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Diário de uma Assassina > As nossas Cinzas > O Conselho

                                                              O Conselho 15/09
                                                          Bauglir, Tinúviel e Estelion.

 Quando dei por mim estava entrando na antiga casa dos Bauglir. Uma mansão enorme, cheia de quadros, pratarias caras e livros de Magia Negra. Se olhar bem, ainda podia ver as marcas de sangue no chão, ou as marcas de arranhões no piso. Fazia muito tempo que não pisava ali, e somente um motivo muito especial me faria voltar, um motivo contra o qual eu não podia dizer não e sair impune. Culpa da escolha que fiz há muito tempo, escolha que me tornou a "Rainha dos Condenados". Sei que não é original, mas eu até que gostei do título atribuído pelo Mago Azul.

 Estava vazio a não ser pelas três mulheres sentadas na Grande Sala, em poltronas vermelhas. Elas, as três feiticeiras...Quer dizer, as três Damas. Parecia que eu tinha voltado no tempo ao rever as três juntas: A Dama Branca, a Dourada e a Escarlate. Sim, elas estavam ali, apenas me esperando para começar o Grande Conselho, ou como os populares dizem, a reunião das imortais.
 - Atrasada?
 - Não muito Dah, senta, temos que começar logo.

 Lessien era a meiga. Laurelin era a séria. Melian era a justa. Juntas a três eram mais poderosas do qualquer assassinazinha como eu. Eram tão boas que teve um tempo que eram temidas por todos, e meio que sem motivo... Elas acima de tudo sempre faziam o bem, deve se por isso que nunca me encaixei com elas, nunca fui tão boa para fazer parte de algo com elas. Bem, a reunião era para discutir sobre uma coisa: Elen Nénar. Sabíamos bem que algo tinha que ser feito, mas eu não achava certo o que elas queriam. Não é certo tirar uma criança de um pai sem mais nem menos, apenas para fazer certas vontades;
 - Já vou avisando que não posso ir lá e pegar a menina.
 - Mas você é a mãe sis! Você tem que ir lá antes que seja tarde...
 - Le, se ela não quer, alguém vai ter ir. Charles não é um monstro Dah, vai lá... Elen é muito poderosa para ficar vagando a toa.

 Certo, eu sabia que iam pedir algo assim. Sabia que tinha preparado a minha cota de desculpas, mas elas sabiam como desviar de todas. Laurelin tinha razão, ela era poderosa demais e se ficasse com Charles, ia fazer estragos tremendos na vida dele. Mas quem era eu para impedir alguma coisa? Não era mãe dela desde o dia que tinha ameaçado Charles e quase matado ele.Eu era a pessoa que menos tinha direitos naquela sala.
  - Mel, você pode ir... Ele te escuta.

 A maiar arqueou a sobrancelha me olhando séria. Poucas vezes ela tinha feito aquilo e chegava a me dar arrepios as expressões dela, parecia que ela podia matar apenas te olhando daquele jeito.
 - Você escolheu trilhar esse caminho, então assuma o que fez. Ela precisa de você, vá busca lá.
 - Ah, obrigada pela força, sis.

 Acho que não teria outro jeito, teria que encarar Charles Halloway novamente e aquilo me dava medo. A nossa história havia sido bonita... Tinha tudo o que um conto de fadas precisava, mas ele acaba quando você tenta matar o príncipe e dispensar o feliz para sempre. Encontro e desencontros, despedidas, palavras bonitas... Todos juravam que eu tinha mudado, mas era apenas mais uma fase, algo que no momento parece lindo, mas com o tempo você volta as origens e descobre que não passa de ilusão. Estava grávida da Elen quando eu matei Beatrix e talvez tenha sido por isso que as coisas começaram a desandar... Um casamento perfeito indo a ruínas da noite pro dia.
 - Nénar? Está tudo bem?

 Se havia alguém que eu admirava, era Laurelin Bauglir. Conseguia ser boa e má ao mesmo tempo, manter a imagem de pessoa caridosa, mas esconder a face obscura da sua vida. A Dama das Trevas, sua dupla personalidade... Eu queria ter conseguido fazer como ela, manter o segredo de quem eu era e manter um belo casamento. Não pode querer tudo...
 - Estou bem Lau, tudo bem... Eu vou falar com o senhor Halloway e trazer Elen de volta. Só me expliquem qual a diferença dela lá e aqui.

 Melian revirou os olhos e ficou me olhando como se eu fosse uma burra. Tudo bem, às vezes eu sou... Só não entendia a diferença das coisas.
 - Dahaja, entenda uma coisa: Ela vai conosco aprender algumas coisas, só isso. Depois ela é sua, para fazer o que quiser...
 - Quer saber? Ela não vai para lugar nenhum. Ela fica com Charles, até eu saber o que vocês querem.

 Eu senti uma dor horrível percorrer o meu corpo fazendo o escorregar da cadeira lentamente, feito geléia. Depois de alguns segundo tentando me livrar daquela sensação, apenas escutei elas dizendo que eu tinha que ir. Sinceramente, eu não entendia o por que daquilo tudo, ou para que. Elen não seria feiticeira, o máximo que seria era uma dos elevados. Eu as percebi saindo da sala rapidamente, falando coisas que eu entendia e a sensação passando... Não tinha como fugir delas, eu teria que ir de qualquer jeito procurar Charles Halloway.

Essa história nunca acaba. Quando nós achamos que podemos colocar um fim, aparece algo para mostrar que tudo tem uma reação, por pior que seja encara lá. Quando eu fiz o que fiz, achei certo. Eu não agüentava mais... Se não fosse eu, seria outra pessoa e seria pior, pelo menos eu dei a chance a ele de escolher, mas ele se recusou a fazer isso. Nada que você faz nesse mundo sai impune, nada tem fim, apenas novos começos. Esse problema todo era um novo começo, pro mais que machucasse admitir a verdade... Eu teria que falar com ele, com o meu ex-marido.
Nenar
Enviado por Nenar em 25/11/2007
Código do texto: T751555

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Sobre a autora
Nenar
São Paulo - São Paulo - Brasil
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