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VISITA ESPECIAL

A noite estava estranha, parecia que a qualquer momento alguma coisa iria acontecer; uma coisa nova surpreendente. A mãe chegou cansada do trabalho, o pai não chegou por que não fora, era mais um ano que passaria o natal desempregado. Porém, apesar da aparente rotina, os sonhos da menina insistiam em segredar-lhe esperanças próprias do natal.
A meia-noite se aproximava lentamente, o latido dos vira-latas anunciava que para eles a festa já começara, alguns fogos cortavam o céu e naquela humilde casa a menina sonhava. Ela conhecera a história de Papai Noel na casa da patroa da mãe, era o primeiro ano que esperava por ele. Colocou seu melhor vestidinho e ficou sentada na janela, sua casa não tinha chaminé, precisava ficar atenta se não o bom velhinho poderia esquecer-se dela novamente.
Sua casa também não tinha árvore, pisca-pisca e provavelmente não teria ceia, contudo ela fantasiava; o céu era uma imensa árvore de natal, enfeitado por estrelas pisca-piscas e na mesa estavam as mais gostosas comidas mágicas do mundo, só os bons de coração poderiam vê-las. O relógio marcava onze horas e treze minutos; a mãe terminava de enfeitar o pequeno bolo que repartiria meia-noite, o pai roncava no desgastado sofá e a menina sonhava.
A mãe foi banhar-se, deixando-a sozinha com o pai desacordado. O sino bateu anunciando a simbólica chegada do salvador. Foi naquele momento que seus olhos viram cheios de alegria a figura do senhor de barbas brancas surgir no seu trenó, ele era idênticos ao dos seus sonhos. Ela ficou contemplando aquela imagem em silêncio, quando chegou mais próximo, pediu em pensamento um emprego para o seu genitor. O Papai Noel sorriu e entregou uma boneca, afagou os seus cabelos e despediu-se, sumindo na vastidão do céu.
Alguns minutos depois a mãe surgiu de dentro do minúsculo quarto e perguntou sobre a origem da boneca, a menina prontamente respondeu:
- o Papai Noel me deu.
A boa senhora olhou pela janela e viu no fim da rua um homem com a fantasia do bom velhinho julgou ser ele o qual a filha falava, acenou agradecendo o brinquedo. Acordou o marido e os três juntos rezaram a antiga oração da família, comeram o bolo, o natal estava concretizado.
Acordaram com o telefone tocando, o pai foi atender e quão grande foi sua surpresa, era uma das lojas onde fora fazer entrevista, estava contratado, começaria a trabalhar no dia vinte e seis. A menina sorriu.
tetê castilho
Enviado por tetê castilho em 25/11/2007
Código do texto: T752076

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Sobre a autora
tetê castilho
Belém - Pará - Brasil, 30 anos
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tetê castilho