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U Conto di AgarraUnhas

                                                           Para Yasmim N. Rodrigues




Adispois du arto sertão di Pernambuco, nus tempo di istiage, havia u’a idéa di quê u cabra bom era u qui caçava onça ‘c’as unhas’, quereno dizê: infrentava a bicha di mãos limpa, sem faca-pexeira, sabre ô bacamarte di duas bala. Apois bem; naqueles tempo inda existia a mata atrântica, onde elas, as onça, si iscundia, i Pernambuco já tinha dexado há muito tempo di sê Carpitania Hereditaira i, tambem, já tinha um guvernadô meio-gago i frôxo, nas guvernança lá dele. Apois bem di novo! U causo é qui u guvernadô, num fazia as coisa, pru mode quê esperava qui seus ‘assessô-capanga’ fizesse antes, ô... qui désse, pelo menas, as idéa du quê fazê.
Pru mode di quê, argúem ia dá idéas, si ninguém tumava tento du quê era priciso pra guverná?

Foi entonce qui apareceu um cabôco vino lá du agreste, duma vila chamada Riberão (pur tê lá um riaxinho perto, chêo de riberas dus lado, intonce na vila si dizia Riberão du Riaxo) i foi pur lá qui naceu u Garbrié, apilidado di Garbrié C’unha, qui era muito distimido i corajoso de caçá nas mata atrânticas de lá, desde minino; i num caçava de mão armada, não! Era di mãos limpa memo, cuma si dizia: c’às unha!

Quando u Garbrié chegô na capitá du Arrecifes a fama dele já era cunhecida i u Guvernadô mandô chamá pru ele.
       - Seu moço, u Guvernadô qué qui u sinhô vá lá nu Palaço, falá cum ele.
       - I u quê esse tá de  Guvernadô qué de mim?
       - Qui u moço vá lá, agorinha memo!
       - Vô matutando, inquanto cê  mi leva lá. Vambora!

Nu Palaço Véio (agora si diz Princeza Izabé), u Guvernadô arrecebeu u tá de  Garbrié C’unha, qui chegô meio discunfiado.
       - U quê qui u sinhor qué cum eu, seu Guvernadô?
       - Tô percisando dum cabra bom de briga, pra mi insiná à lutá aqui na guvernança.
       - Aqui tem onça? Pintada ô preta?
       - Num tem num sinhô, seu GarraUnhas!  (arrespondeu bem dipressa u guvernadô, pru mode num gaguejá).
       - Cuma é memo meu nome... quê u sinhô disse!?
       - Num leve à má u Guvernadô, moço! Ele fala bem dipressa memo, num é? (disse ligero um ‘assessô-capanga’ lá dele; acostando um pau-di-fogo nu Garbié).
       - É, parece qui é... Si aqui num tem onças, cuma é qu’eu vô insiná u sinhor à caçá elas?
      - In... in insinando a manera di fazê a caça, GarraUnhas; cuma u sinhô bem sabe fazê!
      - Vô matutar um pouquin... - Garbié pegô u queixo i mexia us óius prum lado i pru ôto, i arrespondeu:
      - I u quê qu’eu vô ganhá insinando meu sabê, pru sinhor?
      - I u qu quê ocê tá querendo memo? (perguntô a otoridade).
      - Ummn... Bem. A minha mãínha quiria morá numas terra prá lá de Caruaru, qui ela viveu nuns dia. Eu insino tudin quê sei fazê si u sinhor mi dé umas terrinhas, pru mode prendá minha mãe; tá certo!?

Foi a vez du Guvernadô matutá cum as mão nu queixo. Matutô matutô i arrespondeu:
      - Tá ta certo, GarraUnhas... mas si eu num aprendê bem, mando prendê você i sua sinhora mãinha!
      - Entonce prepare-se pra cumeçá! pruquê se vosmecê num aprendê, eu tambem, vô matutá cuma si vosmecê fosse onça, i vô pegá c’às unha, cumo faço cas’ôtas onças.
      - Vô aprendê, sim; Eu tô querendo!

U insino du Governador durô meio ano i as terras adispôs de Caruaru era chamada de Terras de GarraUnhas. Quando arguém ia pra lá, dizia:
      - Vou à GarraUnhas!

Com u passar dus tempo u nome das terras foi si arterando i hoje agente cunhece como u municípe di Garanhuns, adonde qui faz um frio danado da peste. Aporém... a famía du Gabriel Cunha inda vive pur lá, fazeno num si sabe memo u quê.

      - Mentiroso! – gritou alguém da platéia.


                                                                            YvanioKunha
                                                                 09:51’ de 25.06.2005
                                                                           Garanhuns/Pe
                                     (Casa da Yasmim, quando ela disse querer
                              saber por quê a cidade se chamava Garanhuns)
-
YvanioDaKunha
Enviado por YvanioDaKunha em 27/11/2007
Reeditado em 29/09/2013
Código do texto: T754689
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
YvanioDaKunha
Maceió - Alagoas - Brasil, 80 anos
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YvanioDaKunha