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Diário de uma Assassina > As nossas Cinzas > O Bar


                                                                     O Bar

                                        Caindo aos pedaços, lá estava eu 15/09

 Eu sai da casa xingando todo mundo, quer dizer, xingando as três. Antes de saírem deixaram um bilhete mandando eu ir até O Bar e esperar pelo inesperado, um enigma falando do óbvio. Sai andando pelas ruas escuras, pensando no próximo passo que daria, pensando no que eu estava fazendo com essa bagunça que eu chamo de vida. Esta tudo tão errado! Todas as páginas estão tão borradas, tão ruins... Nada dá certo, nada está mais no lugar e andar se muito rumo, não adianta. Ir ao bar só mostraria o quanto eu estava sendo manipulada por elas e dando razão às coisas que elas dizem. Não ir seria estragar a supressa que elas me fizeram, se bem que não era mais supressa: Sabia no que ia dar e do jeito que ia acabar.

 Não demorou em os meus próprios pés me traírem e me levarem até O Bar. Noite movimentada, uma bela quarta feira para arranjar confusão se estivesse com a Loira, mas infelizmente não havia avisado a ela que iria lá, muito menos beber. Parece que seria somente eu naquela noite, eu e uma garrafa de vodka. Chegando ao bar sentei no em uma das cadeiras do balcão, olhando para o bar e esperando Danny me atender, mas como ele já sabia o que eu queria, trouxe a garrafa de vodka e um copo quando me viu.
 - Dia ruim?
 - Não sabe como Danny... Por acaso viu a Williams aqui?
 - Não... Mas a sua irmã esteve aqui.

 Eu agradeci dando uma nota para ele e sorrindo. Danny me conhecia há tempos, mas não era bom deixar as pontas abertas, preferia pagar e ver ele de bico fechado. A noite ia ser longa pelo jeito...Já era quase dez horas quando entrei no bar e estava ali fazia algum tempo, e algumas doses de vodka, quando alguém chegou por trás de mim, colocando a mão nas minhas costas e sussurrando no meu ouvido:
 - Ótimo lugar para se esconder...
 - Não tanto, você me achou.

 Eu tremi por inteira e senti algo no meu estômago se revirar e debater ali dentro. Em senti feito uma criança olhando pra ele, sentindo o que tempo que havia passado realmente havia mudado as coisas. Virei mais uma dose, me preparando para falar, mas ele acabou sendo mais rápido:
 - Não conseguiu parar de beber?
 - Eu nunca bebi, eram raras às vezes... Talvez eu tenha começado depois que tentei de matar.

 Ele ficou calado por alguns instantes, me olhando como se quisesse entender o que eu tinha dito, mas não tinha como entender o simples. Eu devia saber que elas fariam isso comigo, devia saber que seria ele que estaria no bar naquela noite. Ai... Doeu ver ele ali, tão bonito como da última vez que eu o tinha visto. O tempo tinha passado e tinha nos mudado.
 - Por que toda essa cerimônia Dah? O que você quer?
 - Fala como se eu pedisse dinheiro
 - Desculpa, não quis te ofender.

 Eu sorri, virando mais uma dose e olhando para o balcão, escolhendo palavras. Não era medo dele, não era raiva... Não sei explicar, mas eu ficava sem reação, perdida. Sempre foi assim e parece que não tinha mudado, parecia que a presença dele trazia todas aquelas sensações boas de novo, me fazendo retornar a um passado distante. Caramba, como era difícil olhar nos olhos dele:
 - Charles, eu quero a guarda da Elen. E, por favor, não me venha com desculpas dessa vez.
 - Não quero que ela fique como você Dah... Não suportaria perder ela também.

 Eu o olhei, tentando me manter séria por alguns instantes, e consegui.  Fiquei olhando aqueles olhos verdes, sentindo como se o chão tivesse aberto e me engolido, puxando o meu corpo e o torturando com coisas do passado. Queria desaparecer, sumir daquele bar, da frente dele.Fechei os olhos devagar, tentando lembrar o por que estava ali. Era só falar e ir embora, apenas isso.
 - Eu não vou deixar...Eu não quero isso pra ela. Já bastou eu ser assim.
 - Você podia ter mudado enquanto estava comigo... Teve a sua chance.
 - Mas eu mudei...

 Ele sorriu pedindo mais um copo pro garçom e enchendo. Eu estava cansada... Parecia que só tinha alguns minutos que eu estava com ele, pareciam horas... Eu já devia ter adivinhado que seria difícil assim.
 - O que andou fazendo Dah?
 - Não muita coisa... O de sempre. Eu soube que começou a namorar...
 
 Ele parou olhando para mim meio surpreso, como se fosse supressa eu saber daquilo. Bem, mas devido a minha profissão, eu sabia de tudo e mais um pouco. Ele tomou uma dose do copo e me olhou sério.
 - Por que a nós acabamos desse jeito? Quer dizer, estamos nos tratando como dois estranhos sem motivo. Eu nem me lembro o por que você saiu de casa... Nem sei por que estávamos passando por esse momento.
 - Mas eu lembro...
 - Manda tudo isso pro espaço.
 
 Ele me puxou pelo braço, fazendo eu me levantar da cadeira, me levando até a porta do bar, sem muitas explicações. Quando chegamos a porta, dei um tapa nele, sem força, quase apenas segurando o rosto dele. Eu não sei explicar o foi tudo aquilo, mas as lágrimas começaram a cair, resistindo o máximo, porém, feito de uma criança na frente dele. É foi pior do que eu imaginava.
 - Você devia para de fingir que é forte. Eu não sei o seu nome, mas eu sei quem você é...Não somos os mesmo Dah, mas não precisa ser mais assim. Vamos para de dizer aquilo que não precisamos e falar o que importa de verdade.
 
 Eu nunca tive coragem de levantar a mão pra ele, mas naquele momento, eu quis acabar com aquela história, mas não ia conseguir... Ele sabia as minhas fraquezas, meus defeitos, minhas mentiras. Estava tudo péssimo, tudo estava desabando eu não conseguia falar nada, não podia falar nada, por que admitiria a verdade. Estava caindo aos pedaços por causa daquela situação...
 Quando eu me virei para olhar para ele, limpando as duas ou três lágrimas que eu tinha deixado cair, me vi perdida naqueles olhos, perdida naquele sorriso meio bobo que ele gostava de dar quando sabia que eu estava sem graça.Por alguns segundos me pareceu que estava de volta no tempo, que tudo era um sonho e daqui a pouco acordaria deitada na casa da árvore da Elen com dor nas costas.
 - Preciso ir... Mas eu vu buscar Elen, não se preocupa.
 - Não...

 Ele segurou o meu braço e eu puxei a minha espada... Era agora ou nunca.
Nenar
Enviado por Nenar em 27/11/2007
Código do texto: T755508

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Sobre a autora
Nenar
São Paulo - São Paulo - Brasil
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