeta/JP: As mil maravilhas querido, viver é divino.

          Poeta/JP fala (reservadamente) para Poetisa: Oba parece que encontrei alguém cheia de otimismo e que adora viver.

          Poetisa fala (reservadamente) para Poeta /JP: Com certeza, meu bom amigo. Viver com intensidade e se entregar às paixões são coisas essenciais para se ser felizes.

           Poeta/JP fala (reservadamente) para Poetisa: Quanta profundidade, meu doce. Poetisa é só um nick ou você escreve mesmo poesias?

Essa conversa, que para mim era para durar somente alguns minutos perdidos em frente ao computador, levou mais de três horas. Falamos sobre vários assuntos interessantes, mas o que mais discutimos foi literatura, que era a paixão de nós dois. Ela disse que publicava suas poesias na internet, em um site chamado RECANTO DAS LETRAS, que por coincidência era o mesmo em que eu publicava os textos que escrevia. Quando nos despedimos trocamos nossos endereços eletrônicos e foi com promessas de não deixarmos de estar em contato. Uma bela amizade virtual tinha nascido naquele bate papo.



Horas depois, quando fui dormir eu demorei á pegar no sono. Não conseguia parar de pensar na desconhecida com tinha conversado naquela tarde. Quando finalmente dormi sonhei a noite toda com nuvens branquinhas, pelas quais caminhava uma mulher maravilhosa. Ela estava nua, coberta somente por um véu transparente. Tinha um corpo fenomenal: pernas longas, coxas grossas e redondas, seios fartos e pontudos. Todo ele era formado por linhas perfeitas e seu andar elegante e suave sobre a superfície branca, como se ela fosse sólida, dava para aquela visão um ar de sensualidade e magia.
Os cabelos delas eram muito brilhantes. Eles caiam como uma cascata sobre os ombros delicados dela e eu só não conseguia perceber as formas do seu rosto. Mas eu sabia que era lindo. Enrolado nos lençóis murmurava um nome o tempo todo em que sonhava: Silvia... Regina... Silvia...
Era o nome que a Poetisa tinha me dito ser o dela.



Pela manhã, assim que liguei meu computador para trabalhar, surgiu um aviso de que havia uma nova mensagem em minha caixa de e-mails. Fui até ela e encontrei uma mensagem dela, que me dava um bom dia e havia anexado nela uma foto que mostrava como ela era. Os cabelos eram castanhos, as formas do corpo atraentes e sensuais, isso eu podia ver mesmo ele estando coberto por um elegante terninho branco. A única diferença que tinha da moça com que sonhara a noite toda era que agora ela tinha um rosto marcante, belo e cheio de meiguice.
Na mesma hora fui até o site em que ela disse publicar as poesias que escrevia. Entrei nele, acessei a página dela e começei a ler as poesias que ela escrevia:
 
                                        EU EM VOCE
                        Vejo no céu uma estrela que brilha
                         sinto que preciso fazer um pedido
                          então traga-me um amor puro e
                             verdadeiro, cheio de prazer.

                          Quero muito amar, ser única, só
                         um amor pra ter paz, sossego em
                          meu coração que fica aflito aqui
                            sem amor, sem razão de ser.

                           Quero ter o brilho de um olhar
                         mãos á arrepiar meu corpo, tocar
                         em meu ser, com fome de prazer
                      sou uma sombra sem guia, sem rumo.

                     Quero ser uma saudade reprimida, ter
                     alguém pra voltar quando meu dia se
                    acabar, me dar de corpo e alma, sentir
                                     que sou amada.

                   Quero ser luar, ser calor, ser teu cheiro
                    á perfumar teu amor, ser teu céu, teu
                   inferno, nada, teu mundo teu poder ser
                                     eu em você...

                                                     Silvia Regina Verissimo


Fiquei encantado com a singeleza nas palavras que li. Ela amava com grande intensidade e verdadeiramente. Depois de ler vários trabalhos dela sentia-me encantado com sua personalidade marcante. Ela expunha a alma nas letras que escrevia, confessando sua paixão pela beleza, pela vida e pela pureza da carne. Era uma mulher maravilhosa que amava sem sentir vergonha disso.
Li várias vezes o mesmo texto. Vários trechos que encontrei nas poesias eu os reli saboreando-os:

                           Me penetra a alma, quando está
                            á me amar, tenho sede, tenho
                         fome desses olhos que me deixam
                            extasiada de prazer e desejo.

                           Nunca me senti assim tão certa
                          do que quero e preciso, mas você
                            é um amor que entrou em mim
                             calmo tranqüilo, suave brisa...

Delirei com as palavras que li e me encantei com a capacidade de amar da poetisa. Nessa noite voltei a sonhar com a moça nas nuvens. Agora ela tinha um rosto e não estava sozinha. Nua como ela se encontravam um número enorme de belas mulheres, todas deitadas em poses eróticas e cheias de classe. Eram mulheres loiras, morenas, ruivas, negras encantadoras e fatais. Todas sem rosto, pois a única que o tinha era ela.
Nesse sonho eu passeava – também nu – entre elas que sorriam promessas de amor e satisfação carnal.


"A conversa em bate papo virtual, com que inicio o texto, e a maneira que nos conhecemos é fruto de minha imaginação, mas a sedutora personagem da Poetisa, Silvia Regina Veríssimo, é real e ela é uma grande e querida amiga. Visite suas páginas para ler suas encantadoras poesias e conhecer um pouco da alma dessa mulher maravilhosa".


CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Enviado por CARLOS CUNHA o Poeta sem limites em 18/11/2007
Código do texto: T741690

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Sobre o autor
CARLOS CUNHA o Poeta sem limites
Japão, 63 anos
369 textos (437897 leituras)
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