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Morte Lenta

Morte lenta

Pinças. Bisturis. Aventais brancos. É só do que me lembro.

Não, espera aí, tinha um cheiro estranho, e uma luz muito brilhante.

E olhos enormes que observavam tudo. Não me lembro de rostos. Só me lembro de olhos. Cinzentos e sem pálpebras.

E me lembro da dor. Colorida, vibrante, intensa. Cada centímetro do corpo doía, até ser uma coisa só, até eu me tornar uma coisa sem forma, só feita de dor e gritos.

Amostras de sangue, tecidos, cabelo, pelos, saliva. Tiraram amostras de todas as partes.

Introduziram objetos estranhos, substâncias desconhecidas, ligas metálicas ditas impossíveis. Dúzias dessas coisas no meu corpo.

Hoje, me chamam de louco.

Hoje, me dizem que sou paciente terminal de um câncer raríssimo.

Hoje, ouço zumbidos se aproximando, me avisando que estão vindo me buscar.

As luzes já começaram a piscar.

Por favor, sem dor dessa vez.

Roberta Nunes

08/04/2005

Roberta Nunes
Enviado por Roberta Nunes em 11/04/2005
Código do texto: T10770

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Sobre a autora
Roberta Nunes
Santo André - São Paulo - Brasil, 38 anos
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